Durante décadas, arquitetos e engenheiros vêm discutindo o futuro das cidades. No cinema, o cenário é de carros voadores, robôs simpáticos e prédios hiperconectados. Mas, nos escritórios e academias, profissionais e estudantes já pensam em uma realidade diferente: eles estão mais focados nos desafios reais e nas necessidades dos próprios moradores das grandes cidades. A Toyota, por exemplo, esteve atenta às principais novidades apresentadas nas feiras do setor e resolveu aplicar na prática as teses e conceitos defendidos.

Assim nasceu a Woven City, erguida em Susono, província de Shizuoka — próxima ao Monte Fuji —, no Japão, em uma área de 175 hectares de uma antiga fábrica da empresa que fechou as portas em 2020. A ideia é transformar esse espaço em um laboratório vivo de escala urbana, misturando as melhores soluções de engenharia, arquitetura, mobilidade, IA e automação. Fique ligado, pois é provável que essa obra ambiciosa seja referência para os projetos das próximas décadas.

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Toyota Wover City
Imagem divulgação Toyota Wover City

Por que a Toyota criou a Woven City?

A ideia da Woven City, desenvolvida pela unidade de negócios Woven Planet — hoje chamada de Woven by Toyota (WbyT) —, foi apresentada pela primeira vez em janeiro de 2020, na CES (Consumer Electronics Show) de Las Vegas.

Já naquele momento, ficou claro que a mensagem da multinacional era de que passaria a atuar não apenas como fabricante de automóveis, participando ativamente da construção do futuro da mobilidade como um todo — desde os projetos de infraestrutura urbana até soluções estratégicas para cidades inteligentes.

Assim, a construção da Woven City começou em 2021 e, em três anos, a primeira fase já estava concluída, com direito a certificação LEED Platinum pelo design ambientalmente responsável. A previsão é que, em breve, a área já possa receber seus 100 primeiros moradores — provavelmente funcionários da Toyota e suas famílias. Na fase 2, serão mais 360 pessoas. E, finalmente, 2 mil habitantes em fases futures.

Toyota Wover City
Imagem divulgação Toyota Wover City

Como a arquitetura da Woven City se destaca?

O mundo está mudando cada vez mais depressa. E os engenheiros da Toyota perceberam, com o tempo, que o futuro dos automóveis não depende apenas dos veículos em si, mas também das cidades onde eles circulam. Instigante essa ideia, não?

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Pois bem, numa tentativa de integrar pessoas, transporte, energia, informações e infraestrutura, esses pesquisadores elaboraram um modelo urbano mais preparado para as tecnologias do amanhã, com uma infraestrutura totalmente inteligente.

Para começar, as ruas foram divididas em diferentes categorias de circulação, com áreas exclusivas para veículos autônomos rápidos e outras para pedestres. Já as edificações são minimalistas, inspiradas na arquitetura japonesa e nórdica, com sistemas avançados de automação, sensores, robôs e monitoramento. Esses e outros espaços foram pensados para gerar dados, observar interações e decifrar a convivência entre pessoas e tecnologia no cotidiano.

Se você pensar bem, é uma forma de engenharia que deixa de atuar apenas no estrutural para influenciar diretamente o comportamento dos usuários.

Vale destacar que, além de todas as tecnologias já citadas, a Woven City também deve contar com sistemas de climatização capazes de reduzir drasticamente a presença de pólen no ar.

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O papel da Inteligência Artificial na cidade

O mais interessante é que a Woven City poderá funcionar como um instrumento de pesquisa contínua, com os dados sendo permanentemente coletados pelo ecossistema de desenvolvimento tecnológico AI Vision Engine.

Toyota Wover City
Imagem divulgação Toyota Wover City

Como a proposta da Toyota é que todos possam participar da construção coletiva do futuro urbano, outras empresas parceiras, startups e inventores já manifestaram a intenção de desenvolver tecnologias dentro da cidade. Inclusive, já há programas locais de aceleração e até competições de ideias para atrair ainda mais mentes criativas.

É importante dizer que qualquer nova proposta deve considerar o impacto da IA na engenharia urbana moderna. Segundo informações divulgadas, a Woven City já conta com uma enorme quantidade de sensores e câmeras espalhadas em ruas, prédios e áreas internas, analisando o que acontece em tempo real. A tecnologia deve acompanhar os indivíduos (seu comportamento, roupas e movimentos) — sem fazer uso do sistema de reconhecimento facial tradicional. Na prática, a cidade usará essas informações para aprender a se renovar com quem vive nela.

Diante disso, devemos levantar a questão sobre privacidade, monitoramento e uso de dados urbanos. O que você acha? Até que ponto as pessoas devem estar dispostas a trocar sua liberdade por conforto, eficiência e segurança?

Toyota Wover City
Imagem divulgação Toyota Wover City

O que a engenharia deve aprender com a Woven City?

A Woven City impressiona porque parece um vislumbre concreto do que muitas cidades poderão se tornar nas próximas décadas. Ela nos ensina que…

  • O futuro da engenharia será integrar sistemas, não só construir estruturas;
  • Mobilidade, energia, IA e urbanismo precisarão trabalhar juntos;
  • Testes em cidades reais aceleram a inovação;
  • Falhas e experimentação fazem parte do desenvolvimento tecnológico;
  • Áreas industriais podem virar polos de inovação;
  • Dados e inteligência artificial serão centrais nas cidades inteligentes;
  • Casas, veículos e infraestrutura estarão totalmente conectados;
  • Parcerias entre empresas e startups serão essenciais;
  • Sustentabilidade e automação andarão juntas; e
  • O grande desafio será equilibrar tecnologia e privacidade.

Então, sim, o futuro chegou e veio acompanhado de muitos desafios. O maior deles é como construir cidades inteligentes que continuem humanas.

Veja Também: O Futuro das Telecomunicações com a Internet 10G


Fontes: Gizmodo, O Globo, O Tempo, Época Negócios.

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Engenharia 360

Simone Tagliani

Graduada nos cursos de Arquitetura & Urbanismo e Letras Português; técnica em Publicidade; pós-graduada em Artes Visuais, Jornalismo Digital, Marketing Digital, Gestão de Projetos, Transformação Digital e Negócios; e proprietária da empresa Visual Ideias.