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Novas perspectivas para a economia verde, agronegócio e Engenharia de Alimentos pós-crise

por Redação 360 | 20/10/2021

Como preservar a saúde de nosso povo? Produzindo alimentos mais saudáveis e também preservando à terra e os recursos naturais!

Reflita sobre a atual situação econômica do Brasil e do mundo. De fato, a pandemia do covid-19 escancarou muitos problemas que já vínhamos enfrentando. Mas, neste meio tempo, outros foram surgindo, como a crise hídrica, os rios mais fracos e os reservatórios em baixa. A energia elétrica também está mais cara, assim como os combustíveis. Fora que, com as atividades paradas nas universidades, ficamos com um déficit de conclusão de pesquisa e novos profissionais graduados. Tudo isso é sentido diretamente em todos os setores, incluindo no agronegócio e na Engenharia de Alimentos.

Mas é claro que os profissionais que lidam com o campo também precisam pensar em como os seus próprios consumidores também estão transformando seu jeito de vida. Muitas pessoas estão atentas à questão ambiental, valorizando empresas que se preocupam com ações ecológicas e sustentáveis. Também existem aqueles que estão começando adotar um novo estilo de alimentação, sem aditivos e agrotóxicos. Estas questões devem guiar completamente o setor pós-crise, e devemos estar preparados para isso. Aliás, o texto a seguir traz exemplos desta mudança de postura que comentamos antes. Confira!

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Imagem reproduzida de Prefeitura de Extrema

O que os agricultores estão fazendo para superar a crise?

Formas de produzir água em meio à seca

No município de Extrema, em Minas Gerais, a propriedade rural de Sebastião Fróes está recebendo dinheiro da iniciativa ‘Conservador das Águas’ para produzir água. Isso mesmo que você leu, produzir água! Como? Destinando área de pasto degradado para a reconstituição da mata nativa local. E justamente esta recobertura vegetal é capaz de recuperar o potencial hídrico dos terrenos.

“Nós temos um manancial produzindo algo em torno de 1 litro por segundo em um momento onde nós estamos atravessando uma das piores crises hídricas dos últimos 90 anos da região Sudeste.”

biólogo Paulo Henrique Pereira, idealizador do projeto, em reportagem de Globo Rural.

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Imagem reproduzida de Projeto Colabora

Já em Santa Catarina, para diminuir o risco de falta de água nos municípios de Balneário Camboriú e Camboriú, a administradora Kelli Dacol, inspirada pelo projeto em Extrema, está incentivando o pagamento por serviços ambientais sobre a tarifa que os consumidores pagam. O risco de escassez de água começou a diminuir quando proprietários no entorno das nascentes toparam entrar no projeto demarcando e, em vários casos, reconstituindo áreas com investimento patrocinado.

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Por fim, perto de Brasília, os moradores e propriedades rurais que se beneficiam do conjunto de nascentes conhecido como Águas Emendadas, também passaram a pagar por serviços ambientais no Brasil Central. Como pagamento pelo serviço ambiental prestado, os produtores receberam, em 5 anos, R$ 15 mil reais do programa. A saber, esse dinheiro vem de recursos públicos e de ONGs.

“O projeto produtor de água é um achado, é um ganha-ganha. Ganha o produtor, porque ele pode melhorar a propriedade dele. E ganha a sociedade que vai ter água de melhor qualidade.”, diz Devanir Ribeiro, o coordenador do programa em Brasília.

Devanir Ribeiro, o coordenador do programa em Brasília.

Tecnologia para reduzir aditivos e melhorar a qualidade do trigo

Voltando à questão da alimentação, os brasileiros estão, sim, mais preocupados com o que colocam na mesa. Imagina poder diminuir e até eliminar o uso de aditivos colocados em farinhas de trigo, por exemplo? Pois pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolveram um equipamento processador multifuncional que usa micro-ondas para a aplicação em diversas tecnologias da indústria agroalimentar.

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Imagem reproduzida de Inova Unicamp
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Imagem reproduzida de Inova Unicamp

E qual a motivação para a criação deste sistema? Bem, é poder mudar a qualidade de amidos e proteínas; e modificar características como elasticidade, extensibilidade e viscosidade de massas na produção de bolos e biscoitos. Pode-se eliminar parasitas, controlar a umidade dos produtos e evitar a absorção de odores. E ainda é possível inativar enzimas que aceleram o processo de perda de qualidade de produtos, aumentando o tempo de vida da prateleira de alimentos processados. O melhor é que nada disso exigiria o uso de coadjuvantes e aditivos ou a modificação radical de processos de fabricação – bastaria apenas fáceis ajustes operacionais.

Estudos internacionais indicam que o tratamento de farinhas com micro-ondas pode alterar e tornar a proteína do trigo funcional para o público intolerante ao glúten!

Uso de ozônio para melhorar as propriedades do amido de mandioca

O amido de milho, citado no tópico anterior, é um ingrediente importante para a indústria de alimentos. Também é utilizado na produção de papel, tecido, fármacos e tintas, usados até em processos de extração de petróleo. Porém, ele gera resíduos ou efluentes. Pensando nisso, um grupo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) testou a possibilidade da utilização do amido de mandioca para diferentes setores produtivos.

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Eles defendem que, neste caso, o uso de ozônio e de aquecimento a seco (DHT) eliminaria nesta matéria-prima a geração de resíduos ou efluentes. Sim, o gel nativo da mandioca é “fraco” em relação ao gel do milho, por exemplo. Contudo, através deste novo processo, foi possível obter um gel de mandioca mais consistente que o de milho.

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Imagem reproduzida Um só Planeta – Globo

No teste, a equipe produziu o ozônio no laboratório, dando uma descarga elétrica em certa quantidade de oxigênio com 95% de pureza (em uma unidade geradora de ozônio). O ozônio funcionou como oxidante, degradando o amido rapidamente – o ‘resíduo’ dessa reação é o oxigênio. A amostra foi colocada em um reator de vidro, no qual se injetou ozônio e oxigênio. Por último, ela foi processada por até 30 minutos, sendo constantemente agitada

Já o aquecimento a seco foi feito em uma estufa de laboratório, uma espécie de forno elétrico, onde o calor se acumula em uma resistência. Houve um controle de temperatura bastante preciso. E as amostras de amido foram embaladas em folhas de alumínio e seladas para garantir que não haveria perda de material.

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Imagem reproduzida de Revista Analytica

A ideia, agora, é identificar e caracterizar novas fontes de amido; fazer modificação dos amidos; além da exploração das possíveis aplicações (novas e tradicionais). O grupo quer tentar, na sequência, usar essas técnicas de modificação em outras fontes de amido e com outras condições de processo, para tentar encontrar funcionalidades adicionais. E, no futuro, aplicar esses amidos em produtos reais, como pães e massas.


Fontes: Instituto de Engenharia, UDOP, FAPESP, FAPESP 2.

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