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Descubra quais fatores são considerados no projeto e instalação de vidraças estruturais

por Guilherme Menezes | 02/03/2021

Entenda quais são as técnicas construtivas utilizadas para as vidraças

O sonho de possuir “paredes invisíveis” gerou um grande avanço tecnológico na área de construção: as chamadas vidraças estruturais. Foram os engenheiros Peter Rice e Jorg Schlaich os pioneiros a alcançar este objetivo. Em 1981, em Paris, o engenheiro Peter Rice construiu na La Villette uma fachada de vidro de 32×32 metros, estabelecendo então um precedente para todas as paredes de vidros que viriam posteriormente.

Quais fatores fundamentais a serem considerados nas vidraças estruturais?

Para a construção destas paredes de vidro foram notados dois fatores fundamentais que deveriam ser considerados, já que o vidro possui características de pouca resistência à tração e é muito quebradiço para suportar cargas significativas.

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Primeiramente, deveriam ser previstas com precisão as cargas solicitantes e principalmente garantir que as vidraças não sofreriam quaisquer esforços de flexão.

Museu do louvre todo em fachada de vidro
Fonte: G1

O segundo fator seria de amortecer as cargas de impacto que poderiam causar um efeito dominó, promovendo a falha de todas as vidraças. Esse impacto, por exemplo, poderia ser ocasionado pelo choque de um pássaro.

E foi assim que Peter Rice desenvolveu a fachada de vidro, utilizando de painéis compostos por 16 peças (4×4). As vidraças eram suspensas por suportes com mola, para evitar que cargas fossem transmitidas para o vidro. Foram necessários também conectores com quatro pontas para que sustentassem as vidraças, garantindo que nenhuma carga de impacto ou flexão fosse transferida para o vidro. Por fim, as cargas de vento positivas e negativas eram transferidas por treliças de banzos paralelos.

O engenheiro Jorg Schlaich considerou os mesmos fatores, mas adotou uma abordagem diferente. Em 1999, desenvolveu um sistema para a fachada do Ministério das Relações Exteriores em Berlim. Esse sistema era composto por uma grelha ortogonal de cabos onde as vidraças eram fixadas, fazendo com que elas precisassem apenas de suportar seu peso próprio. As cargas de vento e qualquer outra consideração eram irrelevantes, pois ao invés de suportar essas cargas, a estrutura da fachada poderia se mover sob a força exercida, sendo então apenas os esforços transmitidos para os cabos de aço.

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Como são os sistemas de instalação das fachadas de vidro?

Fachade com vidraça estrutural
Fonte: Abra Vidro

Com o avanço tecnológico e o aperfeiçoamento das vidraças estruturais surgiram outros pontos a serem questionados além dos dois fatores fundamentais para a estabilidade da estrutura, alguns são: porte do projeto, compatibilidade entre estrutura e sistema de fixação da fachada, tempo para execução e espaço de trabalho. Posteriormente, deve ser escolhido o tipo de vidro a ser utilizado.

A partir de todas essas escolhas temos diversas técnicas disponíveis a serem aplicadas. Os mais usados no brasil são do tipo Grid, que têm como principal característica a visualização da estrutura de fixação que pode ser vista como linhas verticais e horizontais.

A seguir, algumas das principais técnicas são apresentadas:

  • Spider: recebe este nome pois as ferragens usadas para fixação lembram uma aranha e permitem a fixação dos vidros dispensando o uso de caixilho.
  • Stick: também denominada como pele de vidro, a principal característica desse método é que o vidro é colado em perfil de alumínio e resulta em uma estrutura escondida, permitindo o envidraçamento com menos elementos metálicos aparentes.
  • Unitizado: é composto por módulos que se encaixam na estrutura, já formados por perfil, colunas, travessas e vidro. Fixado com silicone ou fita dupla face específica para este tipo de colagem.

Outras técnicas ainda são utilizadas, porém com menor frequência em projetos, como, por exemplo, cable net, vidro estrutural e autoportante.

Leia também: ‘Vidrados’ da Netflix: série lembra a importância dos trabalhos de Arte em Vidro

E você, já viu alguma obra utilizando essas técnicas ou conhece alguma outra ? Curta e comente!

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Guilherme Menezes

Engenheiro Civil, nascido e criado em São Paulo. Atua na área de projetos de Infraestrutura, estruturas e portuária. Se interessa por economia, atualidades e inovação.