Engenharia 360

As construções mais incrivelmente inúteis - parte 2: Brasil

Engenharia 360
por Simone Tagliani
| 04/07/2022 | Atualizado em 06/07/2022 4 min

As construções mais incrivelmente inúteis - parte 2: Brasil

por Simone Tagliani | 04/07/2022 | Atualizado em 06/07/2022
Engenharia 360

Na parte 1 deste texto, contamos falamos de obras realizadas ao redor do mundo que até são muito bonitas e atraentes, contudo, não possuem uma serventia que justifique a sua criação – que envolveu muita mão-de-obra e enormes quantias de dinheiro. E como podemos imaginar, é óbvio que isso também aconteceu aqui, no Brasil. Separamos alguns exemplos da História da Engenharia que você simplesmente não vai acreditar. Prepare-se, pois os casos são bastante escandalosos!

Parques eólicos nacionais

geração energia eólica | engenharia
Imagem reproduzida de Diário do Nordeste

Os leitores do Engenharia 360 adoram receber informações sobre energia eólica; então, resolvemos começar por este exemplo. Olha que interessante, até 2015, o Brasil já tinha construído 166 parques eólicos. O problema é que o sistema empregado hoje pela agência reguladora do setor elétrico, a ANEEL, apresenta falhas. Em média, as construções das usinas atrasam uns 10 meses em 88% dos casos – sem contar os atrasos na instalação das linhas de transmissão. E isso leva ao caso de que, de todos esses parques, quase 40 deles ainda não possuem linhas necessárias para escoar bem a sua produção.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Continue Lendo

Resumindo, esses parques enormes e potentes geram muita energia, mas que não podem ser entregues para as distribuidoras e, por isso, ninguém pode consumir. O resultado disso é um prejuízo gigantesco para os estados e para o governo federal. Um erro que sentimos no nosso bolso, sobretudo nestes tempos de crise energética!

Papódromo de João Paulo II

estrutura efêmera
Imagem reproduzida de UOL Notícias

A visita do Papa João Paulo II no nosso país, no início dos anos 90, durou apenas 9 dias, visitando 10 capitais brasileiras. Mesmo assim, em Maceió, foi montada uma superestrutura para receber sua santidade e os fiéis que a acompanhavam. Até aí tudo bem, se o espaço não tivesse sido abandonado logo depois. Chegou a ser restaurado – pasmem, uma obra que custou R$ 30 milhões, em valores atualizados; mesmo assim, não apresenta mais utilidade.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Captação de água na seca

barragem
Imagem reproduzida de G1 – Globo

Para combater a seca na represa do Cantareira, foi planejada a transposição do Rio Guaió, visando levar até a represa de Taiaçupeba, em Suzano, São Paulo, mais de mil litros de água por segundo. A intenção era beneficiar milhares de famílias. Mas, mesmo a obra finalizada, não se pôde entregar tal vazão por conta da crise hídrica, pois a estiagem baixou demais o nível das águas, e até agora não se viu uma retomada da marca – e pelo jeito o cenário não deve se inverter, por conta da questão climática global.

Ponte Brasil-Guiana Francesa

ponte
Imagem reproduzida de G1 – Globo

Essa história é a mais antiga dessa lista, aconteceu nos anos 90, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique, e era para ser um símbolo de integração entre Brasil e França. Mas, acreditem se quiser, a obra só terminou mesmo em 2012 e… jamais foi aberta. Por quê? Falta de documentação que ateste, de fato, a conclusão, que também compromete a travessia dos moradores que dependem do transporte para Saint George.

Pier de Natal

ponte
Imagem reproduzida de Dreamstime

Quem pesquisa imagens de Natal, logo encontrará fotos da Ponte Newton Navarro, que se tornou símbolo da cidade. Porém, houve um erro de cálculo grotesco nesta obra. Nas águas debaixo da ponte, eram para passar navios de cruzeiros de 65 metros de altura, mas a estrutura foi feita apenas com 55 metros – e olha que, por perto, foi feito até um píer para receber os turistas. Mas alguns alegam que a coisa toda foi intencional, por puro interesse econômico de políticos oportunistas envolvidos com a rede hoteleira local, que perderia demais sua renda competindo com os navios.

Ponte de Medeiros Neto

ponte
Imagem reproduzida de A TARDE

Esta ponte está localizada sobre o Rio Água Fria, no sul da Bahia, e deveria servir para desviar o tráfego de caminhões do município de Medeiros Neto para rodovias estaduais da região. A obra começou, mas foi abandonada pela metade, pois os políticos entenderam que demandaria mais dinheiro para desalojar as famílias que habitam as áreas onde seriam as cabeceiras da pista do que terminar a ponte. Então, por que começou? Ninguém sabe! Assim aconteceu também com a Ponte de Tutóia, no Maranhão, e muitas outras estruturas semelhantes por todo o país.

Ponte de Maricá

ponte
Imagem reproduzida de Folha Política

A prefeitura do município de Maricá foi responsável pelo pior exemplo desta lista. Ela decidiu fazer uma ponte. Mas onde? Num lugar onde não havia rio, lago, nada de água. Para evitar que a obra se tornasse inútil, os políticos decidiram abrir um canal pelo qual pelo menos a água do mar pudesse passar. Segundo ambientalista, o caso trata-se de um crime ambiental, terminando por secar todo o sistema lagunar.

Veja Também: As construções de Engenharia mais incrivelmente inúteis – parte 1: Mundo

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO


Fontes: Mega Curioso, TNH1.

Comentários

Engenharia 360

Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; técnica em Publicidade; pós-graduada em Artes Visuais e Jornalismo Digital; e proprietária da empresa Visual Ideias.

Assine nossa newsletter
e receba
uma curadoria exclusiva de conteúdos:

Continue lendo