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Cientistas brasileiros descobrem que bagaço de cana-de-açúcar pode 'limpar' água poluída

por Clara Ribeiro | 15/04/2021

Entenda características do estudo liderado por estudantes e docentes da UFSCAR e USP

Cientistas brasileiros descobriram que o bagaço de cana-de-açúcar pode limpar água poluída com cobre ou crômio. 

Em vez de ir pro lixo ou terminar queimado, o material auxilia na limpeza de águas poluídas.

Tal estudo não poderia ter sido desenvolvido em outro país. Afinal, o Brasil é um dos maiores produtores de cana e, consequentemente, de seus dejetos. Estes, por sua vez, se enquadram entre os principais resíduos da agroindústria.

Desenvolvida por estudantes e professores da UFSCAR “Universidade Federal de São Carlos” e da USP “Universidade de São Paulo”, a pesquisa foi publicada no periódico “Environmental Science and Pollution Research”. 

O que se descobriu

A partir das análises, estudantes e docentes conseguiram identificar que o bagaço, modificado por meio de procedimentos de laboratório, serve para remover o cobre e o crômio da água.

Essa é uma descoberta que promete trazer inúmeras vantagens à saúde caso obtenha investimento. Afinal, grande parte da água que poderia se destinar para consumo está contaminada por esses dois metais. 

Para se ter uma ideia, o cobre é muito utilizado na indústria e construção civil por ser um condutor de eletricidade, por isso geralmente está associado à água. 

Mas fora a sua utilidade nos projetos, oferece riscos à saúde humana e animal caso esteja presente na água da torneira da casa dos brasileiros. O metal pode causar náusea, vômito, diarreia ou problemas mais sérios. 

Já o crômio é útil em processos industriais, principalmente no curtimento do couro e tingimento têxtil. E assim como o cobre, sua presença na água para ingestão é altamente tóxica e cancerígena. 

Bagaço de cana-de-açúcar pode 'limpar' água poluída

Entenda o processo 

Os pesquisadores desenvolveram um composto de bagaço vindo da cana-de-açúcar processado pelas usinas de etanol e de açúcar, através de nanopartículas de magnetita sintéticas que não são entradas no meio ambiente. 

Quando aplicado na água, o composto puxa o cobre e o crômio para superfície, e a partir daí, utiliza-se um ímã para retirar os metais poluentes da água. 

Além disso, o composto também poderá ser utilizado na remoção de moléculas orgânicas, como por exemplo:

  • Sintéticos 
  • Drogas 
  • Hormônios 
  • Pesticidas 

Desse modo, trata-se de um material com enorme potencial para tratamento de água e afluentes e com o custo mais baixo do que demais tecnologias.

Outros compostos podem remover óleo da água 

Os mesmos cientistas estão estudando uma solução para despoluir grandes mananciais com a ajuda de biomassa de levedura.

Trata-se de um outro composto utilizado na indústria alimentícia. Alguns materiais magnéticos podem até mesmo realizar a absorção de óleos, como por exemplo o petróleo cru.

Esse tipo de pesquisa vem avançando nos quatro cantos do mundo devido à escassez de água potável no mundo. 

De acordo com a ONU “Organização das Nações Unidas”, os recursos de água doce disponível por indivíduo no mundo diminuíram mais de 20% nos últimos 20 anos e, por isso, pelo menos 2,2 bilhões de pessoas sofrem para ter acesso à água potável. 

E então, gostou de conhecer mais sobre esse estudo? Deixe o seu comentário e compartilhe com seus amigos!

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Clara Ribeiro

Jornalista especializada em arquitetura e engenharia. Ávida consumidora de informação; viciada em produzir conteúdo; amante das letras, das artes e da ciência.