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BDE Explica: O que é o mercado de carbono?

por Larissa Fereguetti | 28/08/2015
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O mercado de carbono é, basicamente, o mercado em que é possível vender ou comprar créditos de carbono. Antes de explicar o que é esse mercado, vamos entender o contexto do seu surgimento.

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Imagem: Shutterstock

A Revolução Industrial é considerada um ponto de referência para citar quando o homem começou a degradar o meio ambiente em larga escala. No entanto, foi só entre as décadas de 60 e 70 do século passado que surgiu a preocupação ambiental e a necessidade de implantar medidas que visem reduzir a degradação e buscar a famosa sustentabilidade.

Na Eco-92, que aconteceu no Brasil, foi estabelecida a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Essa convenção teve como objetivo principal a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera em um nível que não haja interferência antrópica no clima.

Nessa época, o aquecimento global começava a surgir no meio científico e preocupar sobre o quanto o homem estava interferindo no sistema climático mundial, situação que instigou a necessidade de um acordo entre vários países para reduzir as emissões de gases estufa. O acordo teve como base o princípio da precaução (que também surgiu nesse contexto), que visa garantir contra os potenciais riscos que, de acordo com o atual estado de conhecimento, ainda não podem ser identificados.

Em 1997 aconteceu em Quioto, no Japão, uma reunião que voltava a tocar na ferida da necessidade de reduzir as emissões de gases estufa. Dessa reunião surgiu o conhecido Protocolo de Quioto.

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Imagem: Shutterstock

No entanto, os países que começavam a industrializar não queriam desacelerar seu crescimento reduzindo as emissões ou aumentando os gastos para contê-las e os países já desenvolvidos também não estavam tão felizes assim. A solução encontrada foi atrelar valor econômico à redução de emissões.

Essa solução funciona da seguinte maneira: O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) permite que a redução das emissões seja certificada. Quem reduz as emissões tem direito a créditos de carbono e pode comercializá-los com os países que não reduziram suas emissões a ponto de alcançar a meta. Cada tonelada de gás carbônico reduzida ou removida da atmosfera equivale a um crédito de carbono.

Imagem: brasil.gov.br

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Eis aí o mercado de carbono: os créditos podem ser negociados no mercado mundial. Vale ressaltar que a redução/remoção de outros gases pode ser convertida a créditos de carbono utilizando o conceito de carbono equivalente.

Imagem: brasil.gov.br

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Aplicando ao velho exemplo das maçãs: Joãozinho deveria colher, no mínimo, 10 maçãs e colheu 15. Assim, Joãozinho tem 5 maçãs “sobrando” e pode vender algumas para Pedrinho, que deveria ter colhido 7 maçãs e só colheu 2. Os créditos de carbono são como as maçãs, só que em um contexto maior e mais complexo. É um sistema interessantíssimo para aplicar aos pontos nas disciplinas (já pensou poder comprar uns pontinhos do nerd da sala?).

É uma estratégia que tem como base um resultado baseado no sistema como um todo, ou seja, na redução de emissões global e não local.  Resumindo: não interessa se Joãozinho atingiu a meta e Pedrinho não. No fim, interessa que a meta geral foi atingida. Pedrinho pode sair feliz porque cumpriu sua obrigação e continuou desenvolvendo (embora continue poluindo) e Joãozinho saiu com sua missão cumprida perante o meio ambiente e com dinheiro no bolso. E você aí achando que dinheiro não dá em árvore.

Imagem: carboncreditcontroversy.wordpress.com

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No entanto, o mercado de carbono não é tão simples como as maçãs e, para funcionar, é necessário que as metas sejam válidas e realmente demonstrem um resultado. Muitos críticos do mercado de carbono afirmam que a tonelada de carbono é vendida a um preço tão baixo que não incentiva a redução das emissões e que a redução, quando acontece, não é significativa.

Da época do Protocolo de Quioto até a atualidade aconteceram vários encontros mundiais para tentar estabelecer metas e entrar em acordo sobre a necessidade de mudança do comportamento humano em relação ao meio ambiente. O ideal é que as metas cresçam com o tempo, de forma que os países possam investir em tecnologias menos poluentes.

Referências: CMI; IPAM; MMA.

Imagens: Shutterstock

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Larissa Fereguetti

Doutoranda, mestre e engenheira. Fascinada por tecnologia, curiosidades sem sentido e cultura (in)útil. Viciada em livros, filmes, séries e chocolate. Acredita que o conhecimento é precioso e que o bom humor é uma ferramenta indispensável para a sobrevivência.

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