Engenharia 360

ESCOLHA A ENGENHARIA
DO SEU INTERESSE

Digite sua Busca

Você conhece a equação de Drake?

por Colaboradores BDE | 22/12/2014
Copiado!

Em 1961, um pequeno grupo de cientistas se reuniu para discutir a existência de vida terrestre inteligente. O encontro foi organizado pelo rádio astrônomo Frank Drake, e entre os presentes estava o astrônomo Carl Sagan. Antes da reunião, Drake escreveu todos os fatores que determinam a possibilidade da existência de vida inteligente em algum lugar do universo.
A equação de Drake é:

[latex s=”4″]N = R_{\ast} \cdot f_p \cdot n_e \cdot f_{\ell} \cdot f_i \cdot f_c \cdot L[/latex]

Onde:

[latex]R_{\ast}[/latex] = taxa média de formação de estrelas;
[latex]f_p[/latex] = fração dessas estrelas que possuem planetas;
[latex]n_e[/latex] = o número médio de planetas e satélites que podem suportar a vida por estrela que possui planetas;
[latex]f_{\ell}[/latex] = a fração de planetas que podem suportar a vida e que desenvolvem vida em algum momento;
[latex]f_i[/latex] = a fração de planetas com vida que desenvolvem vida inteligente (civilizações);
[latex]f_c[/latex] = a fração de civilizações que desenvolvem uma tecnologia que emite sinais detectáveis de sua existência no espaço;
[latex]L[/latex] = o período de tempo durante o qual essas civilizações emitem sinais detectáveis no espaço.

Desde sua criação, a equação de Drake nunca foi acurada. Muitos de seus parâmetros são extremamente difíceis de quantificar, o que levou alguns críticos a dizer que ela não era muito melhor que uma suposição, ou até mesmo que era completamente inútil. Felizmente, hoje os cientistas conseguem coletar dados que tem um impacto muito significativo sobre a equação de Drake.

+ O telescópio Kepler entra no jogo

Lançado em 2009 pela NASA, o telescópio espacial Kepler foi projetado para procurar por exoplanetas (planetas fora do nosso sistema solar) orbitando outras estrelas e com isso, produzir uma estimativa da quantidade de estrelas que possuem planetas.
Até agora, o telescópio Kepler identificou aproximadamente 2000 candidatos a exoplanetas, um número muito superior aos aproximadamente 400 que eram conhecidos antes de seu lançamento. O telescópio Kepler é capaz de detectar exoplanetas do tamanho de Netuno ou menores, enquanto antes só conseguimos detectar exoplanetas do tamanho de Júpiter. Isso causou uma mudança dramática acerca do entendimento dos astrônomos acerca do número de planetas semelhantes à Terra ao redor de outras estrelas.
E ainda, segundo Amri Wandel, professor na Universidade Hebraica de Jerusalém em Israel:

Os recentes resultados da missão Kepler reduzem significantemente as incertezas dos parâmetros astronômicos da equação de Drake

Voltando à equação de Drake, alguns números são simples de estimar. A taxa de formação de estrelas ([latex]R_{\ast}[/latex]) na Via Láctea é de aproximadamente 7 estrelas por ano, segundo os últimos cálculos da NASA e da Agência Espacial Européia. Análises recentes de microlentes gravitacionais mostram que a fração de estrelas que possuem planetas ([latex]f_p[/latex]) é próximo a 1, ou seja, estrelas orbitadas por planetas são mais a regra do que a exceção. A média do número de planetas e satélites ([latex]n_e[/latex]) que podem suportar vida por estrela foi definido mais recentemente em novembro de 2013, com base nos dados coletados pela missão espacial Kepler: existem aproximadamente 40 bilhões de planetas com aproximadamente o mesmo tamanho da Terra orbitando as zonas habitáveis de estrelas parecidas com o nosso Sol e anãs vermelhas na Via Láctea. 11 bilhões destes planetas orbitam estrelas como o nosso Sol. Como existem aproximadamente 100 bilhões de estrelas em nossa galáxia, isso implica que [latex]f_p * n_e = 0,4[/latex]. Ainda de acordo com os cientistas, o planeta mais próximo dentro de uma zona habitável está a 10 anos-luz.
A fração de planetas que desenvolve vida ([latex]f_{\ell}[/latex]) foi estimada em 2002 por Charles H. Lineweaver e Tamara M. Davis da Universidade de New South Wales e do Centro Australiano de Astrobiologia em [latex]f_{\ell} > 0,13[/latex] em planetas que existem há pelo menos 1 bilhão de anos. Já a fração de planetas que desenvolve vida inteligente ([latex]f_i[/latex]) é tema de muita controvérsia. De um lado, cientistas dizem que o aparecimento de vida inteligente é algo extremamente raro, enquanto outros dizem que o aparecimento de vida inteligente é algo imperativo, implicando que [latex]f_i[/latex] é próximo de 1.
A fração de civilizações que emitem sinais detectáveis de sua existência no espaço ([latex]f_c[/latex]) também pode ser um número extremamente especulativo, se considerarmos que pode-se levar séculos ou milênios desde o surgimento de uma civilização até que ela desenvolva uma tecnologia de comunicação capaz de enviar sinais para o espaço ou até mesmo que ela chegue e este estágio de desenvolvimento e se recuse a enviar sinais para o espaço.
Por fim, a expectativa de vida de tal civilização pelo período pelo qual pode se comunicar através do espaço ([latex]L[/latex]) ainda não chegou a um consenso. Carl Sagan disse que que este é o fator determinante da equação de Drake para um número grande ou pequeno de civilizações no Universo. Em outras palavras, isso seria a habilidade de uma civilização tecnologicamente avançada de evitar a auto-destruição. No caso de Carl Sagan, a equação de Drake foi um grande fator motivacional para o seu interesse em problemas ambientais e seus esforços em informar os perigos de uma guerra nuclear.
Todos estes esforços para tentar preencher as lacunas na equação de Drake nas últimas décadas, mesmo que ela seja mera especulação, serve para fomentar a discussão acerca da existência de vida extraterrestre. E se algum dia a humanidade descobrir uma forma de vida extraterrestre inteligente, isso seria um divisor de águas para a história da humanidade.

+ Dica

Como estamos de férias da faculdade, nada melhor do que assistir um filme, não é mesmo? O filme Contato, de 1997 conta um possível cenário de como seria o primeiro contato da humanidade com uma forma de vida extraterrestre inteligente. Vale a pena assistir.

+ Referências


Por Douglas Moura, estudante de Engenharia Civil, saxofonista amador e programador auto-didata, acredita que pode mudar o mundo um passo de cada vez. Ama jazz, software livre e ciências exatas.


Quer ter seu texto publicado aqui? Nos envie por email para [email protected] e se o conteúdo for aprovado nós publicamos!

Copiado!

Comentários