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Supercongelamento permite preservar tecido humano por mais tempo e pode facilitar a doação de órgãos

por Kamila Jessie | 15/10/2019

Uma nova técnica para manter os órgãos dos doadores mais frios do que a temperatura de congelamento da água pode aumentar bastante o tempo em que esses órgãos estarão viáveis ​​para transplante. Vem com a gente conferir esse exemplo de engenharia na medicina:

órgão
Imagem: Nature Biotechnology.

A dificuldade na preservação de órgãos para transplante:

Todos os anos, milhares de órgãos doadores são descartados
por várias razões, incluindo a incapacidade de encontrar um paciente adequado
próximo o suficiente para receber o órgão antes que ele estrague. Se o tecido
do doador fosse viável por mais tempo, os médicos poderiam levar órgãos para
pacientes que, de outra forma, poderiam estar muito distantes. Adiar as datas
de vencimento dos órgãos também pode reduzir os custos de voos particulares
para apressar órgãos entre as cidades e permitir um agendamento de cirurgia
mais flexível.

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Material permite armazenamento subzero, sem congelar os
tecidos:

Normalmente, os órgãos doadores permanecem viáveis ​​por
várias horas no gelo a cerca de 4°C. O tecido pode durar ainda mais a
temperaturas mais baixas, mas há um problema vinculado a isso: abaixo de zero
graus Celsius, a formação de cristais de gelo corre o risco de danificar um
órgão e torná-lo inutilizável. Agora, usando produtos químicos que impedem que
um órgão congele a temperaturas abaixo de zero, os pesquisadores preservaram
cinco fígados humanos a –4 ° C. Esse sistema de armazenamento triplicou a vida
útil típica dos fígados de nove a 27 horas. Esse tipo de tecnologia de supercongelamento
é extremamente promissora para o transplante de órgãos.

O método de supercongelamento:

No novo estudo, os pesquisadores criaram um coquetel de
produtos químicos crioprotetores, incluindo trealose e glicerol, para combater
a formação de gelo e proteger as células a temperaturas extremamente baixas.
Para garantir que cada fígado estivesse completamente saturado com
conservantes, os cientistas administraram os produtos químicos usando um
sistema de perfusão por máquina. Esse dispositivo é basicamente “um corpo
artificial para o fígado” que bombeia fluidos para um órgão de maneira a
imitar o fluxo sanguíneo.

Depois que cada fígado humano foi carregado com
crioprotetores, a equipe os selou em um saco para inseri-los em um refrigerador
a –4 ° C. Após 20 horas na geladeira, os pesquisadores ligaram o fígado a um
sistema de perfusão de máquina que liberava os produtos químicos que ajudaram a
resistir ao frio e aqueceram o órgão à temperatura ambiente, expulsando-os do
órgão. Do início ao fim, o processo de armazenamento subzero levou cerca de 27
horas, não tendo ocorrido nenhuma formação de cristais de gelo ou danificações
nos órgãos em teste.

Próximas etapas:

O próximo passo para validação do protocolo é transplantar
órgãos armazenados em temperaturas abaixo de zero em animais grandes, por
exemplo, porcos. Em seguida, provando que estes animais sobrevivem ao
transplante, espera-se que ensaios clínicos possam ser realizados.

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Fonte: Nature Biotechnology.

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Kamila Jessie

Doutoranda e mestre em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo, é formada em Engenharia Ambiental e Sanitária.