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Sensoriamento Remoto: você sabe o que é?

por Larissa Fereguetti | 24/07/2015
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A década de 60 é conhecida como a década da corrida espacial. Foi graças à busca por conquistar o espaço que o sensoriamento remoto começou a consolidar-se.

O lançamento de satélites meteorológicos foi um marco do início do sensoriamento remoto, demonstrando que era possível captar imagens da superfície terrestre fora do planeta. A ida do homem ao espaço, permitindo a captura de imagens por máquinas fotográficas, também instigou a pesquisa por tecnologias que fossem capazes de capturar imagens da Terra automaticamente.

No final dos anos 60, os sensores imageadores começaram a ser testados para instalação em satélites. O fato de um satélite orbitar em torno da Terra permite a obtenção de imagens periódicas de um local, de forma que é possível monitorar a superfície. Aliás, esta é uma das grandes funções dos sensores remotos atualmente, monitorar áreas, como, por exemplo, o desmatamento em um local.

Imagem: kidsgeo.com

Imagem: kidsgeo.com

Afinal, o que é o sensoriamento remoto? O sensoriamento remoto pode ser definido como uma ciência que visa o desenvolvimento da obtenção de imagens da superfície terrestre por meio da detecção e medição quantitativa das respostas das interações da radiação eletromagnética com os materiais terrestres. O sensoriamento remoto também é entendido como a tecnologia que permite obter imagens e dados da superfície terrestre por meio da captação do registro da energia refletida ou emitida pela superfície.

A partir da definição de sensoriamento remoto é mais fácil compreender como ele é aplicado. A superfície terrestre emite uma energia, que é captada por sensores eletrônicos instalados em satélites artificias, posteriormente transformada em sinais elétricos que são registrados e transmitidos de volta para a Terra. Estes sinais são transformados em dados, permitindo a obtenção de informações a respeito da superfície terrestre.

Imagem: parquedaciencia.blogspot.com

Imagem: parquedaciencia.blogspot.com

Os sensores remotos são equipamentos que captam e registram a energia refletida ou emitida por elementos da superfície terrestre. Há sensores que captam diferentes regiões do espectro eletromagnético. É possível obter imagens de uma mesma área em diferentes faixas espectrais, também conhecidas como bandas.


Leia também: A conquista do espaço por satélites brasileiros


Objetos da superfície absorvem e transmitem radiação eletromagnética de acordo com suas características. Assim, a forma como uma folha absorve e transmite energia é diferente da forma como a água o faz. É isso que permite diferenciar uma árvore de um rio, por exemplo, em uma imagem proveniente de um sensor remoto. O fator que mede a capacidade de um objeto de refletir a energia radiante indica sua reflectância. Uma curva que demonstre como varia a reflectância de um objeto para cada comprimento é denominada assinatura espectral.

Imagem: engesat.com.br

Imagem: engesat.com.br

Cada objeto possui uma assinatura espectral. É a partir da assinatura espectral que é possível identificar, por exemplo, uma base militar no meio da floresta amazônica, mesmo estando a base pintada de verde. Também é através dela que é possível identificar uma planta não sadia em meio a uma grande plantação, visto que sua reflectância será diferente de uma planta sadia.

As absorções e reflectâncias diferentes vão resultar em diferentes tons de cinza. É em tons de cinza que as imagens de satélite são recebidas na Terra, pois as diferentes quantidades de energia são associadas a tons de cinza. Quanto mais energia um alvo reflete, mais claro será o tom de cinza associado a este alvo. Como o olho humano não é tão sensível à tons de cinza, as imagens são trabalhadas e são associadas cores aos tons de cinza.

Imagem: ufrgs.br

Imagem: ufrgs.br

Há, ainda, diferentes resoluções em sensoriamento remoto. A resolução espacial é a capacidade que o sensor tem de discriminar objetos em função do tamanho deles. A resolução espacial está ligada ao conceito de escala, quanto menor a resolução, melhor a visualização de objetos pequenos, e ao tamanho do pixel, aqueles quadradinhos que formam a imagem. Um sensor com resolução espacial de 30m permite identificar apenas objetos maiores que 30m.

A resolução espectral diz respeito à capacidade que um sensor possui para discriminar objetos em função da sua sensibilidade espectral, ou seja, quanto mais estreita a faixa de captação de dados, maior a possibilidade de registrar variações de energia. A resolução radiométrica diz respeito à capacidade do sensor de discriminar a intensidade de energia refletida ou emitida pelo objeto e está associada aos tons de cinza. Por último, a resolução espacial refere-se à frequência com a qual o sensor passa por uma mesma área. Assim, quanto mais um sensor se sobrepõe a uma área, maior a frequência e, consequentemente, maior a resolução temporal.

Imagem: produtivatreinamento.com.br

Imagem: produtivatreinamento.com.br

E a importância do sensoriamento remoto? O sensoriamento é aplicado em tantos campos que fica até difícil escolher um para exemplificar sua importância. Uma das aplicações importantes do sensoriamento pode ser resumida à obtenção de informações relevantes em tempo rápido, permitindo agir em tempo hábil parar mitigar problemas ou para aplicação das informações. Como já citado ao longo do texto, ele também pode ser usado para monitoramento e diagnóstico de áreas, na agricultura, no fornecimento de informações cartográficas, no planejamento urbano, na elaboração de estudos de impacto ambiental, no levantamento de informações diversas sobre uma área e demais itens que tornam a lista de aplicações imensa. Atualmente, saber trabalhar com programas que usam dados de sensoriamento remoto como base, o ArcGis, por exemplo, é um requisito para preenchimento de vagas em diversas empresas.

Referências: INPE; Meneses e Almeida (2012);

Florenzano, T. G. Iniciação em sensoriamento remoto. 3ª Ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2011.

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Larissa Fereguetti

Doutoranda, mestre e engenheira. Fascinada por tecnologia, curiosidades sem sentido e cultura (in)útil. Viciada em livros, filmes, séries e chocolate. Acredita que o conhecimento é precioso e que o bom humor é uma ferramenta indispensável para a sobrevivência.

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