Já no primeiro mês de 2026, o mundo recebeu a triste notícia da escalada dos conflitos dentro do território iraniano. Os protestos dentro do país já duram vários dias e somam centenas ou até milhares de mortos, além de milhares de presos. As tensões nucleares e ameaças envolvendo os Estados Unidos também aumentaram. Para a economia, o alerta é claro: instabilidade global.

exportações irã brasil e a engenharia brasileira
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Aí voltamos o nosso olhar para a engenharia, o tema principal de discussão aqui no portal Engenharia 360. Parece que essa questão da relação comercial com o Irã foge do contexto. Se você pensa assim, está enganado, pois este país do Oriente Médio é muito importante para a economia brasileira — incluindo para as engenharias. E como se não bastasse tudo isso, entrou nessa história também a pressão dos Estados Unidos, aplicando tarifas de 25% a países que mantêm comércio com Teerã. O Brasil está na lista.

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O peso da parceria com o Irã para a engenharia brasileira

Atualmente, o Irã importa do Brasil especialmente milho. Já nós importamos do Irã grandes quantidades de fertilizantes. Com as novas tarifas, os setores produtivos podem sofrer com o crescimento da inflação global, o aumento da dificuldade de importar maquinários norte-americanos e ainda enfrentar a escassez de fertilizantes e adubos químicos, o que comprometeria o nosso agronegócio, bem como todos os setores que dele dependem. O que se vende lá sustenta empregos, logística e cadeias produtivas que vão direto para as engenharias.

A saber, o Brasil vendeu mais para o Irã nos últimos anos do que para países como Suíça, Rússia e África do Sul no mesmo período. Ou seja, ignorar esse mercado não é uma opção.

Imagine que, em um dia comum, você está desenvolvendo o seu projeto de engenharia, talvez de infraestrutura, calculando fundações e muito mais; de repente, os custos explodem por causa de um atrito político lá do outro lado do mundo. Pois bem, é assim que funciona.

Agronegócio, Engenharia Civil e Logística Internacional

Uma coisa é certa: tarifas, sanções e tensões internacionais só contribuem para pressionar os preços e exportações. Com a economia em crise, todo o ecossistema técnico entra em modo de contenção e o efeito é em cascata.

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No Brasil, um dos primeiros profissionais a sentir os efeitos de conflitos geopolíticos envolvendo o Irã é o engenheiro que atua no agronegócio. Por exemplo, engenheiros civis, agrônomos e mecânicos ligados às cadeias de milho e soja que dependem de um agro forte para projetar e executar sistemas de irrigação, estruturas de armazenagem, silos, galpões logísticos e unidades de beneficiamento. A isso se somam os especialistas em projetos de maquinários agrícolas ou projetos de drones e sensores IoT, gestores de processos de reaproveitamento de resíduos, modais de transporte e soluções de automação logística.

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Esse impacto logo alcança a engenharia civil. Com a queda dos preços das commodities no mercado interno, a produção perde fôlego e o agronegócio reduz investimentos. Na prática, isso significa menos recursos destinados a obras de infraestrutura, como novos armazéns, pátios de estocagem, terminais intermodais e rodovias. O cenário empurra muitos profissionais para a disputa por projetos menores, ao mesmo tempo em que aumenta a pressão por soluções construtivas de baixo custo, adoção de materiais alternativos e cronogramas cada vez mais enxutos.

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Conclusão: o Irã está mais perto do que parece

No fim das contas, entender essa relação não é só questão de economia ou política. É entender como o mundo real funciona — e como a engenharia está no centro de tudo isso.

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Podemos terminar nossa reflexão admitindo que o Brasil está mais dependente de insumos externos estratégicos do que gostaríamos. Nosso mercado sente a urgência de desenvolver fertilizantes nacionais, investir em engenharia verde e bioinsumos, automatizar ainda mais as cadeias produtivas e reduzir a dependência logística internacional. Vamos encarar isso de uma forma positiva: como a chance de abraçar oportunidades gigantes. Quem conseguir conectar engenharia com o cenário global sai na frente.

Dicas Práticas para o Engenheiro 4.0

  • Diversifique: mapeie fornecedores alternativos de insumos estratégicos, como ureia de países como Rússia e Argélia. Plataformas como o Comex Stat, do MDIC, são verdadeiras minas de informação.
  • Inove: aposte em projetos de produção nacional de fertilizantes por meio da Engenharia Química, como biorefinarias de soja voltadas ao aproveitamento de resíduos.
  • Monitore: acompanhe o noticiário em tempo real por aplicativos e portais. Movimentos políticos e reuniões estratégicas podem mudar o cenário de um dia para o outro.
  • Carreira: direcione sua formação para gestão de riscos geopolíticos e cadeias globais. Certificações em supply chain e logística internacional tendem a ganhar cada vez mais valor.

Veja Também: Guerra no Oriente Médio: Impactos na Agricultura Brasileira


Fontes: Estadão, G1, CNN Brasil, Agência Brasil.

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