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Os riscos de se construir em áreas litorâneas

por Lucas Matheus | 10/02/2016
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A correria no cotidiano dos trabalhadores e o imenso contato com o estresse comumente espalhado pelas grandes cidades impulsionaram a crescente busca por moradias localizadas em áreas onde a natureza impera de forma majestosa. Dentre as vastas opções existentes, a possibilidade de habitar uma região litorânea é, sem dúvida, o desejo mais frequente daqueles que buscam uma maior interação com os elementos naturais. Porém, ter um imóvel na praia pode transformar sonhos em pesadelos.
A má escolha dos materiais a serem utilizados nas obras e a ausência de estudos prévios sobre a interferência dos fenômenos naturais nas estruturas a serem construídas são as principais causas de preocupação para proprietários de imóveis localizados em áreas do litoral.
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A principal causadora de danos nas obras litorâneas é a maresia. Materiais como postes e corrimãos oxidam velozmente ao entrar em contato com essa névoa fina e úmida existente em cidades próximas ao mar. A principal explicação para a ocorrência desse fenômeno corrosivo é a elevada concentração de sais nessas regiões, fator que desencadeia reações químicas criando um estágio de elevada condutividade elétrica no sistema. Dentre os problemas causados pela maresia, é comum citarem-se rachaduras em concreto e o surgimento de ferrugem em carros.
Consequência previsível por conta de todas as situações causadas pela maresia, tal fenômeno natural gera um enorme impacto econômico na manutenção das estruturas dos imóveis. Estudos apontam que a vida útil de estruturas implantadas em obras pode cair até 70% simplesmente pela existência do contato desse material com o aglomerado de sais vindos do mar.
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Diferentemente do que se pensa, a maresia não é a única preocupação durante o planejamento e a execução de uma obra em áreas litorâneas. É fundamental a realização de um estudo detalhado a fim de determinar as melhores soluções para situações como ventos dominantes e a direção da trajetória do sol, afinal de contas, todo mundo deseja uma brisa agradável e um sol moderado para curtir cada momento próximo à praia, sem situações inadequadas.
Outro fator preponderante para a execução tranquila de uma obra é a análise rigorosa do solo que será utilizado. Atualmente, o Brasil possui o segundo pior solo do mundo, na Orla de Santos, litoral do estado de São Paulo. Segundo estudos, o solo dessa região é formado por aproximadamente 12m de camada de areia, seguida por uma faixa de argila marinha com 20m a 40m de comprimento, logo após uma nova camada de areia e por fim, uma camada dura feita com rochas. Essa característica peculiar fez com que prédios antigos, construídos sem o devido estudo da área, entortassem, exigindo, assim, que as novas construções da área fossem realizadas com a utilização de fundações profundas, modelo pelo menos 3 vezes mais caro que o método das fundações rasas.
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Não há dúvida de que a principal força de combate contra imprevistos em construções de áreas litorâneas é a realização de estudos detalhados sobre a composição dos solos (geralmente menos consistentes), a direção da trajetória do sol e a escolha adequada dos materiais a serem utilizados na composição da estrutura futuramente erguida. Além disso, é imprescindível a constante troca de informações durante o planejamento entre engenheiros e arquitetos, a fim de que, o consenso entre beleza, funcionalidade e segurança seja atingido de forma harmônica.

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