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O vídeo que viralizou nas redes sociais: como é ser aluna de engenharia

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por Luciana Reis
| 17/04/2017 2 min

O vídeo que viralizou nas redes sociais: como é ser aluna de engenharia

por Luciana Reis | 17/04/2017
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Em uma das faculdades mais concorridas de engenharia do país, a Poli-USP, nos últimos 5 anos não chega a 30% o percentual de mulheres entre os estudantes. Para elas, encarar o machismo, o preconceito e tantas dificuldades se tornou um desafio diário. Para enfrentar e chamar a atenção da sociedade, elas fizeram um vídeo que viralizou nas redes sociais.

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Imagem: Montagem/Rodrigo Sanches/EXAME.com


A mensagem é muito clara: as mulheres não só devem ocupar espaços que foram sempre considerados masculinos, como também devem denunciar e enfrentar as ideias pré-concebidas de que as mulheres vão desistir do curso antes de pegarem o diploma ou que não são capazes como os homens, por serem consideradas do “sexo frágil”.

O vídeo faz parte da competição “IntegraPoli”, e foi inspirado no clipe de Clarice Falcão, versão da música “Survivor”. Toda a produção foi feita pelas próprias alunas, o que explica a sinceridade, força e experiências vividas pelas elas mesmas. A pintura no corpo traz as palavras e os símbolos da luta diária das mulheres contra o machismo, o racismo, os abusos, o estupro e, no caso das futuras engenheiras, os questionamentos que escutam por serem estudantes da Poli-USP.

Até o momento, o vídeo ultrapassou 250 mil visualizações e ganhou o prêmio de melhor da competição. A repercussão não era esperada pelas estudantes, e é fundamental que seja cada vez mais divulgado, compartilhado e discutido na sociedade – o que é possível perceber até quando ainda se observam os comentários preconceituosos e machistas em resposta ao vídeo.

Mulheres na Engenharia

Em cinco anos, o percentual de mulheres na Poli é de 27%, e mesmo com um aumento desse número quando comparado aos anos anteriores – em 2009, entre os aprovados para cursar a Escola Politécnica da USP, apenas 6,3% eram mulheres – ainda falta muito para a igualdade de gênero nos cursos, e não apenas os de Engenharia na Poli, mas também outros exemplos da área de Exatas e em todo o país.

A igualdade de gênero, entretanto, é um desafio também em outros países. Nos EUA, por exemplo, apenas 19% dos formados em Engenharia são mulheres, mas já há sinais que indicam como as mudanças podem –e devem – acontecer. Em 2016, pela primeira vez o número de mulheres formadas em Engenharia na Universidade de Dartmouth superou o de homens. Do total de graduados, 54% eram mulheres.


Veja também: Mulheres negras nos cursos de Engenharia: relato de estudante da Poli mostra como é a realidade


O vídeo como resistência

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, as estudantes Gabriela Menin e Renata Stabenow, respectivamente do quarto e último ano do curso de Engenharia Civil, destacam a importância que o vídeo tem para a resistência e luta das mulheres. “Infelizmente, nós temos de provar duas, três vezes que você é capaz, coisa pela qual os homens não passam”, afirma Gabriela.

Seguindo a mesma reflexão, Renata traz a experiência da rotina na faculdade: “Ser mulher dentro da Poli é uma resistência e é uma resistência diária. Se impondo, tirando boas notas, mostrando para as pessoas que você tem capacidade e não é só um rostinho bonito. Você está lá para estudar e cumprir seu papel.”

Confira:

Referências: Exame, Exame – Curso de Engenharia nos EUA, Estadão

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