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O que são os ‘terremotos lentos’ e como eles ajudam a prever grandes abalos sísmicos? | 360 Explica

por Rafael Panteri | 13/07/2021

Sabe o que são os 'terremotos lentos'? Pois, saiba que eles podem ajudar a prever grandes abalos sísmicos no mundo inteiro! Veja como!

Prever o próximo terremoto é o desejo de sismógrafos do mundo inteiro. E por quê? Porque saber quando e onde haverá um grande abalo sísmico poderia diminuir danos e salvar vidas. Infelizmente, isso ainda é impossível com a tecnologia atual! Contudo, pesquisas realizadas nos últimos anos demonstram que a Terra fornece alguns sinais instantes antes de um grande terremoto.

Os especialistas em geofísica têm se concentrado, então, nos chamados ‘terremotos lentos’. Esses fenômenos, diferentemente dos tremores que sacodem a superfície, liberam energia gradativamente durante semanas ou até meses – o que os tornam quase imperceptíveis. E pelo seu baixo poder destrutivo, os ‘terremotos lentos’ não eram analisados quando um desastre acontecia.

Os terremotos lentos foram observados em zonas de subducção, onde as placas tectônicas interagem — Foto: Getty Images via BBC
Os ‘terremotos lentos’ foram observados em zonas de subducção, onde as placas tectônicas interagem — Foto: Getty Images via BBC

Um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Geofísica da Universidade Nacional Autônoma do México, porém, constatou que esses abalos silenciosos precederam diversos tremores de elevada magnitude ao redor do mundo – entre eles, o terremoto de magnitude 9,1 no Japão em 2011; o de magnitude 7,8 na Nova Zelândia em 2016; e o de magnitude 8,2 no Chile em 2014.

Para esses estudiosos, a dificuldade dessa detecção está em encontrar um ‘terremoto lento’ acontecendo. Eles precisam de aparelhos de GPS específicos de altíssima precisão para o processo de monitoramento – equipamentos que medem a deformação dos continentes com uma exatidão de 2 milímetros. Além disso, não é sempre que um tremor lento antecipa um “normal”. Víctor Cruz-Atienza, um dos participantes da pesquisa alerta que “com as evidências atuais, não se pode dizer que ‘terremotos lentos’ são um fenômeno que sempre produzirá terremotos na superfície”.

No vídeo a seguir, um especialista dá mais detalhes sobre o fenômeno dos ‘terremotos lentos’:

Veja também: Por que ocorrem terremotos?

O que a ciência espera descobrir?

Os próximos estudos com os ‘terremotos lentos’ devem permitir que os cientistas avaliem se há evidências de que a atividade na crosta terrestre pode evoluir para um evento com potencial destrutivo.

Com pouco tempo de pesquisa, apenas nos últimos 20 anos, os abalos lentos ainda são um mistério. A falta de testes e a pequena quantidade de equipamentos de precisão geram uma dúvida se existe, de fato, alguma relação entre os dois tipos de terremotos.

Para Sergio Ruiz, do Departamento de Geofísica da Universidade do Chile, “ainda é muito difícil concluir se os ‘terremotos lentos’ são um fenômeno geral. Como não temos uma boa quantidade de ‘terremotos lentos’ registrados, fica a dúvida. Essas observações precisam ser mantidas ao longo do tempo para ser possível tirar conclusões mais precisas”.

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Consequências de terremoto que atingiu o Japão em 2011 | Imagem extraída de The Sun

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Fontes: G1.

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Rafael Panteri

Estudante de Engenharia Elétrica no Instituto Mauá de Tecnologia. Parte da graduação em Shibaura Institute of Technology - Japão.