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O mercado de trabalho e o ensino de engenharia no Brasil

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3 min

POR Fabio Doom 31/10/2014

Recentemente, fui convidado pelo Insper a escrever uma matéria a respeito do mercado de trabalho e o ensino de engenharia no Brasil, para estrear o site destinado aos novos cursos de engenharia que a instituição começará oferecer à partir de 2015, conforme já falamos aqui na entrevista que fizemos com o diretor responsável pela engenharia, Irineu Gianesi.
Aproveito então, para compartilhar com você na íntegra:
mercado-de-trabalho-insper-blog-da-engenharia

Você já deve ter ouvido falar sobre o “apagão” de profissionais em várias áreas, principalmente na Engenharia. Mas será que faltam profissionais, ou faltam profissionais diferenciados, que se destaquem na equipe, na empresa e no mercado?

As faculdades de engenharia têm, atualmente uma evasão altíssima: 30%. E mais de 55% dos engenheiros formados no Brasil não trabalham com engenharia, um dado alarmante.

E é essa realidade que queremos mudar: formaremos engenheiros com habilidades desenvolvidas para o trabalho em equipe, com paixão por inovação, empreendedorismo e, principalmente, que sintam orgulho em trabalhar com engenharia.

Convidamos Eduardo Mikail, co-fundador do Blog da Engenharia, para falar sobre o mercado de trabalho e o ensino de engenharia no Brasil.

 

O mercado de trabalho e o ensino de engenharia no Brasil

Muito tem se falado acerca da falta de engenheiros no mercado de trabalho, e tal fato é rapidamente comprovado através de uma simples pesquisa na internet. Mas até que ponto podemos considerar este, o retrato fidedigno da situação em que os engenheiros recém-formados enfrentam?

Se analisarmos mais a fundo, o cenário nos revela uma problemática complexa e que vai na contramão do que as empresas impõe na mídia. Só que essa verdade não é recíproca quando da visão do profissional que busca uma colocação no mercado. Falta mão de obra, sim, mas na visão das companhias esse déficit é de profissionais com experiências específicas, que não necessitem investimento em treinamento.

Como co-fundador do Blog da Engenharia converso diariamente com leitores que, em sua maioria são estudantes e recém-formados nas diversas engenharias, e o retrato que temos é a dificuldade em se conseguir um estágio ou o primeiro emprego com carteira registrada como engenheiro. Este paradigma pode ser evidenciado quando se tenta entender a falta de engenheiros no mercado sob a ótica dos profissionais e também, na visão das empresas que justificam através dos salários para os diferentes cargos na engenharia, que são os maiores dentre as demais profissões.

Segundo estudo do Ipea, entre 2000 e 2012, o número de estudantes que ingressaram nos cursos de engenharia cresceu 351%. Hoje, das matrículas registradas no ensino de nível superior, 7,9% corresponde à carreira de engenharia, contra 9,6% de 20 anos atrás.

No Brasil, se formam em média cerca de 40 mil engenheiros por ano e ainda assim, há um déficit projetado de 150 mil engenheiros atualmente. O principal problema da formação em engenharia é que o graduando adquire muito conhecimento técnico por conta da exigência do curso e acaba saindo de certa forma despreparado para enfrentar o mercado, com baixa capacidade de comunicação, habilidades e competências humanísticas, sem contar desempenho gerencial e de liderança.

A baixa qualificação muitas vezes é um reflexo negativo da deficiência do ensino médio e fundamental, principalmente nas disciplinas ligadas à matemática e ciências, fazendo com que o jovem chegue sem um preparo mínimo necessário para lidar com o curso de engenharia, que é pesado e exige uma base sólida de conhecimento prévio.

Além disso, o modelo de ensino atual de engenharia no país faz com que o estudante viva em uma bolha que o deixa distante do mercado e, consequentemente não desenvolva a capacidade de inovar e de empreender.

O Brasil possui um número de engenheiros suficiente para suprir a demanda, a grande questão é a falta de especialização que, as empresas não querem investir para desenvolver o profissional pelo fato do risco inerente onde este teria um maior poder de barganha e poderia facilmente optar pela troca para um emprego que lhe ofereça melhores condições e salários mais atrativos.

Esta matéria foi escrita exclusivamente para o Insper, por Eduardo Mikail, e publicada originalmente em:
//insper.edu.br/vestibular/engenharia/mercado-de-trabalho/

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Fabio Doom

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