Recentemente, fui convidado pelo Insper a escrever uma matéria sobre o mercado de trabalho e o ensino de engenharia no Brasil. O artigo estreou o site destinado aos novos cursos de engenharia da instituição (lançados em 2015), iniciativa que já havíamos adiantado por aqui na entrevista com o diretor Irineu Gianesi.

Aproveito para compartilhar o artigo na íntegra com você. Veja abaixo a análise sobre o cenário da profissão no país.

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O mito do “apagão” de engenheiros no Brasil

Você já deve ter ouvido falar sobre o “apagão” de profissionais em várias áreas, principalmente na Engenharia. Mas será que faltam profissionais ou faltam engenheiros diferenciados, que realmente se destaquem na equipe, na empresa e no mercado?

As faculdades de engenharia enfrentam uma realidade preocupante:

  • Evasão altíssima: cerca de 30% dos alunos desistem do curso.
  • Desvio de função: mais de 55% dos engenheiros formados no Brasil não trabalham na área, um dado alarmante.

É essa realidade que o cenário educacional precisa mudar: formar engenheiros com habilidades desenvolvidas para o trabalho em equipe, com paixão por inovação, empreendedorismo e, principalmente, que sintam orgulho da profissão.

Convidamos Eduardo Mikail, co-fundador do Engenharia 360, para falar sobre o mercado de trabalho e o ensino de engenharia no Brasil.

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O Mercado de Trabalho e o Ensino de Engenharia no Brasil
Imagem ilustrativa gerada em IA de Google Flow

Falta de engenheiros ou falta de experiência? O paradoxo do mercado

Muito se fala acerca da falta de engenheiros no mercado de trabalho, algo que uma simples pesquisa na internet parece comprovar. Mas até que ponto esse é o retrato fidedigno da situação que os engenheiros recém-formados enfrentam?

Se analisarmos a fundo, o cenário nos revela uma problemática complexa. A versão defendida pelas empresas na mídia não é a mesma vivida pelo profissional que busca uma colocação.

Falta mão de obra? Sim, mas, na visão das companhias, esse déficit é de profissionais com experiências específicas, que não necessitem de investimento em treinamento.

Como co-fundador do Engenharia 360, converso diariamente com estudantes e recém-formados. O relato mais comum é a extrema dificuldade em conseguir um estágio ou o primeiro emprego com carteira registrada.

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As empresas tentam justificar o apagão apontando para os salários da engenharia, que estão entre os maiores do mercado, mas a barreira de entrada para quem não tem experiência continua alta.

O Mercado de Trabalho e o Ensino de Engenharia no Brasil
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Estatísticas da Engenharia no Brasil: O que dizem os dados?

Segundo estudos do Ipea, o número de estudantes que ingressaram nos cursos de engenharia cresceu 351% em um período de 12 anos. Hoje, as matrículas na carreira representam uma fatia importante do ensino superior, mas o gargalo mudou de lugar.

Embora o país forme uma média de 40 mil engenheiros por ano, as projeções de mercado ainda apontam deficits estruturais. O verdadeiro problema não é a quantidade de diplomas, mas a formação do engenheiro.

O Mercado de Trabalho e o Ensino de Engenharia no Brasil
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As lacunas na formação do engenheiro recém-formado

O principal problema do ensino de engenharia no país é que o graduando adquire uma carga massiva de conhecimento técnico, mas sai despreparado para o mercado em outros aspectos vitais. Faltam estímulos para o desenvolvimento de:

  • Baixa capacidade de comunicação e liderança;
  • Falta de competências humanísticas;
  • Desempenho gerencial limitado.

Essa baixa qualificação muitas vezes é um reflexo da deficiência do ensino básico e médio, principalmente em matemática e ciências. O jovem chega ao ensino superior sem a base sólida necessária para enfrentar um curso pesado.

O Mercado de Trabalho e o Ensino de Engenharia no Brasil
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O modelo de ensino atual e a distância do mercado

Além disso, o modelo tradicional de ensino faz com que o estudante viva em uma “bolha”, distante das dores reais do mercado de trabalho. Consequentemente, o aluno não desenvolve a capacidade de inovar e de empreender.

Concluindo, o Brasil possui um volume expressivo de engenheiros. A grande questão é a falta de especialização. As empresas evitam investir no desenvolvimento do profissional pelo risco de retenção, já que um engenheiro qualificado ganha maior poder de barganha e pode migrar facilmente para vagas com salários mais atrativos.

O Mercado de Trabalho e o Ensino de Engenharia no Brasil
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Veja Também: Lições que todo estudante de engenharia precisa aprender


Esta matéria foi escrita exclusivamente para o Insper, por Eduardo Mikail, e publicada originalmente em:
//insper.edu.br/vestibular/engenharia/mercado-de-trabalho/

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Engenharia 360

Fabio Doom

Redatora colaboradora do Engenharia 360 e radialista experiente.