No cenário atual da engenharia e do design de produtos, a sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar um imperativo ético e operacional. O descarte inadequado de materiais sintéticos atingiu níveis críticos, forçando gigantes da indústria a repensarem não apenas seus produtos, mas a forma como eles chegam ao consumidor.
Por exemplo, a CASIO, líder global em eletrônicos, recentemente deu um passo audacioso ao converter as embalagens de mais de 1.000 modelos de calculadoras para papel. Mas por que essa mudança é tão vital? O Engenharia 360 explica no artigo a seguir. Confira!
O problema crônico das embalagens plásticas
O plástico, derivado de combustíveis fósseis como o petróleo, carrega um custo ambiental oculto desde a sua extração. A produção global supera 400 milhões de toneladas métricas anualmente, mas a estatística mais alarmante é que menos de 10% desse montante é efetivamente reciclado.

Para a natureza, o plástico representa uma ameaça persistente. Diferente de materiais orgânicos, ele não se biodegrada; ele se fragmenta em microplásticos que contaminam solos e oceanos. No caso específico de eletrônicos, como calculadoras, a embalagem costuma ser um item de “uso único”, descartada imediatamente após a abertura do produto.
Esse ciclo de vida curto para um material que dura séculos no ambiente é o cerne do problema que empresas buscam mitigar.

Por que investir em embalagens de papel?
A transição para o papel é vista por muitos consumidores como algo fundamentalmente positivo, principalmente pela facilidade de reciclagem em comparação ao plástico.
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Embora a produção de polpa e papel também gere emissões de gases de efeito estufa — cerca de 2% das emissões globais em 2022 — o material possui vantagens cíclicas importantes.
- Biodegradabilidade e reciclabilidade: O papel se decompõe muito mais rapidamente e possui cadeias de reciclagem mais estabelecidas e eficientes.
- Redução de resíduos sólidos: Ao substituir plásticos de difícil processamento, reduz-se a carga sobre aterros sanitários e sistemas de gestão de resíduos urbanos.
- Expectativa do consumidor: Existe uma pressão crescente do mercado e da sociedade para que as empresas reduzam sua dependência de polímeros fósseis.
No entanto, a engenharia de embalagens alerta que o papel não é isento de impactos. Ele pode ser mais pesado, o que potencialmente aumenta as emissões no transporte, e muitas vezes requer plastificação para resistir à umidade, o que dificulta a reciclagem posterior. Por isso, a mudança da CASIO não foi apenas uma troca de material, mas um projeto de reengenharia completo.
O caso CASIO: uma mudança estratégica
A iniciativa da CASIO começou com a percepção de que as expectativas globais sobre a responsabilidade corporativa mudaram. A empresa, que utiliza componentes plásticos em sua fabricação, decidiu levar suas iniciativas de preservação a um novo patamar, focando na eliminação do plástico em embalagens que são jogadas fora quase instantaneamente pelo usuário.
A meta é ambiciosa: substituir gradualmente o plástico em todos os modelos vendidos em mais de 100 países. Com essa conversão, a CASIO projetou uma redução de aproximadamente 79% na quantidade total de plástico utilizado em suas embalagens, o que equivale a cerca de 340 toneladas de plástico a menos circulando anualmente.

Novas embalagens versus antigas: O que mudou?
A comparação entre as embalagens antigas e as novas revela uma evolução significativa em termos de design e eficiência logística:
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- Materiais: Enquanto a embalagem anterior dependia de uma tampa ou “blister” de plástico para envolver e exibir o produto, a nova versão utiliza predominantemente papel.
- Volume e dimensões: As novas embalagens de papel foram projetadas para serem menores. Isso permite que mais unidades sejam transportadas em um único carregamento, otimizando a logística e reduzindo as emissões de por produto transportado.
- Proteção do produto: Apesar da mudança de material, o novo design foi desenvolvido para garantir a mesma segurança e integridade física das calculadoras durante o envio que o plástico oferecia.
- Exposição visual e informação: Um desafio de engenharia e marketing surgiu com o papel: o produto real não é mais visível através da embalagem (como era no plástico transparente). Para contornar isso, a CASIO teve que repensar o layout gráfico, condensando informações essenciais e adaptando-as às necessidades de diferentes regiões do mundo, garantindo que o consumidor ainda compreenda as funcionalidades do produto.

O caminho para um futuro sustentável
A CASIO afirma que a transição atual é apenas o começo. O objetivo final é eliminar totalmente o uso de plástico em todas as embalagens de calculadoras e aprimorar o uso ecológico do papel.
Especialistas lembram que, embora a troca de plástico por papel seja um progresso, a meta definitiva deve ser o combate à “cultura do descartável”. O ideal, segundo alguns analistas, seria a adoção de embalagens reutilizáveis ou a redução absoluta de qualquer tipo de invólucro. No entanto, para eletrônicos de precisão que exigem proteção contra impactos e umidade, a solução da CASIO demonstra como a engenharia pode alinhar eficiência operacional com responsabilidade ambiental, pavimentando o caminho para uma sociedade mais sustentável.

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Fontes: CASIO, Grupo Jauense.
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