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Como a engenharia está vencendo os limites da reciclagem de plástico

por Kamila Jessie | 15/05/2019

A reciclagem de plástico é uma solução limitada, muitas vezes, a uma rodada apenas. Nesse cenário, pesquisadores desenvolveram o PDK, que promete que a reciclagem do plástico possa ser fácil e realizada repetidas vezes.

limites da reciclagem
Da esquerda para a direita: Peter Christensen, Kathryn Loeffler e Brett Helms. (Imagem: Marilyn Chung / Berkeley Lab para newscenter.lbl.gov)

Um time de pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence
Berkeley (Berkeley Lab), do Departamento de Energia dos Estados Unidos,
desenvolveu um novo tipo de plástico que, segundo eles, permitirá a reciclagem
interminável de plásticos.

Que o plástico é um material notável em termos de
versatilidade e durabilidade, a gente já sabe. Mas o que constitui a maior
motivação para o seu uso é também o pior pesadelo para o ambiente. Muitas vezes
o plástico acaba se acumulando e ocupando espaço em aterros sanitários ou pior:
o descarte inadequado leva a um cenário de contaminação de rios e oceanos.

Limites da reciclagem dos plásticos

Os plásticos que devem ser reciclados às vezes não o são por causa de certas características químicas que o material possui, devido a aditivos. Isso reduz eficácia dos esforços globais de reciclagem. Para vocês terem noção quantitativa: mesmo a forma mais reciclável de plástico, o tereftalato de polietileno, é reciclado apenas a uma taxa entre 20 a 30%, sendo o restante destinado a aterros sanitários ou incineradores (ou indo parar no ambiente).

De forma geral, é possível dizer que todos os plásticos,
desde garrafas de água a peças de automóveis, são compostos de grandes
moléculas chamadas polímeros. Essas moléculas são compostas de unidades repetidas
de compostos menores contendo carbono, os chamados monômeros. De acordo com os
pesquisadores, porém, o problema com muitos plásticos é que os produtos
químicos adicionados para trazer utilidade (por exemplo: aditivos que tornam um
plástico duro, ou plastificantes que tornam um plástico flexível ou elástico) são
fortemente ligados aos monômeros e permanecem no plástico mesmo depois que ele
foi processado em uma usina de reciclagem.

limites da reciclagem
(Imagem: Berkeley Lab)

Imaginem: embora os plásticos possam ser classificados pelo
tipo diferente de plástico usado, isso é impraticável, dada a enorme quantidade
de plástico produzido. Então, quando o plástico é fragmentado e misturado
demais tipos, não há como saber qual característica o plástico reciclado
herdará.

Agora, cientistas do Berkeley lab desenvolveram uma forma de
plástico que pode ser molecularmente desmontada e remontada para eliminar os
aditivos quimicamente ligados que impedem a reciclagem desses materiais. E tem
mais: tudo sem a perda de qualidade ou desempenho.

A solução para potencializar a reciclagem

O que os pesquisadores do Berkeley Lab fizeram foi criar um
novo tipo de plástico chamado polidicetoenamina (PDK), que reverte as ligações
que os monômeros produzem com os aditivos. Isso significa que, quando chega a
hora de reciclar o plástico, os monômeros e os aditivos são quimicamente
separados usando uma solução ácida, deixando os monômeros livres para se
ligarem a diferentes aditivos para produzir diferentes tipos de plásticos.

limites da reciclagem
Ao contrário dos plásticos convencionais, os monômeros de plástico PDK poderiam ser recuperados e liberados de quaisquer aditivos compostos simplesmente mergulhando o material em uma solução altamente ácida. (Imagem: Peter Christensen et al./Berkeley Lab para newscenter.lbl.gov).

Em outras palavras, os pesquisadores demonstraram que, não
apenas o ácido quebra os polímeros de PDK em monômeros, mas o processo também
permite que os monômeros sejam separados dos aditivos. E tem um adendo:
monômeros PDK recuperados podem ser transformados em polímeros, e esses
polímeros reciclados podem formar novos materiais plásticos sem herdar a cor ou
outras características do material original. Nesse sentido, se feita com PDK,
uma pulseira colorida que você jogou no lixo pode virar um teclado de
computador, por exemplo.

Essa abordagem química visa mudar o ciclo de vida dos plásticos.
O PDK quer quebrar o padrão linear de uso dos plásticos e torná-lo, de fato,
circular. Apoiamos!

Fonte: Newscenter.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217