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Mudanças climáticas sugerem que os EUA devem investir em obras de infraestrutura

por Kamila Jessie | 04/02/2020
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Grande parte das rodovias, pontes, tubulações de água, portos, ferrovias e linhas de transmissão elétrica americanas foram construídas há mais de meio século e, em muitos casos, estão em más condições. O cenário da infraestrutura se torna ainda mais alarmante quando a crise climática entra em jogo, principalmente quando a informação é corroborada pela ASCE, a Sociedade Americana de Engenheiros Civis.

Fortes tempestades em fevereiro fizeram com que partes de uma rodovia da Califórnia cedessem, indicando problema de infraestrutura.
Fortes tempestades em fevereiro fizeram com que partes de uma rodovia da Califórnia cedessem. Imagem: Rich Pedroncelli.

Infraestrutura pesada e custo também

Essa demanda por obras de grande porte coloca o quadro de engenheiras e engenheiros de olhos abertos, em busca de oportunidades, principalmente voltadas para inovação no setor. Contudo, tratando de recursos financeiros, a ASCE estimou uma diferença de US $ 1,4 trilhão entre o financiamento disponível e a quantia necessária para manter, reconstruir ou desenvolver a infraestrutura dos EUA entre 2016 e 2025. Esse número chega a US $ 5 trilhões até 2040. Com isso, a gente se pergunta quando que a injeção de dinheiro vai realmente acontecer e alocar profissionais do setor, tanto nos EUA quanto, quem sabe, demais engenheiras e engenheiros do globo.

Esse custo não é nada trivial, além de más notícias para nossa capacidade de lidar com os perigos iminentes da emergência climática, que consiste fundamentalmente em um problema de infraestrutura. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa dos EUA, em consonância com os esforços globais para lidar com os passivos das mudanças climáticas, exigirá investimentos anuais em tecnologias limpas e uma grade moderna para aumentar em dez vezes até 2030, de US $ 100 bilhões para US $ 1 trilhão, segundo um relatório de 2015 realizado pelo Deep Decarbonization Pathways Project.

O termo “descarbonização” nos é familiar, na medida em que algumas empresas, como a Microsoft, têm realizado investimento massivo no setor. Mas, ao tratar de infraestrutura, as coisas são um pouco mais demoradas. A China pode até construir um hospital em dez dias, mas nós conhecemos a realidade, por exemplo, das obras no Brasil. No caso dos Estados Unidos, o fator motivador para o novo olhar na infraestrutura é principalmente a questão climática, então há muitas questões paralelas atuando como entrave.

A Guarda Nacional do Texas deslocou-se para áreas inundadas em torno de Houston após o furacão Harvey. Infraestrutura dos EUA precisa de revisão. Engenharia 360.
A Guarda Nacional do Texas deslocou-se para áreas inundadas em torno de Houston após o furacão Harvey. Imagem: National Guard.

A última avaliação climática dos Estados Unidos revelou que, para que o país se prepare em termos de infraestrutura para as questões climáticas, que agora não podem ser evitadas, devem ser reforçadas proteções costeiras, além de reconceber alguns sistemas de abastecimento e tratamento de água e coleta de resíduos. Mais ainda: o National Climate Assessment menciona a necessidade de reforçar a infraestrutura de transporte e realocar casas e empresas para a expansão das zonas de inundação e incêndio. Em resumo, é um investimento grande para lidar com coisas grandes.

No time, brother

A própria redação do MIT coloca que, dados esses custos altos e prazos apertados, não podemos nos dar o luxo de levar décadas para construir – muito menos não construir – um projeto. No cenário americano, a infraestrutura tradicional já tem apresentado algumas falhas em proteger de eventos extremos que as mudanças climáticas provavelmente amplificaram e não adianta negar. Além disso, eles não estão falando de pequenos reparos: a atualização dos sistemas de água potável, tratamento de águas residuais e águas pluviais do país custará mais de US $ 600 bilhões nas próximas décadas.

E vale citar que os países certamente podem construir rapidamente quando decidem. A China instalou 25.000 km de linhas ferroviárias de alta velocidade desde 2008, mais do que o resto do mundo inteiro. Ao mesmo tempo, cruza o país com dezenas de linhas de transmissão de alta voltagem, que se estendem por quase 37.000 km. Enquanto isso, os EUA estão fazendo as contas para colocar na balança a demanda por atualizações em infraestrutura e a gente observa eventos como as enchentes em Belo Horizonte.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217

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