Durante séculos, nós estudamos as pirâmides ao redor do mundo, tentando sempre entender os enigmas — da arquitetura à política — que elas escondem. Principalmente nos últimos cem anos, exploramos demais as Pirâmides de Gizé, no Egito. O complexo foi erguido há mais de 4 mil anos, supostamente como túmulos monumentais para os faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos. E pensávamos que já tínhamos entendido tudo sobre ele. Engano nosso!

Recentemente, os cientistas entenderam que, apesar de já terem medido, escaneado, explorado e debatido exaustivamente essas pirâmides, talvez não tenham chegado até o limite possível de sua investigação. Há mais, muito mais a ser desvendado.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Pirâmides de Gizé
Imagem de Freepik

Por exemplo, novas análises estruturais — só possíveis por conta da revolução tecnológica — revelaram anomalias que podem indicar a existência de cavidades desconhecidas e até mesmo uma possível entrada secreta em uma das Pirâmides de Gizé. É provável que isso mude completamente o que entendemos ser a engenharia convencional do Antigo Império. Continue lendo este artigo do Engenharia 360 para saber mais!

1. Entradas secretas reveladas por anomalias

A Pirâmide de Miquerinos é a menor pirâmide do complexo de Gizé; contudo, é também a mais bem preservada dentre essas arquiteturas. Interessante é que essa obra possui várias anomalias ocultas. Muitas são cavidades de ar (de 1,4 metro por 1,13 metro) localizadas atrás de uma área de blocos na face leste da construção.

Tais vazios estruturais foram identificados por meio de radar de penetração no solo (GPR), ultrassom (UST) e tomografia de resistividade elétrica (ERT). Bem, o que você precisa saber neste momento é que essa teoria das portas ocultas de Miquerinos não é nova e, caso confirmada, quebra um padrão arquitetônico relevante das pirâmides do Antigo Império.

Pirâmides de Gizé
Pirâmide de Miquerinos – Imagem de David Broad em Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Pir%C3%A2mide_de_Miquerinos#/media/
Ficheiro:Pyramid_of_Menkaure_at_Giza_-_panoramio.jpg

A área onde essas anomalias foram detectadas apresenta um revestimento de granito meticulosamente polido. Esse acabamento é semelhante ao encontrado apenas na entrada principal da pirâmide, localizada na face norte. Estamos falando de pedras usadas como se fosse a guarnição das portas da sua casa. Então quer dizer que todos esses vazios também poderiam ser portas da pirâmide. Enfim, nada disso parece ser coincidência.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Estaríamos diante de uma solução arquitetônica experimental? Um projeto modificado durante a construção? Ou uma estratégia simbólica e ritualística ainda não totalmente compreendida?

Pirâmides de Gizé
Vistas isométricas da pirâmide de Miquerinos – Imagem de
R.F.Morgan em Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Pir%C3%A2mide_de_
Miquerinos#/media/Ficheiro:Menkaure_Iso.jpg

2. Um número maior de faces visto do céu

Aqui vai uma pergunta básica de geometria: quantos lados tem uma pirâmide? Bom, se você respondeu que são quatro lados, pode estar levemente equivocado. Isso porque uma das revelações mais surpreendentes da ciência sobre as Pirâmides de Gizé é que a Pirâmide de Quéops não possui apenas quatro lados. Na verdade, ela tem muito mais faces. Isso foi revelado através de fotografias aéreas, drones e escaneamento a laser.

Em resumo, parece que cada um dos quatro lados tradicionais apresenta uma depressão central (imperceptível ao nível do solo) que divide cada lado em duas superfícies distintas. Não se trata de uma falha, mas de uma escolha de projeto de engenharia deliberada. Os pesquisadores explicam que os egípcios descobriram que esse formato de construção distribui melhor as cargas, garantindo mais resistência contra terremotos, ventos extremos e tempestades torrenciais.

Pirâmides de Gizé
Pirâmide de Queóps – Imagem de Douwe C. van der Zee em Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Pir%C3%A2mide_de_Qu%C3%A9ops#/media/Ficheiro:Great_Pyramid_of_Giza_-_Pyramid_of_Khufu.jpg

Vale destacar ainda neste artigo que, em 2023, foi confirmada a existência de uma passagem até então desconhecida também na Grande Pirâmide de Quéops. Assim, se novas passagens continuam sendo encontradas, podemos concluir que o mapeamento dessas estruturas ainda está longe de ser definitivo.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Pirâmides de Gizé
Modelo em 3D do interior da Pirâmide de Quéops – Imagem de R.F.Morgan em Wikipédia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Pir%C3%A2mide_de_Qu%C3%A9ops#/media/Ficheiro:007_Khufu.jpg

3. Acúmulo de bolhas de plasma equatoriais

Outra grande descoberta dos cientistas com relação às Pirâmides de Gizé são as formações de bolhas de plasma equatoriais (EPBs) diretamente acima de suas superfícies. Essas bolhas se formam em latitudes baixas, próximo ao equador, e se originam no descolamento das áreas de densidade de plasma diferentes na ionosfera. Com a separação de gás superaquecido, essas bolhas acabam flutuando a cerca de mil quilômetros da superfície da Terra — surgindo no pôr do sol e se dissipando ao amanhecer.

Essa descoberta foi possível por conta de tecnologia avançada do radar LARID (Radar Ionosférico de Longo Alcance em Baixa Latitude), geralmente usado para estudos sobre a ionosfera — camada da atmosfera terrestre que se encontra entre 60 e 1.000 km de altitude. No fim, ela levantou ainda mais questionamentos sobre a interação entre a ionosfera e esses monumentos antigos.

Por exemplo, ainda é cedo para afirmar, mas é possível que as pirâmides tenham influência direta sobre a formação das bolhas. Os cientistas devem trabalhar para esclarecer se há mesmo alguma conexão entre esses fenômenos naturais e as antigas construções ou se seria apenas uma coincidência.

TUDO o que você não sabia sobre as Pirâmides de Gizé
Imagem reproduzida de LARID via TecMundo

O que ainda pode estar escondido?

Parece que estamos apenas na ponta do iceberg. Em 2023, o projeto ScanPyramids, que une pesquisadores da Universidade do Cairo e da Universidade Técnica de Munique (TUM), já tinha confirmado a existência de um corredor desconhecido na Grande Pirâmide de Gizé. Agora, usando tomografia de múons de raios cósmicos e termografia infravermelha para mapeamento, foram descobertas cavidades que podem levar a câmaras funerárias ou passagens ainda intocadas.

Isso quer dizer que esse sítio continua riquíssimo para a arqueologia: um laboratório vivo onde a engenharia milenar se encontra com a física de partículas e o processamento de dados moderno. Os segredos que não dominávamos estão sendo decifrados bit a bit, provando que, mesmo após quatro milênios, os engenheiros do faraó ainda têm muito a nos ensinar sobre durabilidade, precisão e mistério.

Talvez o próximo grande segredo das Pirâmides de Gizé já esteja ali — apenas esperando o próximo feixe de radar atravessar as pedras.

Veja Também:


Fontes: DW, IGN, Olhar Digital.

Imagens: Todos os Créditos reservados aos respectivos proprietários (sem direitos autorais pretendidos). Caso eventualmente você se considere titular de direitos sobre algumas das imagens em questão, por favor entre em contato com contato@engenharia360.com para que possa ser atribuído o respectivo crédito ou providenciada a sua remoção, conforme o caso.

Comentários

Engenharia 360

Simone Tagliani

Graduada nos cursos de Arquitetura & Urbanismo e Letras Português; técnica em Publicidade; pós-graduada em Artes Visuais, Jornalismo Digital, Marketing Digital, Gestão de Projetos, Transformação Digital e Negócios; e proprietária da empresa Visual Ideias.