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Google, Amazon e Apple: por que elas querem gravar o que você diz?

por Clara Ribeiro | 09/11/2020
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As engenhocas tecnológicas da Google, Amazon e Apple, ao mesmo tempo que beneficiam a vida de muita gente, causam desconforto em certos aspectos.

Nos últimos 10 anos, tem se tornado senso comum que nossas vidas estão cada vez mais “rastreadas” na internet. Ao usarmos redes sociais, sites de busca ou apps de envelhecimento facial, por exemplo, são coletados dados importantes sobre nós sem muitas vezes nem nos darmos conta.

Porém, há uma forma de coleta de dados menos “silenciosa”, embora mais sutil, que as empresas utilizam para aprimorar seus serviços: as vozes de seus clientes são constantemente gravadas.

A Alexa, assistência virtual desenvolvida pela Amazon, funciona essencialmente por comandos de voz, que são automaticamente registrados. Existem apenas dois comandos com função de apagar registros, dizendo “Exclua o que acabei de dizer” ou “Exclua tudo o que falei hoje”. Mesmo assim, o app mantém um histórico de até 18 meses se o usuário não o deleta manualmente.

Como se não bastasse, o software parece ser programado para sempre impedir o usuário de deletar as gravações, alegando que isso prejudicaria a “experiência completa” que ele pode oferecer.

David Limp, vice-presidente senior da Amazon Devices & Services, alegou para a revista Today em setembro de 2019 que esse mecanismo existe propositalmente. “Temos convicção de que (ao registrar esses dados) podemos melhorar nossos serviços significativamente”, disse ele.

assistentes de voz alexa da amazon ao lado de google home e siri ao lado de cortana e samsung
Imagem: medium.com/voice-tech-podcast

Estratégias da Google e Apple

O produto concorrente, Google Assistente, funciona de maneira muito similar. Além disso, vários serviços oferecidos pela multinacional já retêm dados de seus clientes continuamente, pelas buscas (seja por voz ou por escrito) e por outros serviços como Google Maps e Google Fotos.

A justificativa também é parecida: “Os dados que você guarda podem refinar sua experiência”, diz a empresa. Reúne-se buscas, leituras e conteúdos audiovisuais que seus fregueses consomem a fim de ajudá-los a “fazer as coisas mais rápido”.

Ou seja, a não ser que tenhamos a iniciativa de deletar esses históricos, se assim quisermos, estaremos entregando informações pessoais gratuitamente sem qualquer advertência por parte dos aplicativos. Pelo contrário, é mais provável nos depararmos com avisos de linguagem persuasiva, que nos encorajam a fazer isso em troca de uma experiência “integral” dos serviços.

Já a Apple adota uma tática diferente, inclusive como marketing. Nas configurações predefinidas da Siri, assistente análoga às mencionadas acima, está desabilitada qualquer função de gravação. Na verdade, para gravar seus comandos é preciso se voluntariar.

Se o cliente pedir, a Siri envia certos dados sobre ele à Apple para “ajudar a entender e reconhecer melhor o que você diz”. Assim também se mede com mais acuidade o desempenho do próprio aplicativo, com mais confiança e de forma menos forçada.

E então, o que você acha do tema? Você usa algum desses famosos assistentes de voz? Conte para a gente a sua opinião e experiência!

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Clara Ribeiro

Jornalista especializada em arquitetura e engenharia. Ávida consumidora de informação; viciada em produzir conteúdo; amante das letras, das artes e da ciência.

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