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Esta pessoa não existe: qual o limite para os algoritmos que criam imagens de pessoas?

por Larissa Fereguetti | 02/05/2019
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É bem provável que você já tenha ouvido falar sobre o ThisPersonDoesNotExiste.com, principalmente se você já procurou por uma foto para montar um perfil fake. Como o nome diz (“Esta pessoa não existe”), o site gera imagens do rosto de pessoas que não existem. Bizarro, não?

esta pessoa não existe
Imagem: thispersondoesnotexist

O ThisPersonDoesNotExiste.com foi criado pelo engenheiro Philip Wang. Ele funciona por meio de um Generative Adversarial Network – GAN (rede generativa antagônica, em português), que funciona por machine learning. Esse algoritmo é treinado com imagens reais.

A maior parte das vezes, os rostos gerados parecem tão reais que não duvidamos da sua existência. Outras vezes, é claro, ele comete algum deslize. Continue gerando imagens e reparando em alguns pontos, como orelhas diferentes, pares de brincos que não são pares e dentes, por exemplo.

esta pessoa não existe
Imagem: thispersondoesnotexist

Enquanto o ThisPersonDoesNotExiste.com gera apenas rostos, um algoritmo desenvolvido pela DataGrip, uma empresa de tecnologia que se localiza dentro da Universidade de Kyoto, no Japão, é capaz de gerar indivíduos de corpo inteiro. Ele também é baseado em Generative Adversarial Network. A novidade é que ele elimina os erros de simetria, em orelhas, dentes e mais alguns encontrados em outros algoritmos.

O vídeo (que pode te deixar um pouco tonto), mostra vários modelos que mudam o tempo todo, assim como suas roupas. Essa seria uma ferramenta maravilhosa para o mundo da moda.

Esta pessoa não existe: o limite entre o correto e o mau uso

Enquanto sites como esses podem ser grandes ferramentas designers e ilustradores na hora de criar mundos virtuais, o ato de manipular/gerar imagens em larga escala, como é feito pelos algoritmos citados, pode ter consequências desastrosas. Afinal, não é difícil pensar em como elas poderiam ser usadas com más intenções.

O primeiro ponto é a criação de documentos e perfis falsos para aplicar golpes. O resto é facilitado por outros sites do mesmo estilo, como o Fake Name Generator. Nele, você escolhe o gênero, a origem do nome e o país e é gerado um perfil completo, com telefone, CPF, endereço, e-mail, data de nascimento, cartão de crédito, emprego, características físicas, modelo do carro e até a cor favorita.

Por exemplo, ao selecionar uma mulher, com nome brasileiro e também de origem brasileira, o site gerou aleatoriamente a “Laura Fernandes de Castro” abaixo, com todas as informações. Se você clicar em opções avançadas, é possível escolher até a idade.

esta pessoa não existe

Philip Wang criou o ThisPersonDoesNotExiste.com para mostrar para as pessoas como a inteligência artificial já possui a capacidade de manipular imagens (e o quão boa ela é). O algoritmo do DataGrip, por exemplo, pode ser muito bom para catálogos de moda. No entanto, qual é o limite desse uso? Será que as pessoas realmente usarão essas tecnologias de forma benéfica para todos?

Essas são, na verdade, não só questões ligadas à criação de pessoas que não existem, mas a toda tecnologia atual. É até difícil estabelecer uma “ética” para guiar os usos quando o limite entre o que é certo e o que é errado, ou melhor, o limite sobre até que ponto deixa de ser certo e começa a ser errado, é uma linha tênue demais.

Referências: Futurism; Inverse.

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Larissa Fereguetti

Doutoranda, mestre e engenheira. Fascinada por tecnologia, curiosidades sem sentido e cultura (in)útil. Viciada em livros, filmes, séries e chocolate. Acredita que o conhecimento é precioso e que o bom humor é uma ferramenta indispensável para a sobrevivência.

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