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Engenheiros se unem para reduzir impactos da quarentena em populações vulneráveis

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por Kaíque Moura
| 06/05/2020 4 min

Engenheiros se unem para reduzir impactos da quarentena em populações vulneráveis

por Kaíque Moura | 06/05/2020
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Devido a grande propagação do coronavírus (covid-19), muitas cidades e países têm realizado bloqueios em suas fronteiras, decretos de quarentena em seus territórios e até a instauração de lockdown. Isso faz parte de uma série de medidas que as lideranças políticas estão executando para restringir ao máximo o fluxo de pessoas em locais públicos, evitando a disseminação da doença.

Essas medidas em prol da saúde da população também trazem efeitos adversos. Uma dura realidade que, em termos práticos, torna-se difícil de ser revertida em meio a pandemia.

Economia despenca com o coronavírus
Créditos: oglobo.globo.com

Porém, algumas ações têm ajudado a diminuir tamanhos estragos. Um grupo de 73 engenheiros, estudantes e alguns especialistas estão trabalhando para identificar de maneira clara as consequências indiretas de lockdown em populações de vulnerabilidade social.

O grupo foi organizado pela Omdena, uma plataforma de inovação que busca criar soluções de IA para problemas atuais do mundo real. Durante um período de dois meses, o grupo fará buscas em fontes de dados disponíveis ao público e aplicará ferramentas de visualização de dados e IA para investigar como as políticas governamentais estão gerando quatro efeitos bloqueios pandêmicos: acesso reduzido a cuidados de saúde, perda de salário, perda de emprego e abuso doméstico.

O projeto foi iniciado em 24 de março e a expectativa de conclusão é em 19 de maio, com previsão de entrega e exibição dos resultados obtidos no final deste mês.

Um detalhe curioso é que o projeto não teve publicidade paga, sendo toda parte de divulgação construída nas redes sociais. Rapidamente cerca de 150 pessoas, entre elas engenheiros recém-graduados, estudantes e pessoas com uma carreira já estabelecida, resolveram se inscrever no projeto e abraçar a causa

banner especialistas que em AI que estão engajados no projeto da Omdena
Especialistas que se juntaram ao projeto da Omdena. Créditos: omdena.com

Com base nas habilidades e motivações do grupo de candidatos, Rudradeb Mitra , CEO da Omdena, convidou 73 deles de 27 países para participar e definir o grupo com as metas do projeto, um canal Slack, chamadas semanais do Zoom e um repositório do GitHub.

Os membros do projeto foram divididos em quatro áreas de tarefa. Cada grupo ficou responsável por coletar informações e dados sobre políticas de 10 a 15 países, aplicando ferramentas de análise de dados e aprendizado de máquina para identificar os efeitos a curto prazo das políticas de lockdown.

Baidurja Ray, que exerce a função de gerente de tarefas do grupo que analisa o efeito das políticas COVID-19 sobre desemprego relata a importância do fornecimento de dados abertos para a condução do trabalho: “No meio do caminho deste trabalho, já é possível obter algumas ideias para determinados países, enquanto tentamos coletar dados difíceis de encontrar para outros. Estamos percebendo a importância dos governos fornecerem dados abertos e confiáveis ​​para que esse tipo de esforço seja bem-sucedido“.

Alguns impactos da pandemia em populações vulneráveis:

Segundo a Omdena, pode-se observar alguns efeitos colaterais com relação ao bloqueio causado pelo COVID-19:

Aumento do abuso/violência doméstica

No Reino Unido, nas três primeiras semanas de confinamento, as mortes por abuso doméstico mais que dobraram. Líbano e Malásia, por exemplo, dobraram o número de chamadas com relação a esse tipo de ocorrência. Na China triplicou e França aumentou um terço. Esses dados foram comparados com os dados do mês anterior ao confinamento.

No Brasil, tivemos alguns aumentos consideráveis no índice de violência doméstica. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, levantou que somente entre os dias 17 e 25 de março houve um aumento de cerca de 10% nas denúncias registradas no 180.

Crianças em situação de pobreza estão sem acesso a comida

Na Índia, cerca de 120 milhões de crianças em situação de pobreza fazem a primeira refeição no meio-dia nas escolas onde estudam. Geralmente essa é a única fonte de alimento saudável para essas crianças. O fechamento das escolas negará o acesso dessas crianças a alimentos. 

Alimentar crianças que geralmente almoçam na escola também é um problema nos países desenvolvidos. No caso do EUA os bancos de alimentação viram um grande aumento na necessidade e estimam que serão necessários US $ 1,4 bilhões adicionais para atender às crescentes necessidades nos próximos seis meses.

Aumento do casamento infantil

Durante o surto do vírus Ebola, houve um aumento no casamento infantil forçado. Essa situação pode ocorrer também durante o bloqueio do Coronavírus.

Políticas públicas de alguns países para amenizar a pandemia
Políticas públicas de alguns países frente a pandemia de COVID-19. Créditos: anesp.org.br/

E para você? As políticas públicas adotadas no Brasil frente a pandemia do coronavírus surtirão efeitos positivos/negativos para a população? Comenta! Queremos saber a sua opinião.

Referências: Omdena, IEEE Spectrum.

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Kaíque Moura

Graduando em Engenharia de Produção no Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA) e Técnico em Mecânica pelo Instituto Federal do Piauí (IFPI).

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