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Discussão pertinente: será que a expansão do MASP dialoga bem com o projeto da Lina Bo Bardi?

por Simone Tagliani | 27/08/2021

Falar sobre patrimônio e paisagem urbana é bastante delicado. Muitas pessoas têm opiniões diferentes sobre o novo Masp. Qual é a sua?

Algumas pessoas não compreendem o significado da disciplina de ‘Paisagismo’ dentro do curso de Arquitetura. Ou mesmo porque os arquitetos têm o título também de urbanistas ou estudam patrimônios, como o Masp. Pois bem, é porque durante a graduação aprendemos a projetar não apenas edifícios – se é que posso dizer apenas -, mas a paisagem construída na totalidade. O objetivo é que todo o contexto trabalhado pelo homem faça sentido, inclusive ao lado da geografia e flora pré-existente em nosso planeta.

Novo Masp
Imagem reproduzida de Catraca Livre

Dito isso, o exercício dos arquitetos deveria respeitar o meio ambiente – natural e construído. Agora, ao ver as notícias apresentadas nas mídias nos últimos dias, fiquei na dúvida sobre qual a melhor maneira de abordarmos a necessidade de expansão das cidades. De fato, é bastante delicado tentar inserir uma nova obra arquitetônica e em um tecido urbano já consolidado, principalmente se ela será vizinha e tiver alguma ligação simbólica a um dos maiores símbolos do patrimônio construído de um país.

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Estou me referindo a nova obra do Museu de Arte de São Paulo, mais conhecido como Masp, que ganhará um novo prédio de 14 andares, vizinho, também na Avenida Paulista. O questionamento sobre se essa construção irá dialogar adequadamente com o antigo volume, projetado pela famosa arquiteta Lina Bo Bardi foi o tema das conversas de muitos nesta semana! Cabe você conferir o texto a seguir e tirar as suas próprias conclusões!

Imagem reproduzida de O Globo

A implantação da nova ala do Masp

O Masp já existia muito antes do projeto da Lina Bo Bardi. Na verdade, ele funcionava antes na sede dos Diários Associados, no centro da capital paulista. Só em 1968 é que ele foi para o edifício na Avenida Paulista. Inclusive, este trabalho deu à arquiteta o prêmio Leão de Ouro Especial na Bienal de Veneza de 2021. E agora o museu ganhará uma nova ala, com 7800 metros quadrados – com direito a café, restaurante, laboratório de restauração e alas expositivas -, resultado da expansão do antigo edifício Dumont-Adams, que foi abandonado por décadas. Enfim, uma boa notícia, não é mesmo?

Novo Masp
Imagem reproduzida de Archdaily
Novo Masp
Imagem reproduzida de Archdaily

Tratativas do empreendimento

Toda essa conversa de expansão começou em 2005 – sim, dezesseis anos atrás. Nessa época, o Edifício Dumont-Adams, um residencial dos anos cinquenta, foi vendido para a empresa de telefonia Vivo, que pretendia ceder o uso do prédio ao museu com a contrapartida de explorar a publicidade na fachada com um mirante.

Foi o próprio presidente do Masp – com cargo até 2009 -, o arquiteto Júlio Neves – formado na mesma turma de Paulo Mendes da Rocha -, que fez o projeto de ampliação do museu. Ele apresentou a documentação ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. As obras chegaram a iniciar, mas, em 2013, tudo mudou quando entrou em vigor a Lei Cidade Limpa. Isso acabou completamente com os planos da Vivo!

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Novo Masp
Imagem reproduzida de Quero Viajar Mais

Mas alguns problemas também acabaram comprometendo os planos de Neves. A instituição Masp passava por problemas financeiros. Os recursos captados pela Lei Rouanet para a reforma das antigas instalações, com todos os problemas de mercado, acabaram insuficientes. Então, tudo precisou ser ‘simplificado’ para algo menos “mirabolante” do que se esperava. 

Implantação

Será que tudo isso que foi narrado no tópico anterior justifica o resultado que estamos vendo agora? Bem, particularmente não sei ainda dizer se admiro ou simplesmente odeio o projeto do novo Masp. Mas, uma coisa é certa, essa expansão chamará bastante a atenção de quem passear em frente ao conjunto! Parece que um belvedere deve barrar a altura da construção, que interferia na ambiência do próprio Masp, que é tombado. Olha que baita responsabilidade, não é mesmo?

Imagem reproduzida de Blog Latam Pass

Engenharia

É claro que o esqueleto do Edifício Dumont-Adams precisou passar por reformas, do miolo às lajes – afinal, não podemos esperar que uma estrutura dimensionada para habitações possa suportar exposição de obras de arte. Agora, a continuidade do projeto de Júlio Neves está com a empresa Metro Arquitetos Associados. Eles conseguiram aproveitar as fundações e vão implementar um sistema de iluminação

Os novos planos incluem envolver o prédio com uma tela preta de alumínio, fazendo sombra, deixando-o menos aquecido e com menos demanda dos aparelhos de condicionamento. O ‘diálogo’ com o antigo edifício do Masp se resumiria no térreo, com um pé-direito de oito metros revestido com placas de vidro transparente. Mas, olhando pelas imagens, não consegui me convencer dessa relação. E você? Bem, segundo o Masp, poderemos ver tudo realmente pronto lá por 2024. Vamos esperar, então!

Novo Masp
Imagem reproduzida de G1 – Globo
Novo Masp
Imagem reproduzida de MASP

“Tem dois conceitos nesse projeto, um estético e outro técnico. O primeiro é que buscamos uma arquitetura sóbria e discreta, para não competir com o cartão-postal, que ficasse como pano de fundo, dependendo do ângulo por onde se olha, mas ao mesmo tempo forte, com presença, daí esse aspecto de monolito. O outro ponto é que é um projeto de infraestrutura, que vai abrigar todas as máquinas de ar condicionado, por exemplo.”

– Martin Corullon, em reportagem do Portal iMaranhão.

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Fontes: G1, VEJASP, O Estadão.

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Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; especialista em Artes Visuais; estudante de Jornalismo Digital e proprietária da empresa Visual Ideias - Redação, Edição e Produção de Conteúdos.