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Queda de marquise em São Paulo: qual a responsabilidade da Engenharia?

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por Engenharia 360
| 15/11/2019 3 min

Queda de marquise em São Paulo: qual a responsabilidade da Engenharia?

por Engenharia 360 | 15/11/2019
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Um jovem morreu e outro ficou ferido depois do desabamento de uma marquise no bairro Jardins, em São Paulo. O acidente aconteceu na quarta-feira (13), na rua Bela Cintra, e a equipe do Engenharia 360 conversou com diferentes profissionais sobre responsabilidade em edificações.

queda de marquise
Imagem: Rádio Bandeirantes / Metro Jornal

O desabamento da marquise

O acidente não teve relação com a estrutura do prédio em si. No caso, houve a queda da marquise em frente ao acesso de pedestres, onde o jovem Thiago Nery, aspirante a estudante de Engenharia, e seu amigo João Tess estavam conversando. O desabamento levou à morte de Thiago, de 18 anos, e João (17 anos) encontra-se ferido.

A marquise tinha aproximadamente 15 metros de comprimento e, de acordo com o coordenador da Defesa Civil, Marcos Santana, havia algum comprometimento relacionado à infiltração. Contudo, essa informação será confirmada apenas após avaliação.

Em uma divulgação do G1, é discutida a falta de armação aparente, o que dá a entender que a estrutura aguentava, por si só, enchimento de concreto e manta asfáltica. Ainda não se sabe se a marquise era original do prédio, tampouco por quantas reformas passou.

Imagem: Rádio Bandeirantes / Metro Jornal

Responsabilidade é a armadura

É importante avaliar os vários segmentos de responsabilidade na concepção, execução e manutenção de obras. Por vezes, podemos achar que alguns ajustes são simples ou não requerem atenção profissional, mas é de suma importância que serviços de engenharia sejam feitos, de fato, por engenheiras ou engenheiros, pensando sempre na segurança dos usuários.

Nesse sentido, Fábio Guedes, advogado do setor imobiliário, concordou com o Engenharia 360 que, infelizmente, “nossa cultura nos faz lembrar de procedimentos e de regras apenas quando os problemas aparecem. Mas só para lamentar o ocorrido, não para cumpri-los. O desabamento de parte do prédio na Cidade de São Paulo nos faz retomar discussões que somente são lembradas nesses momentos de tragédia. Nos esquecemos de que as regras e os procedimentos são criados justamente para evitar e minimizar os riscos de que problemas e tragédias como essa aconteçam”.

Normatizações e regularidade de obras

Ainda em um bate-papo com nossa equipe, o advogado Fábio apontou o acordo profissional que existe na elaboração de Normas Técnicas, disponíveis para orientação e regulamentação dos serviços. Nas palavras de Fábio, as normativas “representam um consenso firmado entre especialistas para se obter segurança, eficiência e confiabilidade em produtos e procedimentos. Há inúmeras Normas Técnicas aprovadas pela ABNT, por exemplo, que se aplicam à construção civil e aos condomínios em geral”.

Da perspectiva da engenharia, também é fundamental lembrar que os serviços não devem ser encarados meramente com uma noção produtivista, mas que as edificações devem ser funcionais e seguras. O engenheiro civil, Matheus Leoni, em conversa com nossa equipe, mencionou a importância da manutenção preventiva e do uso das instalações para seus devidos fins.

No caso específico de marquises, deve-se atentar à inclinação e impermeabilização. De acordo com Matheus, “como a marquise recebe água pelo lado superior, ela deveria ser impermeabilizada (…), porque a entrada de água só vai acelerar o processo de corrosão das armaduras“.

No que se refere ao desvio de finalidade de determinadas estruturas em edificações, Matheus apontou situações em que marquises são usadas de forma irresponsável, sem que essa carga estivesse prevista em sua concepção: como a instalação de condensadores de ar condicionado sobre as marquises, placas de lojas apoiadas e até mesmo depósito de materiais, por exemplo.

Nesse cenário, Matheus alertou que “tem muita marquise no Brasil que está em risco. Isso não é exclusividade de São Paulo. É uma situação de risco. Em um dia de chuva, a pessoa vai usar a marquise como abrigo e, muitas das vezes, ela está extremamente comprometida“.

Nós do 360 lamentamos o acontecido e deixamos um apelo para as boas práticas de engenharia e da responsabilidade do usuário.

Fontes: Folha. Metro Jornal. G1.

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