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Conheça 3 novas estratégias de construção com materiais alternativos

por Simone Tagliani | 24/01/2018

Sabemos usar muito bem tijolo e concreto! Mas sabia que existem materiais alternativos para a construção de casas? Este texto traz uma lista de opções!

A “nova arquitetura” discursa muito sobre construir de forma mais sustentável e de modo a impactar menos a natureza, mas é difícil entender como, realmente, se faz isso na prática. Algumas pessoas pensam que erguer casas ambientalmente corretas é algo inviável, caro ou complicado. É uma inverdade, visto que iniciativas experimentais desenvolvidas no mundo todo provam que sempre é possível ir além do que já foi feito. Arquitetos, designers e engenheiros da atualidade podem ainda não estar tão acostumados com técnicas de construção com materiais alternativos, porém, pelo menos, eles já questionam mais sobre suas maneiras de projetar e construir.

“As pessoas têm absorvido essa preocupação com a sustentabilidade. Hoje é difícil ver um profissional que não pergunte sobre materiais sustentáveis [para elaborar um projeto].”

– Arquiteto Bernardo Ferracioli , em reportagem de Akatu.

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(imagem extraída de Super Interessante)

Os criativos têm estado mais abertos ao uso de materiais alternativos, como os reciclados. Isso tem atraído também a atenção do mercado – embora ainda haja uma postura muito cautelosa a respeito do tema. A causa são as vantagens ilimitadas que se pode obter para as construções, como a redução de custos e o melhor desempenho em questões importantes, em comparação com os modelos tradicionais. Claro que é sempre um desafio provar que certas matérias-primas irão, sim, apresentar grande durabilidade.

Logo, com o objetivo de informar melhor os seus leitores, o Engenharia 360 resolveu expor três tipos de materiais alternativos que podem criar modelos de construção diferentes e totalmente viáveis. Confira!

Opções para a construção com materiais alternativos

Fibras Naturais

Já faz tempo que a construção civil tem investido em melhorias em seus processos e nos materiais empregados. Mas, quando se fala na utilização de fibras vegetais é preciso lembrar que esse é um recurso que remete a uma história de milhares de anos, como é o caso da arquitetura vernacular. Materiais renováveis, naturais e minimamente processados – por escolha dos projetistas – têm substituído compostos e elementos mais pesados, caros e agressivos ao meio ambiente em edificações; conferindo-lhes, inclusive, maior ductilidade. Um exemplo é o fibrocimento, uma mistura de fibras naturais com cimento e aditivos, que é a melhor opção ao uso da fibra de amianto, produzida com substâncias altamente cancerígenas e utilizada em telhas, caixas d’águas e mais.

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(imagem extraída de Casa dos Artesanatos)

Outro bom exemplo de solução construtiva, empregando fibras naturais, é o tijolo de adobe. Ele é obtido pela mistura de terra crua, água, palha e outros materiais, como esterco de gado. Sua massa é, geralmente, moldada artesanalmente em fôrmas e cozida ao sol. Peças assim se mostram benéficas – com algumas ressalvas – pelos custos baixos, o alto desempenho térmico, a menor emissão de poluentes, pela leveza das peças, a resistência, a elasticidade e a durabilidade.

(imagens extraídas de Agriculturers e Arquitete Suas Ideias)

Enfim, as fibras podem ser empregadas na construção civil em placas de revestimento; de isolamento; e como reforço adicional ao concreto, em peças para coberturas, fundações de edifícios e contenção de encostas. A maioria das espécies naturais, de onde são extraídas, cresce rapidamente, podendo ser cultivadas em muitos tipos de solo ou ser encontradas em forma de rejeitos.

São exemplos de fibras naturais: palha, cortiça, juta, bambu, piaçava, sisal, fibra de madeira, de celulose, de coco, da cana-de-açúcar, da bananeira, entre outras.

Fibra da Bananeira

O Brasil é um dos maiores produtores de banana do mundo. Talvez por isso a fibra da bananeira possa ser apontada como uma boa alternativa para a construção civil nacional. O produto final não afeta a saúde humana e nem a natureza, já que é de um novo broto da bananeira que se extrai a fibra, sem prejudicar a planta original, que continuará a produzir suas bananas. Também há produtores que descartaram a planta inteira após a retirada dos primeiros cachos e depositam tudo na plantação, para a decomposição natural, o que poderia gerar fungos entre outros. Pois esses resíduos poderiam ser facilmente reaproveitados. Se misturados com outros materiais, como o papel reciclado, podem resultar em placas para revestimento de paredes em ambientes com alta propagação de sons, como é o caso das salas de aula; revestimento em móveis; e mais.

(imagens extraídas de Ecoeficientes e Casa Claudia)

Veja Também: Inovação e sustentabilidade: como as garrafas PET estão servindo de insumo para a construção civil

Bitucas de Cigarro

Diariamente, cerca de 13 milhões de bitucas de cigarro são descartadas no meio ambiente no mundo todo. Elas podem levar até 5 anos para decompor.  Enquanto isso, são liberadas, pelo solo e pelos rios, quase 5 mil substâncias tóxicas. Como uma alternativa de compensar a produção desses resíduos, o pesquisador Abbas Mohajerani, da Universidade RMIT, na Austrália, criou um tipo de tijolo que mescla argila e bitucas em sua composição. Em tese, seu processo de fabricação não apresentaria riscos de contaminação, já que durante a queima das peças os poluentes ficariam presos aos tijolos – aliás, a sua queima seria mais rápida, economizando energia. O produto final também seria mais leve e com melhores propriedades de isolamento térmico, em relação aos modelos tradicionais.

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“A incorporação de bitucas em tijolos pode, efetivamente, resolver um dos problemas globais de lixo. Eles [tijolos] também são mais baratos para produzir em termo de consumo de energia, e quanto mais bitucas são incorporadas, menor o custo de energia”

– Dr. Abbas Mohajerani, em reportagens de Ciclo Vivo e Concreto em Curva.

(imagem extraída de The Greennest Post)
(imagem extraída de Contru Liga)

Veja Também: Startup produz blocos com lixo reciclado recolhido nos oceanos

Pneus Usados

O não reaproveitamento de pneus usados – que costumam ser simplesmente descartados na natureza – é um dos maiores problemas visto pelos ambientalistas e sanitaristas. Acredita-se que 2 milhões de novos pneus são fabricados todos os dias no mundo. Já o descarte de pneus velhos chega a atingir, anualmente, a marca de quase 800 milhões de unidades. Pensando nisso, os construtores tem permitido a utilização desse material em seus projetos, principalmente naqueles para as comunidades mais pobres, com pouco acesso a recursos ou que dispõe de menos tempo para construir suas moradias – e o resultado é bem interessante.

(imagem extraída de Praxis)

Material reciclado

Construções feitas com pneus podem não ter a arquitetura mais bela ou chique, mas são confortáveis e visualmente agradáveis. Devido às propriedades da borracha, os interiores costumam apresentar sempre uma temperatura estável, sem depender de climatizadores. A massa térmica, a resistência e a estabilidade das paredes são aumentadas com o preenchimento de terra. Claro que o bom desempenho está relacionado com uma série de fatores. Primeiro, com a conservação das peças. Segundo, a situação da superfície, da base. E por último, o preenchimento dos vãos, que pode ser feito com barro e arrematado, posteriormente, com gesso.

“O pneu já é borracha com uma cinta de aço em volta, então é totalmente seguro. Quando você enche com terra do próprio local estufa o pneu e ele pesa mais de 150 quilos. Então, é uma parede estrutural muito forte.”

– biólogo Yuri Sanada, em reportagem de FPCAD.

(imagem extraída de Pinterest)
(imagem extraída de Pinterest)

São exemplos de aplicabilidade dos pneus em processos envolvidos na construção civil: revestimento de cobertura, substituindo telhas cerâmicas, metálicas e de fibrocimento; isolamento térmico; piso asfáltico; peças para formação de paredes, muros de contenção, muros comuns, contenção de margens de córregos, escadas, galerias pluviais e mais; e primeiras fiadas sobre fundações, já que os pneus podem ser colocados diretamente sobre a terra, sem sofrer alterações por efeito de qualquer umidade existente no local.


Fontes: Setor ReiclagemCiclo VivoiConstruindoArcDailyUniverso Jatobá.

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Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; especialista em Artes Visuais; estudante de Jornalismo Digital e proprietária da empresa Visual Ideias - Redação, Edição e Produção de Conteúdos.