Engenharia 360

Habitações indígenas: como a Arquitetura atual se inspira na fusão da cultura brasileira?

Engenharia 360
por Simone Tagliani
| 19/04/2022 5 min

Habitações indígenas: como a Arquitetura atual se inspira na fusão da cultura brasileira?

por Simone Tagliani | 19/04/2022
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A Arquitetura Contemporânea está sempre olhando para o futuro, mas sem se esquecer do passado. Aliás, ela se inspira em produções anteriores dando atenção, sobretudo, para o uso de materiais e técnicas construtivas na criação de soluções inovadoras para os problemas atuais de nossas vidas – como conforto térmico e desafios de estruturas. O bom é que o Brasil apresenta uma grande diversidade de culturas, incluindo as indígenas. Foram estes povos que habitaram o nosso território por anos, antes do contato com os jesuítas, colonizadores e africanos. Por conta disso tudo, hoje o nosso país apresenta uma rica fusão de culturas. E o que chamamos hoje de ‘arquitetura tipicamente brasileira’ tem muito das antigas tradições indígenas. Saiba mais neste texto!

arquitetura indígena
Imagem reproduzida de Unicamp

Os modelos construtivos tradicionais indígenas

Muitos índios brasileiros vivem, neste momento, do mesmo jeito que a maioria da população do nosso país, frequentando áreas urbanas, usando celular, dirigindo veículos com tecnologia de ponta, e mais. Contudo, é óbvio que isso representa só uma parcela muito, mas muito pequena dos grupos indígenas. Existe, apesar das dificuldades, um movimento de resistência, que tenta manter, ao máximo, as tradições desses povos. Por isso, em muitas comunidades, o modo de vida se mantém igual por gerações, com sistemas construtivos bem parecidos.

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Por exemplo, certamente você já deve ter ouvido falar das aldeias, que são clareiras abertas nas florestas com proteção de anel externo feito de vegetação natural. Do lado externo, os índios fazem o cultivo dos seus alimentos; já do lado de dentro, erguem as suas habitações, como as ocas. Esse é o nome dado às casas unifamiliares erguidas nas aldeias. Claro que se trata apenas de uma solução arquitetônica entre muitas que podemos aprender com os índios. Tem ainda as malocas, que já são construções distribuídas ortogonalmente, formando uma grande praça central na qual atividades do cotidiano são realizadas, como festas, rituais sagrados e cerimônias.

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Imagem reproduzida de Viva Decora

As casas dos índios brasileiros

Os modelos de casas que apresentamos a seguir foram estudados durante séculos pela Arquitetura. Infelizmente, alguns deles foram alvos de ataques por missionários, exploradores de terras, entre outros; por conta disso, ficaram esquecidos, em completo abandono. Inclusive, essa é a maior justificativa do resgate desse conhecimento, para que as próximas gerações não esqueçam da herança indígena por meio dessas construções. Inspire-se com as informações transmitidas a seguir!

Tipo 1

o primeiro modelo são as portabas, muito utilizadas por índios Tupis. São conjuntos de 4 a 10 ocas, onde residem várias famílias – podendo chegar a 400 pessoas. Casas distribuídas de forma ortogonal nas aldeias, com estruturas que chegam a ter cerca de 200 metros de comprimento e 12 metros de largura, com cobertura de palha.

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Imagem reproduzida de Comissão Pró-Índio de São Paulo

Tipo 2

Os índios Jês e Xavantes já construíam um lar mais redondo, com a cumeeira apontada para cima e “portas” baixas, que os forçava a abaixar na passagem, em sinal de respeito.

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Imagem reproduzida de G1 – Globo
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Imagem reproduzida de Twitter Arqueo e Espírito

Tipo 3

Os Carajás moravam às margens do Rio Araguaia. Sua aldeia era bem mais complexa, com casas em formato retangular. Essas estruturas eram mais reforçadas, com 3 arcos paralelos formando um par de pilares fincados no chão e vigas amarradas em suas extremidades na cumeeira.

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Imagem reproduzida de mapio.net

Tipo 4

Olha que interessante, os índios do Xingu já fazem as suas ocas em formato lembrando partes de corpos de animais ou do próprio ser humano – sendo a frente da construção o “peito” e os fundos as “costas”. E tem ainda o modelo seguido pelos Xinguanos, que associa suas construções a espécies de proteção xamânica. Em ambos os casos, a zona íntima, por assim dizer, é diagramada pelos semicírculos laterais da edificação. E a vedação lateral é feita de madeira e bambu.

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Imagem reproduzida de Pinterest

Tipo 5

Os índios Yanomamis já constroem as suas casas – chamadas de shabonos – também em formato circular, com um vão central de 15 metros, coberto por folhas de palmeiras sobre grande estrutura de galhos e varas. Contudo, a dimensão do complexo vai depender do número de ocupantes que abriga, sendo apenas um grupo familiar em cada.

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Imagem reproduzida de Survival Internationa

Veja Também: Conheça 3 novas estratégias de construção com materiais alternativos

A influência das obras indígenas na Arquitetura atual

Muitas casas pequenas que construímos em áreas mais urbanas, sim, apresentam arquitetura que tem tudo a ver com as obras tradicionais indígenas. Também casas de roça, cabanas de palha, abrigos provisórios e malocas. Sem contar que as varandas são uma herança da cultura indígena, assim como estruturas com amarrações de varas, por exemplo. E aquelas “peneirinhas” muitas vezes usadas em fechamento de portas, janelas e forros? Exatamente! Está relacionado!

O modo vernacular de construção

Como é possível ver nas imagens deste texto, os índios sempre utilizaram muita madeira, palha e bambu. Essa é uma das características mais importantes das casas indígenas, ser uma construção que integra materiais vegetais – o que faz muito sentido com o local onde vivem esses povos e o seu modo de vida, bem mais em harmonia com a natureza. Isso inspira muitas outras pessoas ao redor do mundo, que desejam reduzir o impacto da sua existência sobre o meio ambiente.

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Imagem reproduzida de Archtrends Portobello
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Imagem reproduzida de Pinterest

Uma consequência disso é o surgimento da Arquitetura Vernacular, cujas construções são erguidas com materiais menos elaborados. O produto é o que poderíamos chamar de ‘tecnologia avançada’, “que se vale de recursos humanos e materiais acessíveis para alcançar, mediante seu aperfeiçoamento e desenvolvimento, o mais alto grau de produtividade para conseguir um habitat adequado para cada região e seus modos de vida, tanto em qualidade como em quantidade”, lembrou Marina Waisman, em reportagem de ArchDaily. Você concorda? Escreva sua opinião nos comentários!

Veja Também: 6 estruturas antigas que continuam sem explicação até hoje


Fontes: CAU – RN, Wikipedia, ArchTrends, ArchDaily.

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Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; técnica em Publicidade; pós-graduada em Artes Visuais e Jornalismo Digital; e proprietária da empresa Visual Ideias.

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