Engenharia 360

Boeing planeja usar Metaverso para construir aviões: "Trata-se de fortalecer a Engenharia"

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por Samira Gomes
| 27/12/2021 | Atualizado em 11/02/2022 3 min

Boeing planeja usar Metaverso para construir aviões: "Trata-se de fortalecer a Engenharia"

por Samira Gomes | 27/12/2021 | Atualizado em 11/02/2022

No final de 2018, a Boeing era afetada pelo início de uma crise quase interminável. Com a queda de duas aeronaves do modelo 737 MAX, em 2018 e 2019, que vitimou mais de 300 pessoas, a empresa aeroespacial americana teve um prejuízo de mais de US$ 150 bilhões. Isso foi devido à decisão de deixar todos os aviões desse modelo no solo, durante 20 meses. Hoje, a fabricante busca revalidar seu domínio na Engenharia, aderindo a um mundo virtual imersivo que utiliza realidade virtual ou realidade aumentada e é acessível por meio da internet: o Metaverso.

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Boeing 737 MAX ocasionou acidentes fatais na Etiópia e Indonésia. Foto: Boeing

A nova estratégia ambiciosa da Boeing é projetar seu próximo avião no Metaverso. A ideia é unir as extensas operações de produção, design e serviços aéreos em um único ecossistema digital. A empresa pretende, também, adicionar projetos imersivos de engenharia 3D, combinados com robôs comunicativos à sua fábrica do futuro. Além disso, conectar mecânicos em todo o mundo através de headsets HoloLens da Microsoft, que custam US$ 3.500.

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Segundo fontes internas, a elaboração de metas para otimizar a qualidade e a segurança assumiram uma maior urgência, em virtude das ameaças que a Boeing vem enfrentando. A fabricante norte-americana iniciou o ano de 2021 com uma multa de US$ 2,5 bilhões após ter sido criminalmente acusada de conspiração contra os EUA. Enfim, essa foi uma tentativa de lesar o país em um caso referente à queda dos aviões 737 MAX.

Em sua primeira entrevista, após quase dois anos, o engenheiro-chefe da Boeing, Greg Hyslop, disse à Reuters que o enfoque da empresa é mudar os métodos de trabalho na organização como um todo, para prevenir futuros problemas de fabricação. A saber, essa tendência já é adotada por corporações como Ford, Nike e Meta Platforms.

Boeing pode levar até seis meses para encontrar solução
Linha de produção da fábrica da Boeing em Seattle. Foto: Internal RMS 

Veja Também: Tecnologia inovadora: os aviões que decolam quase na vertical

Como funciona o Metaverso na aviação?

O Metaverso pode funcionar através de uma próxima aeronave acompanhada por cópias virtuais tridimensionais (ou jatos “gêmeos digitais”) ligadas a um sistema de produção capaz de executar simulações. Os modelos digitais são suportados por uma espécie de “linha digital” que conecta todas as informações sobre a aeronave desde o estágio inicial, estendendo-se profundamente na cadeia de suprimentos.

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A expectativa da Boeing é que as ferramentas digitais do Metaverso possibilitem construir uma aeronave do zero em no máximo cinco anos. “Você obterá velocidade, qualidade aprimorada, melhor comunicação e melhor capacidade de resposta quando ocorrerem problemas”, explicou Hyslop. “Quando a qualidade da base de abastecimento é melhor, quando a construção do avião é mais harmoniosa, quando você minimiza o retrabalho, o desempenho financeiro segue daí”, finalizou.

Transformação digital é o suficiente?

A Boeing também admite que somente a tecnologia digital não funciona como uma solução absoluta e deve ser seguida por mudanças organizacionais e culturais em toda a corporação, segundo fontes da indústria.

Recentemente, a empresa contratou a engenheira veterana Linda Hapgood, para supervisionar a “transformação digital”, que já foi supervisionada por mais de 100 engenheiros, de acordo com uma fonte do setor. Hapgood é conhecida por transformar desenhos dos feixes de afiação do navio 767 em imagens 3D e, posteriormente, equipar a mecânica com tablets e fones de ouvido de realidade aumentada HoloLens. Fontes afirmam que isso possibilitou 90% de melhora da qualidade.

A Boeing “construiu” o primeiro jato T-7A simulado com base em um projeto modelo. Demorou apenas 36 meses para o T-7A ir ao mercado. Mesmo assim, o programa ainda está lutando para lidar com a escassez de peças, atrasos no projeto e requisitos de testes adicionais. Hyslop afirma que se trata de um “jogo longo” e que cada esforço vinha ajudando a resolver parte do problema. Entretanto, o objetivo agora é “fazer de ponta a ponta”.

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Samira Gomes

Engenheira de Produção em formação no Vale do São Francisco. Nordestina fascinada pela escrita e por tecnologia. Tem como objetivo levar conhecimento sobre engenharia, por meio da leitura, pois acredita no potencial das palavras para o enriquecimento intelectual.