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Barbara Liskov: uma das profissionais por trás do formato das linguagens de programação

por Kamila Jessie | 15/01/2020

Barbara Liskov foi pioneira na abordagem moderna para escrever códigos. Aqui a gente conta um pouquinho sobre quem ela é e seu papel no formato das linguagens de programação.

Quem é Barbara Liskov?

Primeira mulher dos Estados Unidos a obter um grau de doutorado
(o suado PhD.), Barbara Liskov, enquanto doutoranda em ciência da computação,
em 1968, pela Stanford
University (que o Engenharia 360 conheceu)
invejava os engenheiros eletricistas.
Ela dizia isso porque esses profissionais trabalhavam com hardware conectado
por fios. Essa arquitetura naturalmente permitiu que eles dividissem problemas em
módulos, uma abordagem que lhes dava mais controle, pois permitia que eles
raciocinassem independentemente sobre componentes discretos. Como cientista da
computação, pensando em código, Liskov não tinha objetos físicos para manipular.

Barbara Liskov, e a gente insiste em nome e sobrenome para
que ela tenha destaque, que estudou matemática na Universidade da Califórnia,
Berkeley, queria abordar a programação não como um problema técnico, mas como
um problema matemático. No caso, a elaboração de códigos deveria ser algo que pudesse
ser informado e guiado por princípios lógicos e beleza estética. Ela queria
organizar o software para poder exercer controle sobre ele, além de entender
sua complexidade. E aí vem aquela coisa de matemática ser linguagem e
programação também.

Barbara Liskov Engenharia 360
Imagem: Cody O’Loughlin / Quanta Magazine.

Contribuições para programação

Quando Barbara Liskov, ainda era uma jovem professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, sim, o MIT, ela liderou a equipe que criou a primeira linguagem de programação que não se baseava em declarações go to. A linguagem, CLU (abreviação de cluster), contava com uma abordagem que ela inventou – abstração de dados – que organizava o código em módulos. Toda linguagem de programação importante usada atualmente, incluindo Java, C++ e C#, é descendente de CLU.

Lá no MIT, Liskov é
atualmente professora no Departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da
Computação. Em sua trajetória profissional, liderou muitos projetos
significativos, incluindo o sistema operacional Vénus, um sistema interativo
pequeno, de baixo custo e compartilhado. Além disso, seu nome é
memorável em pesquisa, na medida em que é autora de mais de 140 artigos científicos.

Em 2002, ela foi reconhecida como uma das maiores professoras pelo MIT e integrante dos 50 maiores professores de ciência dos Estados Unidos. Em 2004, Bárbara ganhou a Medalha John Neumann de “Contribuições Fundamentais para Linguagem de Programação, Metodologia de Programação e Computação Distribuída”. E para completar, Barbara Liskov recebeu em 2008 o Prêmio Turing  por seu trabalho na concepção de linguagens de programação e de metodologia de software que levaram ao desenvolvimento da programação orientada para objetos.

Barbara Liskov John Neumann Engenharia 360
Imagem: Cody O’Loughlin / Quanta Magazine.

Comentários sobre mulheres
na ciência

Barbara Liskov, em
entrevista na Quanta magazine, reconhece seu privilégio e expõe que a realidade
no período em que decidiu (e pôde) estudar era árdua. Entretanto, menciona
também que “(…) as coisas não estão
realmente melhores agora do que eram então. Talvez eu tenha tido sorte. Se eu
tivesse me casado logo depois da faculdade, provavelmente teria terminado em um
lugar totalmente diferente.
” E com isso, ela não coloca nenhuma regra ou
juízo de valor, mas expõe diferentes caminhos, situações e possibilidades.

Vale lembrar, que quando foi
para o MIT, a proporção de membros homens de departamentos em relação a
mulheres era de 100:1. Durante sua carreira e desenvolvimento acadêmico, por
mais que ela fosse bem, não havia elogios, incentivos ou perspectivas sociais
de vê-la numa posição ou cargo. Não era normal.

Mas figuras assim devem ser inspiradoras e a gente vai sempre apoiar mulheres na ciência e engenharia. Abaixo, você pode conferir um vídeo da própria Bárbara Liskov, em inglês, onde ela menciona seu ponto de vista sobre o desenvolvimento da ciência da computação e, claro, aponta o papel das mulheres.

Fonte: Quanta magazine.

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Kamila Jessie

Engenheira ambiental e sanitarista, MSc. e atualmente doutoranda em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo. http://orcid.org/0000-0002-6881-4217