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Como a análise de construtibilidade otimiza a gestão de obras

por Matheus Martins | 04/03/2020
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A construtibilidade é definida pelo Construction Industry Institute (CII) como “o uso ótimo do conhecimento e experiência nas fases de planejamento, projeto, suprimento, e operações de campo de forma a se alcançar os objetivos gerais do empreendimento“.

O engenheiro, autor e professor Aldo Dórea Mattos ainda nos alerta sobre o termo “construtibilidade”. O termo não existe no dicionário brasileiro, trata-se de uma apropriação e tradução do termo inglês “constructability”. Pode buscar no dicionário!

A construtibilidade é inerente à uma análise de nível gerencial que vai desde a etapa preliminar do projeto, planejamento à execução de uma obra. É a aplicação do conhecimento técnico e da experiência dos profissionais ao longo dessas fases.

Mãos de pessoas em uma mesa analisando e apontando para folhas de projetos.
Imagem: freepik.com

A análise de construtibilidade deve iniciar na fase inicial do planejamento, seguir durante o ciclo de planejamento até a fase de implementação do programa ou projeto proposto. Esta análise tem grande potencial de redução de impactos sobre o tempo e o custo de uma obra.

O objetivo desta abordagem é ter análise contínua durante a vida do projeto para possibilita a otimização o planejamento dos custos e do cronograma, ao tempo que mitiga os riscos.

Maquete eletrônica de edificação sobre folhas de projetos e gráficos.
Imagem: projekt.la-k.de

Imagine na fase de projetos, em uma realidade atual, de digitalização dos processos. Em um ciclo de projetos em BIM, se não houver análise e avaliação dos fluxos de trabalho corretamente, na comunicação e interoperabilidade entre os projetistas, os problemas ocorrerão. Por isso, a análise da construtibilidade é relevante.

Pense que durante o planejamento de uma obra com estrutura pré-moldada de concreto, foi feito um cronograma e orçamento para o transporte das peças até o canteiro. Mas durante o transporte, exista um trecho da estrada que o caminhão ou a peça não passe. Ou ainda que, ao chegar no local, o canteiro não possua espaço para acomodação dos materiais.

Nesse tipo de avaliação é que está o esforço da análise de construtibilidade. É preciso pensar em tudo e imaginar o que pode dar errado, afinal, a lei de Murphy não dá folga.

Homens de capacete em canteiro de obra olhando para a mesma direção.
Imagem: i.pinimg.com

De acordo com a recomendação de boas práticas da CII, a RT-034 Constructability Implementation, os benefícios de uma implementação eficaz da construtibilidade são:

  • Redução do custo total do projeto em 4.3%, em média.
  • Redução do cronograma final do projeto em 7.5%, em média.
  • Melhora da qualidade do projeto (manutenção, confiabilidade e operabilidade).
  • Melhoria de segurança do projeto e diminuição dos impactos ambientais.
  • Minimização do retrabalho e do replanejamento do projeto.
Homem desenhando seta apontada para cima em indicação de crescimento num gráfico.
Imagem: contioutra.com

A CII ainda estabelece os níveis de implantação da análise de construtibilidade em nível organizacional, sendo eles:

  • Nível 1 – Sem Programa
  • Nível 2 – Aplicação de suportes selecionados
  • Nível 3 – Programa Informal
  • Nível 4 – Programa Formal
  • Nível 5 – Programa formal abrangente

São vários os aspectos a se considerar, no entanto, podemos sintetizar que é as estratégias são ligadas na identificação criteriosa e análise do caminho crítico da construção, priorizar atividades críticas, identificar possíveis interferências entre trabalhos no campo, utilizar conceitos de projetos simples e padronizar processos. Além de tudo, uma das ideias centrais é incentivar o pensamento fora da caixa, objetivando encontrar práticas inovadoras que tragam ganho em algum aspecto em alguma etapa e do projeto no geral.

Maquete com homens em miniatura trabalhando em maquete sobre folha de projeto.
Imagem: amazonaws.com

Verifica-se que o conceito é comum também com estratégias de gestão do Project Management Institute (PMI) e da Association for the Advancement of Cost Engineering (AACE).

Recomendações importantes sobre o assunto podem ser encontradas nas Práticas Recomendadas da AACE 30R‐03 Implementação de
Construtibilidade em Projetos e 48R‐06 Revisão de Construtibilidade em Cronogramas.

Fonte: CII, AACE, Buildin, PMKB, BlogTek.

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Matheus Alves Martins

Mestrando em Ciência dos Materiais, Engenheiro Civil, MBA em Gestão de Projetos e Auditor Líder ISO 9001:2015. Um sul-mato-grossense entusiasta da gestão, da qualidade e da inovação na indústria da construção. Fã de tecnologias e eterno estudante de engenharia.

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