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A importância do estágio na engenharia civil: depoimentos

por Júlia Sott | 19/11/2020
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Eles falaram sobre escolhas, rotina, estágio, reprovações na faculdade, dificuldades enfrentadas e também deram ótimos conselhos!

Como eu sempre falo aqui: ouvir as experiências da galera que tem uma trajetória parecida com a nossa pode agregar muito na nossa vida! E foi por isso que hoje eu trouxe 2 parceiros meus para contarem sobre seus estágios em engenharia e como isso faz toda a diferença na carreira de um engenheiro que quer ingressar no mercado!

Eles falaram sobre escolhas, rotina, estágio, reprovações na faculdade, dificuldades enfrentadas e também deram ótimos conselhos! Se liga aí no que o Igor Kist e o Lucas Marques têm para nos contar!

Por que vocês escolheram esse curso?

Igor:

“A escolha da engenharia civil foi algo que aconteceu naturalmente. Desde criança eu ficava fascinado ao observar as obras pela cidade, as residências e os prédios sendo construídos. Lembro do meu primeiro questionamento quando criança, que era ‘como os construtores conseguiam fazer os vãos das janelas e portas sem que todos os tijolos caíssem?’, bendita vergas e escoras!”.

“O início da faculdade foi até certo ponto bem desanimador pra mim, pois eu iniciei o estágio um mês antes de ter a minha primeira aula da faculdade. Logo no primeiro semestre eu via que o que eu estava aprendendo era completamente diferente do que eu já estava vivenciando, o que eu gostava mesmo era do estágio. Porém, assim que passei da metade do curso, comecei a ter apenas as cadeiras específicas de engenharia. Aí sim, tudo virou uma maravilha, pois eu juntava os ensinamentos das aulas com meu dia a dia do estágio.”

Lucas:

“A engenharia civil nunca foi minha primeira opção, foi algo que simplesmente aconteceu. Como fiz todo meu ensino médio em uma escola técnica em agropecuária, a ideia inicial era seguir nesta área. Mas, aconteceu que não passei nos primeiros vestibulares, então dei tempo ao tempo. E foi neste meio tempo parado que veio meu primeiro emprego, com 17 anos, como jovem aprendiz em uma construtora da cidade. Eu era apenas auxiliar administrativo e fazia serviços como ir ao banco, arquivar documentos e algumas vezes digitar orçamentos.”

“Porém, já com seis meses na empresa acabei simpatizando com a área. Olhava aquelas plantas e achava tudo muito interessante! Fazia algumas visitas em obras, sem nem ter ideia do que estava fazendo e também comecei a conviver com os materiais usados na área. Foi neste mesmo meio ano que resolvi prestar vestibular na área e entrando na faculdade.”

“Contudo, como qualquer estudante, no começo estava um pouco perdido, mas disposto a aprender. Acabei reprovando em algumas cadeiras, pois não estava acostumado ainda com a rotina de conciliar trabalho e estudo, mas o trabalho me agregou demais! Da metade para o final do curso começaram cadeiras mais práticas, deixando tudo mais óbvio e facilitando o aprendizado.”

Em qual semestre vocês começaram a estagiar e como conseguiram a vaga?

Igor:

“Eu estagiei em duas empresas, porém em três períodos diferentes. O primeiro estágio eu comecei um mês antes do início da faculdade, o qual consegui através de uma entrevista com um dos melhores e mais experientes engenheiros da cidade, em que as nossas famílias tinham um certo grau de amizade.”

”Mas, após 8 meses de estágio, acabei saindo por decisão própria e indo pra outra construtora. Passei em torno de 4 meses acompanhando voluntariamente a construção de um dos maiores edifícios aqui da minha cidade. Como a obra já estava na etapa de revestimentos acabei optando por sair e ficar apenas com os estudos. E, posteriormente, voltei para a primeira empresa que estagiei, a Portlan Engenharia, na qual já estou há quase quatro anos.”

Lucas:

“Quando comecei a faculdade ainda fiquei seis meses como Jovem Aprendiz, já um pouco ambientado com a área. Assim que saí da empresa, tive sorte e logo apareceu a oportunidade de estagiar em um escritório, na época novo na cidade.”

“Eu era aquele estudante curioso, com vontade de trabalhar na área e aprender mais do que a faculdade me ofertava. Neste estágio aceitei trocar trabalho por experiência e aprendizado, e posso dizer que foi algo que abriu muito minha cabeça para a construção civil.”

Como foi começar a estagiar? Conte-nos como era sua rotina, seus deveres e como foi conciliar o estágio com a faculdade

imagem de casa em construção ilustrando estágio em engenharia
Imagem: Lucas Marques

Igor:

“O começo do estágio foi bem complicado, pois eu não tinha nada de conhecimento de engenharia. O engenheiro com quem eu trabalhava (e trabalho atualmente) era extremamente exigente, me cobrava como cobrava qualquer outro estagiário que havia na empresa e que já tinha mais experiência que eu. Nos primeiros dois meses eu ficava meio turno na empresa, e a partir disso comecei a ficar em tempo integral, em torno de 8h/dia.”

“Meus deveres normalmente eram em iniciar os quantitativos dos orçamentos, memoriais descritivos, todos os documentos necessários para aprovações de projetos e até mesmo fazer ART, na qual eu fiz a minha primeira quando estava no primeiro mês de faculdade (obviamente supervisionado e instruído pelo engenheiro).”

“A parte mais difícil com certeza foi conciliar a faculdade com o estágio, pois eu estudava em outra cidade, aproximadamente 110 km de onde moro, então eram 3 horas de viagem diária de ônibus, as aulas e mais as 8 horas de estágio. Eu sempre estava cansado, mas era o que eu gostava de fazer, então segui firme por todo o primeiro semestre.”

”Porém, quando reprovei em algumas cadeiras achei melhor parar no oitavo mês, para focar mais na faculdade. Como eu havia gostado tanto de fazer estágio e sabia que muitas das coisas que eu estava aprendendo ali no começo não eram utilizadas no dia a dia, acabei voltando a estagiar, por mais que fosse extremamente desgastante, era realmente o que eu gostava de fazer.”

Lucas:

“Eu fiz mais de um estágio durante a faculdade. No primeiro, onde troquei trabalho por aprendizado, foi onde aprendi a fazer projetos. Também tive a oportunidade de fazer memoriais descritivos e laudos técnicos, sempre com auxílio, e durou em torno de 1 ano.”

”O segundo estágio eu fiz na Prefeitura Municipal, no cadastro de IPTU do município, onde eu recebia as matrículas do registro de imóveis e atualizava os registros do município. Foi algo diferente dos estágios mais comuns da área, que são com projetos e obras. Porém a engenharia civil vai além disso e foi ali que aprendi a trabalhar melhor com documentos, aprendendo a ler e desenrolar os famosos ‘pepinos'”.

”Após estes dois estágios trabalhei com alguns engenheiros do município, na maioria das vezes em casa mesmo, fazendo projetos, na tentativa de ter uma renda. Foi aí que acabei tendo a ideia de começar algo por conta na área de projetos mesmo, incluindo um diferencial: maquetes eletrônicas. E sim, estava dando certo, porém eu achava que ainda faltava algo e acabei dando um tempo para ir atrás de outro estágio que pudesse agregar mais.”

”Foi então que tive a oportunidade de trabalhar na empresa Flach & Werle, uma empresa de renome no município. E nesta altura da faculdade, já mais preparado e com facilidade de enxergar com clareza como é a engenharia, tive oportunidade de adquirir mais experiência prática e tudo acabou acontecendo ao natural e é onde estou trabalhando hoje.”

”Desde o começo do curso sempre trabalhei na área e nunca tive medo. Apesar de ser difícil conciliar trabalho, enfrentar viagens de quase 3 horas diárias, mais o estudo, tendo que manter as cadeiras em dia, algumas vezes até reprovando, era necessário trabalhar. Era algo que me agregava muito conhecimento e do meu jeito eu sempre resolvia os meus problemas, nunca pensando em desistir e acreditando que tudo tinha um motivo.”

Que importância você dá para o estágio e quais os maiores aprendizados que você tirou disso?

Igor:

Eu realmente acho que o estágio é a verdadeira faculdade. Por mais que a matemática seja exata, a engenharia não é! Cada obra é uma obra, cada situação é uma situação em que se pode resolver de “n” maneiras diferentes. Em um se faz assim, na outra se faz assado, mas sempre levando em conta o embasamento teórico que a faculdade lhe dá.”

”Um grande aprendizado foi a convivência e contato com os clientes. Ao longo do tempo se tornou extremamente fácil entender o que eles queriam te pedir mesmo antes de eles terminarem o diálogo. A convivência com os profissionais das obras (mestre de obras, pedreiro e serventes) foi também de grande valia! Com eles aprendemos o cotidiano da obras, as gírias e vários métodos de construção civil que a faculdade só lhe dá em imagens em slides.”

”Contudo, o maior aprendizado de todos foram os incontáveis “se vira” do meu chefe. Ele inicialmente fazia com que eu penasse me virando sozinho, desde o começo do estágio e até mesmo hoje que estou no último, me dando o maior ensinamento de todos: na obra, a tua palavra é a última que vale! Tu és o responsável, então pesquise, raciocine, faça o certo e principalmente, demonstre segurança no que você decidir.”

Lucas:

”Eu acredito que todo o estudante que tiver a oportunidade de estagiar durante a faculdade, por mais complicado que seja a conciliação do estudo com o trabalho, deve aproveitar. A verdade é que estágio é algo que facilita muito a vida profissional depois, pois a prática é um complemento para a teoria. Mesmo que tenhamos algumas práticas e visitas técnicas durante a faculdade, ainda falta muito. Não temos aquela convivência do dia-a-dia, de ir em obras e enxergar as falhas, e são com elas que aprendemos!”

”Também não existe aquela convivência com pessoas, tanto clientes quanto os profissionais que trabalham em conjunto conosco. E algo que eu sempre digo é: o mais complicado é se acertar com pessoas. Portanto, o aprendizado é diário, a cada dia uma coisa nova, cada obra é de um jeito e cada cliente tem atitudes diferentes.”

”Eu não critico de maneira alguma quem apenas estuda. Porém é depois de formado que vamos agradecer as oportunidades aproveitadas durante a faculdade, e é isso que torna tudo muito mais fácil.”

Quais conselhos vocês dariam para os estudantes que estão iniciando a faculdade de engenharia civil?

Igor:

Fazer estágio o quanto antes, e sempre que puder, mesmo que não seja remunerado. É no estágio em que você vai descobrir suas maiores afinidades nas áreas da engenharia civil, a qual tem um enorme campo de atuação. Sempre haverá um maior interesse em uma ou outra disciplina, e com o estágio você poderá adquirir diversos ensinamentos e experiências que poderão te diferenciar dos demais no mercado de trabalho.”

Lucas:

O conselho que eu dou é: não pense somente no financeiro, pense no que irá te agregar em experiência e conhecimento. Não precisa pressa, as coisas acontecem ao natural e no tempo certo. Procure um estágio logo cedo, ele te abrirá portas! Te ajudará a amadurecer, crescer como pessoa e irá te preparar para a vida profissional, ajudando a escolher o melhor caminho na área. Aproveite todas as oportunidades que a faculdade te dá, pois tudo soma. Mantenha sempre os pés no chão e não tenha medo de encarar, mesmo que não souber, pois te forçará a ir atrás e aprender.”

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Júlia Sott

Engenheira Civil formada em 2018 pela UNIJUÍ e atualmente em busca de um trainee (até rimou). Após a formatura embarquei para os EUA para trabalhar, estudar e explorar o Vale do Silício por 1 ano, foi quando surgiu a oportunidade de escrever aqui! Também amo ler, viajar e sou cantora nas horas vagas. Sempre em busca de evolução, conhecimento, novas conexões e habilidades.

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