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A era do reconhecimento facial: estamos sendo escaneados?

por Larissa Fereguetti | 19/03/2019
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Recentemente, nós mostramos aqui no Engenharia 360 a polêmica do desafio dos 10 anos com o reconhecimento facial. Temas como esse mostram o quanto a tecnologia, ao mesmo tempo que melhora imensamente a qualidade de vida, também pode acabar nos prejudicando. No mesmo sentido, é possível levantar o questionamento sobre o fato de, na era do reconhecimento facial, sermos escaneados o tempo todo.

era do reconhecimento facial
Imagem: phys.org

+ Você está sendo escaneado?

Imagine que você sai de casa em uma bela manhã ensolarada e vai ao shopping. Para aproveitar o clima, você vai a pé e passa pelas ruas mais movimentadas da cidade. Então, você passa pela entrada no shopping e percorre várias lojas. Depois, vai até a praça de alimentação e termina seu passeio no cinema. Na volta para casa, você faz o mesmo percurso. Até aqui, tudo bem, nada de anormal no seu dia, certo? Errado!

A pergunta é: quantas vezes você foi escaneado nesse dia? Por quantas câmeras sua imagem foi capturada? Se os dados dessas câmeras fossem analisados por meio de um software de reconhecimento facial, provavelmente seria possível refazer todo o caminho que você fez naquele dia e, ainda, saber quais lojas você entrou e qual produto te agradou.

 era do reconhecimento facial
www.perpetuallineup.org

Parece assustador e muito tecnológico para você? Ok, você pode argumentar que “isso aqui é Brasil”, é provável que metade das câmeras não funcionem. Então, vamos a um exemplo que já é um pouco preocupante na Austrália.

+ O que acontece na Austrália?

Na Austrália, há várias câmeras ocultas embutidas em painéis de publicidade digital. O objetivo é determinar dados sobre quem vê a publicidade (como a idade) e também a reação da pessoa a ela. O sistema, instalado desde 2015, é da empresa francesa Quividi. Há 90% de precisão na detecção do gênero, 80% na detecção da reação, que varia de “muito feliz” a “muito infeliz”, e um erro de até 5 anos na detecção da idade.

Se você está se perguntado o que fazer com esses dados, a resposta é simples: estatísticas. Eles servem como base para que as empresas anunciantes descubram o impacto da sua publicidade. Ainda, a identificação do humor permite avaliar como eles se sentem em relação a uma determinada marca.

era do reconhecimento facial
Imagem: asmag.com

A vantagem é que a identificação dos compradores é feita por meio dos dados de idade e gênero, e não da imagem do indivíduo. As empresas que fazem esse monitoramento afirmam que não é diferente do que é feito na coleta de dados com base no histórico de pesquisa, visto que a pessoa não é identificada.

+ A era do reconhecimento facial

Até o momento que é aplicado para estatística de dados de publicidade, a situação parece não ser tão agravante. O problema é quando esses dados são usados para outra coisa. Por exemplo, é muito fácil rastrear os passos de alguém e há uma linha tênue entre o que é e o que não é invasão de privacidade.

Mas o futuro promete ainda mais. Em algumas lojas na China, já é possível fazer compras sem dinheiro. Basta escolher o que quer levar e deixar seu rosto ser escaneado para confirmar a compra. No Canadá, o reconhecimento facial já é usado para reconhecer “famosos” e acelerar o check-in e os procedimentos de segurança, evitando tumultos. Ele também é usado para uma situação importante: identificação de pessoas desaparecidas. Mas, quando associado à inteligência artificial, ele pode ser uma arma poderosa (e perigosa, se não usada com cautela), como nós já comentamos por aqui.

era do reconhecimento facial
Imagem: hackernoon.com

Assim, como toda tecnologia, o reconhecimento facial tem prós e contras que devem ser ponderados. Um problema é que, como tudo ainda é muito novo, ainda não há regulação efetiva. O reconhecimento facial pode ser, inclusive, mais eficiente que a identificação por meio de digitais. Não adianta colocar óculos de sol, maquiagem ou uma peruca: muitos softwares já reconhecem um indivíduo pela forma de andar (o que escapa do “facial”). Se continuar assim, não estamos muito longe de um futuro parecido com o mostrado no filme Anon (2018) ou, talvez, um episódio bizarro de Black Mirror.

Referências: The Guardian; Forbes.

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Larissa Fereguetti

Doutoranda, mestre e engenheira. Fascinada por tecnologia, curiosidades sem sentido e cultura (in)útil. Viciada em livros, filmes, séries e chocolate. Acredita que o conhecimento é precioso e que o bom humor é uma ferramenta indispensável para a sobrevivência.

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