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O desafio dos 10 anos é mesmo só uma brincadeira? Entenda a polêmica!

por Larissa Fereguetti | 07/03/2019
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Nas últimas semanas, o desafio dos 10 anos está bombando nas redes sociais, normalmente com a hashtag #10yearchallenge. Afinal, é divertido (e nostálgico) ver e mostrar seu eu de 10 anos atrás. Porém, uma teoria diz que há muito mais por trás da ideia. Será que o desafio dos 10 anos é mesmo só uma brincadeira?

desafio dos 10 anos

+ #10yearchallenge

O desafio consiste, basicamente, em pegar uma foto de 10 anos atrás (ou seja, de 2009) e postar ao lado de uma foto atual (de 2019). Assim, todo mundo pode ver o quanto as pessoas mudaram, seja por envelhecer ou rejuvenescer (como muitos Benjamin Button por aí), engordar ou emagrecer, crescer, etc.

A ideia é, além de um tanto recordar é viver, bem divertida. Porém, a polêmica toda começou quando Kate O’Neill, ligada à área de tecnologia, publicou um tweet um pouco sarcástico afirmando que, 10 anos atrás, ela provavelmente teria entrado no desafio. No entanto, no momento atual, ela pondera sobre como os dados podem ser usados para treinar algoritmos de reconhecimento facial na progressão da idade. Então, o tweet bombou e a dúvida se espalhou.

+ Qual a preocupação com o desafio dos 10 anos?

Um dos questionamentos contra a ideia é que os dados já estão disponíveis, visto que o Facebook tem todas as fotos de perfil. No entanto, no próprio texto que escreveu para a Wired, O’Neill coloca a seguinte hipótese para o questionamento: imagine que você quer treinar um algoritmo de reconhecimento facial nas características ligadas à idade. Nesse quesito, ajuda muito saber o intervalo entre as imagens (no caso, 10 anos). É possível, sim, usar o próprio banco de dados do Facebook, mas nem sempre as pessoas colocam imagens atuais como foto de perfil, então há muito ruído nos dados.

Os dados poderiam ser usados para treinar o próprio sistema de reconhecimento facial do Facebook. Porém, o Facebook alega que não iniciou a tendência, que não coleta os dados e que o usuário pode desativar a opção de reconhecimento facial quando quiser.

Uma vantagem no treinamento de algoritmos de reconhecimento facial é no uso para encontrar crianças desaparecidas. No entanto, é apenas uma pequena vantagem em um mar de desvantagens ligado à segurança da informação. Mesmo que o Facebook afirme que não usa os dados, não é difícil que qualquer pessoa monte um algoritmo de coleta e consiga um bom banco de dados ao procurar pela hashtag #10yearchallenge. Afinal, muitas contas são públicas. Quer um exemplo? Abra o Google Imagens, procure por “#10yearchallenge” e veja quantas fotos comparativas aparecem. Você também pode fazer isso procurando pela hashtag no Instagram ou no Twitter.

desafio dos 10 anos

+ Então, o desafio dos 10 anos é mesmo só uma brincadeira ou não?

Teoria da conspiração ou não, há um ponto por trás da brincadeira do desafio dos 10 anos que precisamos nos preocupar: a segurança dos nossos dados. É verdade que postamos fotos de forma constante e, assim, já alimentamos um banco de dados, mas a preocupação surge sobre o questionamento da finalidade com a qual esses dados são usados. Será que eles permanecem perdidos na imensidão da internet ou são coletados e usados para outros fins? Isso é uma questão que cabe não só as fotos, mas a tudo que postamos e tornamos público.

No fundo, você não precisa ficar paranoico sobre entrar em brincadeiras assim. Porém, vale ficar atento a alguns pontos antes de ingressar em qualquer rede social ou brincadeira na internet. Verifique as permissões e os termos de uso (aqueles que quase ninguém lê antes de clicar em “aceito”) e seja criterioso com relação ao que posta. Às vezes, fazer da vida “um livro aberto” pode te colocar em situações bem desconfortáveis.

Referências: Wired; Ten Daily; CBS News.

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Larissa Fereguetti

Doutoranda, mestre e engenheira. Fascinada por tecnologia, curiosidades sem sentido e cultura (in)útil. Viciada em livros, filmes, séries e chocolate. Acredita que o conhecimento é precioso e que o bom humor é uma ferramenta indispensável para a sobrevivência.

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