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Fundação de Nova York: a história dos 23 brasileiros que participaram da sua fundação

por Simone Tagliani | 15/04/2021

Milhares de turistas brasileiros vão à Nova York todos os anos e nem imaginam que a história do nosso país possui ligações com a história da fundação desta cidade e com a triste saga dos judeus em busca de um novo mundo para viver em paz, com liberdade religiosa.

Nova York é uma das maiores e mais bonitas cidades do mundo, visitada por milhares de turistas todos os anos. Quem a conhece sabe o quanto ela é cosmopolita, revelando uma incrível mistura de culturas que a torna completamente especial! Aliás, existe uma comunidade muito grande de brasileiros que habita este município. Mas você sabia que o Brasil também esteve envolvido na história da fundação dessa metrópole? Exatamente! Continue lendo para saber mais!

Nova York
Nova York hoje – imagem de Visite os USA

A triste história dos judeus pelo mundo

Sim, em Nova York vivem muitos brasileiros. Mas essa cidade também possui uma grande comunidade judaica, a maior depois de Tel Aviv, em Israel. Descendentes dessa cultura religiosa monoteísta somariam cerca de 2 milhões na região. Visitando o cemitério da comunidade, é possível encontrar lápides antigas de famílias com sobrenomes como Cardoso, Seixas e Fonseca. Estes seriam representantes dos 23 judeus saídos do Brasil que chegaram à grande colônia britânica no ano de 1654. Mas é claro que essa história não começa por aí!

Nova York
cemitério judeus Nova York – imagem de Brazilian Times

No período da Inquisição Europeia, por volta de 1500, muitos judeus viviam em Portugal e na Espanha. A perseguição dos cristãos a esse povo aumentava cada vez mais e muitos decidiram atravessar o oceano em busca de um novo mundo para viver em paz. Os judeus eram grandes navegadores e a coroa viu vantagem nisto, pensando na colonização das suas terras. E à eles foram, então, prometidas terras no nordeste brasileiro, em troca de que se converterem ao catolicismo – coisa que eles jamais fizeram, claro.

Nova York
Inquisição Europa – imagem de Youtube

Chegada dos judeus ao Brasil

Em 1630, 67 navios holandeses chegaram à costa brasileira – mais precisamente na região do litoral de Pernambuco – em busca de açúcar e pau-brasil – um acordo feito com a Coroa Portuguesa. Os holandeses trouxeram consigo centenas de judeus que eram especialistas no refino de açúcar e fluentes em português, por terem morado em Portugal. Nessa época, até mesmo os brasileiros ficaram animados, vendo neste acontecimento a possibilidade de uma maior liberdade religiosa na Colônia.

Enquanto esses judeus passaram a moraram no Brasil, a cidade de Recife foi redesenhada. A sabedoria desse povo ajudou no planejamento de canais, drenos, palácios, diques e jardins. O problema é que a Coroa Portuguesa continuava pressionando para que eles assumissem uma nova religião, a católica. Depois de 24 anos, Portugal retomou totalmente o controle de Pernambuco e deu um ultimato aos judeus para que saíssem do território em um prazo de 4 meses, ou teriam que lidar com a Inquisição. No pavor, muitos seguiram rumo ao sertão, outros preferiram entrar em barcos e fugir.

Nova York
judeus no Brasil – imagem de Genera

A ida dos judeus brasileiros para Nova York

 “Muitos de nós foram mortos, outros pereceram à míngua; Sobramos poucos, mesmo assim, expostos às humilhações. Os que estavam habituados a comer à mesa de ouro, davam-se felizes por um pedaço de pão seco e bolorento, num ambiente agitado.”

– relato do rabino Isaac Aboab da Fonseca na época da expulsão dos judeus de Pernambuco.

Não demorou muito para os judeus que ainda viviam no território de Pernambuco, no ano de 1654, resolvessem escapar de vez da pressão portuguesa. A maioria preferiu seguir pelo mar, indo em direção às Antilhas, que eram dominadas pelos holandeses. Mas teve aqueles que preferiram voltar os seus navios para Amsterdã.

Nova York
Piratas – imagem de Colégio Web

A viagem seria longa e no meio do caminho eles ainda encontraram um bando de piratas que destruíram a sua embarcação. Muitos morreram. Já os 23 sobreviventes – duas viúvas, 4 casais e 13 crianças –  foram resgatados por uma embarcação francesa que determinou que os levaria até a ilha mais próxima. Quando chegaram à Jamaica entenderam que poderiam ser julgados pela Inquisição. Então, eles continuaram no navio até o seu destino final, que ironicamente era a Nova Amsterdã, hoje conhecida como Nova York.

Nova York
Nova York antiga – imagem de Viajento

Chegada dos judeus em Nova York  

Os 23 judeus brasileiros que chegaram a Nova York estavam livres da inquisição, mas não foram recebidos muito bem. O governo local não queria que eles desembarcassem do navio. Mas um acordo comercial foi feito com os bens dos judeus – incluindo algumas mudas de pau-brasil -, que foram leiloados para que eles pudessem ficar sob a condição de não manter qualquer tipo de negócio ou praticar cultos judaicos na cidade – fora que não haveria nenhum auxílio financeiro.

Nova York
muda de pau-brasil – imagem de Blog da Plantei

A situação desses 23 judeus só começou a mudar depois que muitos outros judeus vindos da Europa e até da Jamaica, fugidos da Inquisição, passaram a desembarcar em Nova Amsterdã. Em 1664, quando a cidade já estava dominada pelos ingleses, eles já tiveram a permissão de ter a sua primeira sinagoga. Com o tempo, também abriram as suas próprias empresas – muitas ligadas às atividades da Companhia das Índias Ocidentais. Seus descendentes foram se multiplicando e ajudaram a povoar a região, posteriormente se espalhando pelo resto dos Estados Unidos.

Nova York
Sinagoga Nova York – imagem de Pinterest

Os descendentes diretos ou indiretos desses judeus brasileiros teriam, portanto, uma grande importância para a história de Nova York. Um deles seria Benjamin Mendes, nascido no ano de 1748, fundador da Bolsa de Nova York. A presença dos judeus também está evidente em outros símbolos desta cidade, como na Estátua da Liberdade – mas este é um tema para outro artigo.

Leia Também: New York City: 10 locais para visitar na cidade que encanta engenheiros e arquitetos


Fontes: R7, Aventuras na História, Revista Época, Revista Super Interessante.

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Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; especialista em Artes Visuais; estudante de Jornalismo Digital e proprietária da empresa Visual Ideias - Redação, Edição e Produção de Conteúdos.