Engenharia 360

A situação dos engenheiros no Brasil

Engenharia 360
por Larissa Fereguetti
| 01/06/2015 | Atualizado em 07/12/2023 4 min

A situação dos engenheiros no Brasil

por Larissa Fereguetti | 01/06/2015 | Atualizado em 07/12/2023
Engenharia 360

Eu estava vasculhando a internet quando encontrei um mapa (imagem abaixo) que traz a distribuição dos engenheiros no Brasil, os profissionais mais empregados e a remuneração. Não satisfeita, saí em busca de mais informações para descobrir por onde andam os engenheiros no Brasil.

Imagem publicada em: exame.abril.com.br
Imagem publicada em: exame.abril.com.br

Minha primeira conclusão ao ver a imagem foi: se está ruim para você, imagina para mim, que faço engenharia ambiental.

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Em 2010, havia 680.526 profissionais com diploma de engenharia. Destes, a estimativa é de que apenas 42% trabalham na área. Dos 42% que atuam na área, 65% estão na região Sudeste, 14% na região Sul, 13% no Nordeste, 5% no Centro-Oeste e 3% no Norte. Ainda, 153.341 profissionais estão na indústria, totalizando 54% dos engenheiros que atuam na área. Uma das críticas feitas à reduzida quantidade de profissionais que realmente atuam como engenheiros é que estes saem da graduação com pouca prática, tendo dificuldade em encontrar emprego.

Gráfico: portaldaindustria.com.br
Gráfico: portaldaindustria.com.br
Distribuição geográfica dos graduandos em engenharia. Engenheiros por 10.000 pessoas na força de trabalho. Imagem elaborada por Silva (2014), com dados do IBGE (2010) e publicada em: phi.com.br
Distribuição geográfica dos graduandos em engenharia. Engenheiros por 10.000 pessoas na força de trabalho. Imagem elaborada por Silva (2014), com dados do IBGE (2010) e publicada em: phi.com.br

Veja Também: Os desafios e perspectivas da engenharia no Brasil


O relatório sobre “Tendências e perspectivas da engenharia no Brasil” (2013) faz as seguintes considerações sobre a formação e o mercado de engenharia no país, após uma análise do período de 2000-2012:

A engenharia cresceu, bem acima do crescimento do ensino superior como um todo, ao considerar-se a variação de vagas, inscritos, ingressantes, matriculados e concluintes nos anos de 2000 e 2012. A maior variação percentual, nas engenharias, foi observada no número de inscritos: em 2000, 251.501 pessoas se inscreveram no vestibular no intuito de cursar engenharia; já em 2012, este número sobe para 1.438.049 pessoas, atingindo uma variação de 571%. Entretanto, esse número pode refletir a mudança no sistema de seleção, com a crescente adesão ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como forma única de acesso ao ensino superior e o estabelecimento do Sistema de Seleção Unificada (SISU), que amplia as chances de acesso ao ensino superior uma vez da possibilidade de escolha de cursos através da nota do ENEM.

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O acesso aos cursos de engenharia apresentou um percentual bem superior ao do ensino superior em geral: em 2000, 58.205 pessoas ingressaram nos cursos de engenharia, enquanto em 2012 esse número sobe para 224.087, apresentando uma variação de 384%.

O número de concluintes apresenta um crescimento mais modesto: para o ensino superior, em geral, em 2000 havia 352.305 concluintes, enquanto em 2012 esse número sobe para 876.901, configurando um crescimento de 248%; por sua vez, na engenharia, em 2000, graduaram-se 17.740 pessoas, sendo que em 2012 temos 54.173 concluintes, em um crescimento percentual de 305%.

A formação de engenheiros no Brasil, em comparação com outros países, ainda é insuficiente. Tomando nações com grandes proporções, tais como México e Estados Unidos, temos o primeiro apresentando 7,67 engenheiros por 10.000 habitantes, enquanto o segundo possui 5,22. O Brasil; por sua vez, formou em 2012 2,79 engenheiros para cada 10.000 habitantes, ficando atrás de Grécia e Turquia.

O mercado de trabalho em engenharia ainda é composto basicamente por pessoas do sexo masculino. Em 2000, havia 103.548 homens e 20.253 mulheres; em 2012 esse número passa 214.761 indivíduos do sexo masculino e 46.846 do sexo feminino.

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Os engenheiros em sua maioria estão empregados nos Serviços e na Indústria de Transformação, os setores mais tradicionais, uma vez ser líderes em contratação desses profissionais desde o início da série em estudo.

Com relação à produção científica, como era de se esperar, tomando a produção dos Brics em seu conjunto, a China desponta com a maior contribuição, chegando em 2012 a ser a responsável por cerca de 85% das publicações; a índia assume o segundo lugar com 8%; a Rússia detém 4%; por fim, o Brasil, com 3% das publicações em engenharia.

Imagem: pda-engineering.com
Imagem: pda-engineering.com

Depois de tanta informação, é possível perceber que o número de vagas ofertadas para cursos de engenharia cresceu nos últimos anos, proporcionando a formação de mais profissionais e aumentando a competitividade por vagas de emprego. Por outro lado, mesmo com mais profissionais, há falta qualificação adequada e experiência, muitas vezes exigidas para ocupação de vagas. Por último, também é notável a distribuição desigual de profissionais no território brasileiro.


Fontes: Revista Exame; Engenharia Data; Portal da Indústria; PH Info.

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Larissa Fereguetti

Cientista e Engenheira de Saúde Pública, com mestrado, também doutorado em Modelagem Matemática e Computacional; com conhecimento em Sistemas Complexos, Redes e Epidemiologia; fascinada por tecnologia.

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