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Sacolas plásticas são transformadas em tecido sintético

por Redação 360 | 25/03/2021

A ideia é que a nova tecnologia têxtil seja aplicada até em trajes espaciais de alta performance

Sem dúvidas, o polietileno é um dos plásticos mais utilizados na indústria contemporânea. Seu uso em embalagens industriais, por exemplo, é uma homogenia. Considerando isso, a reciclagem se mostra uma alternativa pertinente e premente. E este é exatamente o mote de uma nova pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, transformando sacolas plásticas em tecido sintético.

A iniciativa pode ter um impacto sustentável direto em dois aspectos: de um lado, estimula o reuso de resíduos plásticos. De outro, diminui a necessidade de produção de tecidos. Nos últimos anos, a quantidade de resíduo têxtil só aumentou no Brasil, por exemplo.

Em conversa com a BBC News, a Dra. Svetlana Boriskina, do departamento de engenharia do instituto, confirma a urgência da ação: “Não há razão para que uma simples sacola de plástico não possa ser transformada em fibra e usada como roupa de ponta”. E, de fato, não é de hoje que a ideia de uma roupa reutilizável, que dispende de lavagem e descarte, povoa o imaginário popular acerca do que pode ser feito no futuro.

“Você pode ir literalmente do lixo para uma roupa de alto desempenho que oferece conforto e pode ser reciclada várias vezes de volta para uma nova roupa”, continua Boriskina.

sacola plástica branca com escrita vermelha
Imagem: Christopher Vega | via Unsplash

Polietileno se mostra eficaz

O tecido sintético é feito de fibras de polietileno, tecidas em teares industriais. Uma característica marcante do tecido é que suas fibras tendem a uma certa porosidade, permitindo a entrada de água. Sendo, por convenção, se pensaria o contrário do polietileno (a tendência de repelir a água). Por isso, o tecido tem um bom potencial ao ser usado em roupas esportivas.

O plástico pode ser tingido em diferentes cores antes de virar um tecido. A ideia, aliás, é que o tipo de tecido seja de um componente comum entre as roupas (polietileno), possibilitando a remodelagem de novos exemplares de roupas, de tempos em tempos.

Iniciativa é promissora, mas ainda tem o que melhorar

Segundo os pesquisadores, o tecido sintético de polietileno é menos prejudicial ao meio ambiente do que os de algodão, que são os mais utilizados no mundo todo. Além disso, pode ser lavado em água fria.

Além dos já mencionados impactos no meio-ambiente, a iniciativa também traz promessas para o futuro da exploração espacial. A longo prazo, a ideia é que a nova tecnologia têxtil seja aplicada em trajes espaciais de alta performance. Assim, pretende-se proteger astronautas de radiações cósmicas.

sacola plástica no ambiente, representando material com o qual é feito tecido sintético
Imagem: Bilge Tekin | Via Unsplash

Apesar disso, em estudo publicado na Nature Sustainability, o Dr. Mark Sumner, da Universidade de Leeds (Inglaterra), aponta críticas ao novo tecido.

“O desafio fundamental que vejo (…), é quão bem a fibra se alinha com os requisitos de conforto, toque e caimento do consumidor”, diz ele. “Se o tecido parecer ceroso ou rígido e não tiver conforto, os consumidores não comprarão o produto e, portanto, a fibra terá uso limitado para roupas.”

O principal alerta de Sumner é quanto a algumas propriedades típicas do polietileno. A resistência e a temperatura de fusão, assim como sua baixíssima absorção de umidade, tendem a limitar seu uso em têxteis.

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