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Cientistas usam poço de 2km na Amazônia para estudar a história da floresta

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por Redação 360
| 11/07/2023 | Atualizado em 08/08/2023 5 min
Imagem reproduzida de PT

Cientistas usam poço de 2km na Amazônia para estudar a história da floresta

por Redação 360 | 11/07/2023 | Atualizado em 08/08/2023
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Nota: A Cúpula da Amazônia começou em agosto de 2023, em Belém, no estado do Pará, com protestos por fim da exploração de petróleo na região. Documento de entidades pede eliminação imediata dos combustíveis fósseis e destaca preocupações com desmatamento, garimpo e questão indígena. Líderes discutem a possibilidade de ampliação da exploração de petróleo na área. Por exemplo, o Equador apresenta experiência problemática com exploração em reserva ambiental. Por isso, a sociedade civil brasileira pede participação efetiva na cúpula!

estudo da Amazônia
Imagem reproduzida de
Diário do Pará - DOL

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Um grupo de cientistas de 12 países, incluindo o Brasil, está perfurando um poço na cidade de Rodrigues Alves, no Acre. A perfuração científica é a primeira feita na Amazônia com finalidade exclusivamente científica e a mais profunda já realizada na região, com 2 quilômetros de profundidade. A iniciativa envolve 60 pesquisadores e é patrocinada pelo International Continental Scientific Drilling Program (ICDP), um programa de apoio a projetos de perfuração científica, em parceria com outras instituições. Saiba mais no texto a seguir, do Engenharia 360!

estudo da Amazônia
Imagem reproduzida de Isaac Bezerra, via Alagoas Notícia Boa

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Qual é o objetivo da perfuração?

O objetivo da perfuração em questão é reconstituir a evolução da Amazônia, determinando a idade da floresta, como ela se formou e evoluiu para atingir a biodiversidade que tem hoje. Por fim, determinar como a floresta pode se comportar diante das mudanças climáticas.

Esse estudo pode ajudar a entender tal evolução desde o começo da era Cenozoica, 65 milhões de anos atrás, mostrando todas as alterações climáticas e geológicas que influenciaram a sua fauna, flora estruturação da Bacia Amazônica como um todo. 

A iniciativa conta com a parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a National Science Foundation (EUA) e o Smithsonian Tropical Research Institute (Panamá). A perfuração é a primeira feita na Amazônia com finalidade exclusivamente científica e a mais profunda, mesmo se comparada às de exploração mineral já feitas na região.

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Imagem reproduzida de Isaac Bezerra, USP, Projeto de Perfuração Transamazônica, via Um só Planeta - Globo
estudo da Amazônia
Imagem reproduzida de Alagoas Notícia Boa

Observação: a perfuração científica mais profunda já realizada em terra foi iniciada no fim da década de 80 e terminou em 1995 no Norte da Baviera, na Alemanha. O poço atingiu 9.101 metros e o projeto teve a participação da iniciativa privada. O Centro Alemão de Pesquisa em Geociências utilizou o furo para instalar um observatório sísmico, que funcionou até 2001.

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O que são os "testemunhos" gerados pela perfuração?

Nesse estudo científico, serão coletadas amostras cilíndricas das camadas do solo retiradas durante a perfuração do poço, chamadas de "testemunhos". Serão gerados 227 "testemunhos". Os mesmos serão depositados na Universidade de Minnesota, nos EUA, em um repositório deste tipo de material. E é a partir disso que será possível, depois, reconstituir a evolução da Amazônia e determinar a idade da floresta.

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Imagem reproduzida de Notícias de Mineração Brasil

Na fase seguinte, será utilizada a tecnologia molecular para análise das amostras, que carregam uma série de evidências físicas, químicas e biológicas. Ela pode ajudar a obter respostas mais rápidas sobre os impactos causados ao meio ambiente, como, por exemplo, no caso do sequenciamento genético de Collembolas para determinar o efeito de queimadas na saúde ecológica do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. Falaremos mais sobre isso no tópico seguinte!

Como os Collembolas podem explicar o impacto das queimadas no Mato Grosso?

Hoje em dia, sabe-se que a migração de espécies em direção ao Sul aumentou ainda mais a diversidade de vida na região Amazônica. Achados fósseis mostram que a Amazônia já abrigou jacarés gigantes, de 15 metros de comprimento, tartarugas com mais de 2 metros de carapaça, e grandes roedores que acabaram extintos. Dentes de tubarão e fósseis de arraias, por exemplo, indicam até mesmo que ali já houve água salgada em algum momento. Por isso, territórios amazônicos distantes do seu núcleo no Amazonas são também verdadeiras preciosidades, devendo ser preservados.

Atualmente, é o Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), em parceria com o ICMBio, órgão governamental que administra as unidades de conservação federais, que mais estuda os efeitos de queimadas na saúde ecológica do parque da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso.

Os collembolas, citados antes, são pequenos artrópodes responsáveis pela decomposição de vegetação morta. Seu sequenciamento genético pode ajudar os cientistas a entender especialmente o impacto das queimadas na Chapada dos Guimarães. Explicando melhor eles são como bioindicadores de qualidade do solo e o sequenciamento do DNA permite obter respostas mais rápidas sobre a floresta.

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Imagem reproduzida de Philippe Garcelon em Wikipédia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:
Deutonura_monticola_-_Flickr_-_Philippe_Garcelon.jpg

O que são os pulsos gerados por mudanças climáticas e geológicas?

Vamos recapitular algo que você pode lembrar as aulas de geografia! As camadas de solo são formadas por detritos de rochas e plantas, e contêm componentes biológicos, como microfósseis e pólens, e geológicos. Ademais, as bacias sedimentares também contêm componentes biológicos e geológicos que contribuem para remontar a história de um território, como da Amazônia.

Por meio de estudos diversos, como de camadas de solo, a ciência concluiu que a Amazônia teve fases de junção e fragmentação, onde foram criados habitats isolados uns dos outros, recortados por rios e montanhas. Cientistas acreditam que este mosaico pode ser a origem da enorme biodiversidade.

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Imagem de Raimundo Teixeira estevesbae por Pixabay

A Cordilheira dos Andes influenciou a formação da Amazônia bloqueando os rios que até então desaguavam no Oceano Pacífico e no Caribe, a Oeste, e formando um lago gigante que se transformou num enorme pântano. Em seguida, os cursos dos rios mudaram para Leste, tal como são hoje.

Neste processo de drenagem. teria surgido o Rio Amazonas, o maior do mundo, cuja vazão em alguns trechos, avaliados por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), chega a 200 mil metros cúbicos por segundo, volume suficiente para encher a Baía da Guanabara em três minutos e meio.

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Fontes: O Globo, Alagoas Notícia Boa.

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