O cenário mundial é hoje muito mais complexo do que, como leigos, podemos compreender. Poucos sequer sabem que nem todo petróleo é igual — e você? Aliás, há uma grande diferença entre a produção norte-americana e a da Venezuela. Tudo tem a ver com água e mel de engenho, falaremos mais sobre isso ainda neste artigo do Engenharia 360. Antes, vale destacar que justamente são os venezuelanos que possuem a maior reserva do planeta — 303 bilhões de barris comprovados (um quinto de tudo que existe no planeta, segundo a EIA) — e de um tipo bem diferente: o petróleo bruto pesado e ácido.

O questionamento de muitos sempre foi por que um país com tamanha riqueza natural tem um povo que sofre com tantas dificuldades financeiras. De fato, dessa reserva, são produzidos apenas 1 milhão de barris por dia. Bem, essa é uma questão de infraestrutura, química de polímeros e eficiência de refino. Mas, no meio disso tudo, há a política. E nesse “quebra-cabeça”, contra China e Rússia, entram os interesses americanos — e, principalmente, de Donald Trump.

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petróleo da Venezuela
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As principais características do petróleo venezuelano

Já sabemos que petróleo é um líquido preto extraído do solo e que pode virar gasolina. Inclusive, o petróleo americano é leve, doce, com baixo teor de enxofre e fácil de refinar, sendo ótimo para produzir gasolina. Porém, ele não é suficiente para resolver todos os problemas da matriz energética dos Estados Unidos. Então a estratégia é obter um grande fornecedor. Claro que a Venezuela é melhor opção, com petróleo viscoso, denso e mais ácido, ideal para produção de diesel (usado em caminhões e tratores), asfalto e combustível para navios e indústrias pesadas.

O problema é que, do ponto de vista da extração, trabalhar com esse petróleo da Venezuela não será fácil — um verdadeiro pesadelo logístico. Essa tarefa vai exigir mais tecnologia (que possa lidar com acidez), equipamentos robustos (como bombas potentes) e melhorias das refinarias. Fato é que esse líquido é bem caro de processar, complexo de transportar e muito menos “amigável” do ponto de vista operacional. Se bem que, para muitos engenheiros, ultrapassar esse desafio técnico é um sonho profissional — um case de termodinâmica, mecânica de fluidos e materiais resistentes.

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As refinarias do Golfo do México versus óleo pesado

Até a prisão de Nicolás Maduro, o petróleo venezuelano sofria sanções e isso vinha causando uma forte pressão sobre as cadeias produtivas inteiras, o que não agradava em nada os americanos. Enquanto isso, os Estados Unidos construíram diversas refinarias. As instalações bilionárias na Costa do Golfo do México foram curiosamente projetadas para processar petróleo pesado com petróleo leve, uma combinação de máxima eficiência, melhorando margens econômicas. 

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A saber, sem o petróleo venezuelano, essas refinarias precisam recorrer a alternativas de “rivais geopolíticos”, como as importações do Canadá e do México.

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Entenda que o plano sempre foi ter acesso aos dois tipos de petróleo. Do contrário, segundo American Fuel and Petrochemical Manufacturers (AFPM), seria preciso reconstruir todo o parque industrial americano. Mas, todavia, a conta não sairá barata. A própria PDVSA admite que muitos oleodutos na Venezuela não são modernizados há mais de 50 anos, e o custo para recuperar o setor pode ultrapassar US$ 58 bilhões.

O plano dos Estados Unidos para o petróleo venezuelano

Em 2007, Hugo Chávez, o então presidente da Venezuela, expropriou os ativos de empresas como ExxonMobil e ConocoPhillips, que precisaram recorrer a tribunais internacionais para serem indenizadas. Agora, elas voltam à cena ao lado da Chevron para revitalizar o setor e faturar. Do ponto de vista de engenharia energética, a ideia não é extrair rápido, mas restaurar capacidade ao longo do tempo, algo que especialistas estimam levar anos — não meses.

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Esse capítulo da história global já é marcante para a engenharia, geologia, política e economia. O trabalho de reconstrução da indústria de petróleo e gás da Venezuela deve envolver o desenvolvimento de projetos de retrofit, adaptações de cokers, recuperação de tubulações corroídas e outros investimentos pesados.

A “operação magistral” que Trump descreve pode transformar a Venezuela em um canteiro de obras tecnológico, redefinir estratégias globais e movimentar mercados. Se você está estudando engenharia mecânica, química ou de petróleo, vale manter os olhos abertos. O futuro é incerto e pode ser terrível ou épico. Só o tempo dirá.

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Fontes: UOL, CNN Brasil, G1, Istoé Dinheiro.

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