Diretamente de Houston, Texas, a equipe do Engenharia 360 acompanha de perto os desdobramentos do 3DEXPERIENCE World 2026. O clima é de transformação profunda, e o anúncio de abertura feito por Pascal Daloz, CEO da Dassault Systèmes, não deixou dúvidas:

“O papel do engenheiro está sendo redefinido por uma integração sem precedentes entre a inteligência artificial, a física e a gestão do conhecimento.”

3dexperience world 2026
Imagem de @engenharia360 em 3DEXPERIENCE World 2026

O engenheiro como o guardião da realidade

Em um mundo fascinado pelas promessas ilimitadas do espaço digital, Pascal Daloz trouxe o público de volta ao chão — literalmente. Para ele, a importância dos engenheiros reside no fato de serem eles quem enfrenta a realidade da física, dos materiais e das restrições concretas do mundo real. Daloz enfatizou que, embora a IA possa acelerar processos, ela não remove as restrições da física, um princípio fundamental que deve sustentar toda inovação tecnológica.

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Diferente da visão comum de que a IA viria para substituir o capital humano, Daloz a apresentou como um “multiplicador”. A convicção expressa no evento é que a IA é uma habilidade para os engenheiros fazerem mais, melhor, mais rápido e, crucialmente, de forma diferente.

Nos novos Gêmeos Virtuais (Virtual Twins), não se trata apenas de geometria; trata-se de definir como os sistemas se comportam, como serão produzidos e como desempenharão seu papel no mundo real.

A Economia Generativa e o conhecimento como moeda

Uma das teses mais provocativas de Daloz em Houston foi a transição para o que ele chama de Economia Generativa. Se anteriormente as empresas atuavam apenas como provedoras de tecnologia focadas em eficiência produtiva, agora o foco mudou para a produção de conhecimento e “know-how”.

Pascal relembrou uma visita a uma fábrica onde viu apenas uma pessoa no chão de fábrica, o que ilustra que o valor real foi deslocado para a frente: para aqueles que desenharam e definiram os sistemas. Nesse novo paradigma, o conhecimento tornou-se a nova moeda. Em uma economia onde se pode comprar quase tudo com os recursos certos, a propriedade intelectual e o saber técnico acumulado são os ativos mais valiosos que uma empresa possui.

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Gêmeos virtuais

A saber, a evolução dos Gêmeos Virtuais atingiu um ponto de inflexão em 2026. Segundo Daloz, o virtual não serve mais apenas para representar o real; agora, o virtual está dirigindo e gerando o real. Esse conceito se aplica desde sistemas definidos por software até o que ele chamou de “moléculas definidas por software”.

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Para sustentar essa visão, a Dassault Systèmes desenvolveu o “3D Universum”, um universo onde o mundo virtual é associado ao mundo real para que o Gêmeo Virtual possa aprender com a realidade e, eventualmente, operar sistemas de forma autônoma, como veículos. Daloz descreve o 3D Universum como uma “fábrica de conhecimento”, onde as observações do mundo real enriquecem a base de saber da empresa de forma contínua.

PLM na gestão da propriedade intelectual

Com a IA extraindo conhecimento de vastos conjuntos de dados, surge uma questão crítica: quem detém a propriedade intelectual? É quem fornece os dados, quem fornece os algoritmos ou quem constrói o modelo?. Diante desse impasse, Daloz anunciou uma redefinição do conceito de PLM. Antes conhecido como Product Lifecycle Management, o PLM agora deve ser entendido como Intellectual Property Lifecycle Management (Gestão do Ciclo de Vida da Propriedade Intelectual).

A plataforma apresentada em Houston oferece a capacidade de rastrear todas as contribuições em um processo, garantindo a segregação de dados. Isso assegura que, se um engenheiro ou empresa trabalhar com diferentes parceiros, não haja vazamento de ideias de um sistema para outro, protegendo o ativo mais valioso das companhias: seu conhecimento.

O modelo de mundo industrial além do LLM

Pascal Daloz foi enfático ao dizer que os modelos de linguagem em larga escala (LLMs) não são suficientes para a engenharia. Ele introduziu o conceito de “Industry World Model”. Enquanto um modelo de mundo padrão pode ser uma “IA física” que entende o ambiente, o modelo industrial vai além ao misturar a física com a capacidade de gerar resultados reais.

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Este modelo conecta a ciência (conhecimento) com o “know-how” prático, sendo treinado especificamente para ser apropriado para todas as indústrias, garantindo que o resultado final seja uma abstração funcional e segura.

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Os novos companheiros virtuais

A grande revelação do evento foi a introdução dos Companheiros Virtuais. Daloz explicou que, quando um sistema gera código ou soluções automaticamente, ainda é necessário um humano para assumir a responsabilidade. Por isso, a proposta é uma “companhia” entre engenheiros e agentes de IA.

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Os três primeiros componentes dessa nova era são:

  • Aura: Focada em negócios, gestão de projetos e programas.
  • Leo: O engenheiro, focado em resolver problemas e misturar criatividade com soluções técnicas.
  • Marie: A cientista, responsável por fundamentar as soluções na ciência rigorosa.
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Curiosamente, Daloz compartilhou que os nomes desses agentes foram escolhidos pelos próprios companheiros virtuais, significando “ajudar você a realizar suas ambições”. Esses assistentes estarão disponíveis no mercado em meados de 2026.

A engenharia como um serviço e o gêmeo da organização

A visão de Daloz culmina na transformação do portfólio da Dassault Systèmes. A empresa está abandonando a ideia de vender apenas funcionalidades ou “bancadas de trabalho” para focar em experiências generativas e “Gêmeos como Serviço”.

A provocação final de Pascal Daloz em Houston abre um novo horizonte: o Gêmeo Virtual não se limita mais a objetos físicos como carros ou aviões. Agora, é possível criar o Gêmeo Virtual de uma organização, de uma rede de valor ou até de um modelo de negócios inteiro.

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