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Obstáculo da logística: distribuição da vacina contra a Covid-19 preocupa especialistas

por Samira Gomes | 13/08/2020
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Ainda não há data definida para entrega do imunizante, mas a distribuição em massa será um grande desafio a ser enfrentado por profissionais da Logística

O processo de pesquisa, produção e entrega de uma vacina é complexo e pode durar anos, dependendo da tecnologia utilizada, tendo como exemplo a vacina contra o Influenza, vírus causador da gripe, que tem como base o ovo e leva cerca de 18 meses para ser planejada antes da fabricação e entrega. Atualmente, em meio à pandemia da Covid-19, a corrida pelo imunizante já entregou mais de 100 vacinas em estudo e 24 delas na fase de testes em humanos, e até o completo desenvolvimento, será preciso solucionar o desafio logístico de distribuição.

Foto ilustrativa da vacina contra o novo coronavírus (Sars-Cov-2)
Foto ilustrativa da vacina contra o novo coronavírus (Sars-Cov-2). Créditos: Adobe Stock/M.Rode

Cedo demais?

Em todo o mundo, estratégias para driblar possíveis gargalos logísticos estão sendo desenvolvidas por empresas e governos. No Brasil, entidades se movimentam para tornar o imunizante acessível a todas as extremidades do país, quando este puder ser comercializado. Entretanto, o governo federal considera precoce a discussão sobre a distribuição da vacina.

Mauricio Zuma, diretor de Bio-Manguinhos/Fiocruz, afirma: “a questão dos insumos é preocupante, mas, como utilizaremos os formatos que normalmente usamos para as nossas vacinas, acreditamos que o risco seja menor neste momento. De qualquer forma, estamos trabalhando junto aos fornecedores de insumos para evitar rupturas no abastecimento”.

Por meio de sua assessoria, o Ministério da Saúde noticiou que existe uma tradição nacional de distribuir 19 vacinas distintas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e que isso será empregue em relação à futura vacina contra o novo coronavírus. Porém, salientou que é prematuro discutir acerca dos desafios de logística na repartição da vacina ou dos critérios de imunização, tendo em vista que os detalhes da vacina ainda são desconhecidos.

Distribuição desigual do imunizante

A infectologista e pesquisadora da Unifesp, Nancy Bellei, assegura que possuir um dos mais superiores programas de vacinação em massa é uma grande vantagem para o Brasil. No caso do imunizante da gripe, por exemplo, são produzidas 60 milhões de doses por ano para distribuição.

Segundo ela, “planejar um programa de vacinação, distribuir vacina injetável, intramuscular, a gente já faz. É claro que temos dificuldade. Imagino que os países irão vacinar ao longo do tempo, todo mundo vai precisar de seringa, agulha, de profissionais e de cadeia de frio para conservação, mas o Brasil já tem tradição de vacinar”.

a imagem mostra a aplicação de uma vacina em braço humano usando seringa
Créditos: Adobe Stock/Khunatorn

Sendo um país com extensa faixa territorial, a tarefa de entregar a vacina à toda a população brasileira, considerando que há comunidades de difícil acesso, torna-se ainda mais complexa. Além disso, surgem como agravadores a probabilidade de haver uma segunda dose da vacina e a incerteza sobre a quantidade de fornecedores.

Maurício Lima, do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), garante: “Estudos apontam que em algumas regiões do mundo até 50% das vacinas se perdem por falta de armazenamento ou dificuldades de transporte”. Para ele, o planejamento é imprescindível: “O Brasil tem uma rede eficiente de vacinação, com 37 mil pontos de imunização em 5,5 mil municípios”.

Democratização do acesso à vacina

Um relatório, publicado pelo Eurasia Group, aponta que firmar parcerias pode ser uma maneira eficiente de solucionar gargalos. De acordo com a empresa de consultoria e pesquisa de risco político, “Alemanha, França, Holanda e Itália formaram uma aliança para colaborar na fabricação e distribuição de uma vacina”.

O coordenador da Campanha de Acesso a Medicamentos da ONG Médicos sem Fronteiras no Brasil, Felipe Carvalho, informa que a questão logística e geopolítica andam juntas, analisando o cenário atual, em que países mais bem desenvolvidos estão comprando os primeiros lotes de vacina, ainda que não estejam em situação emergencial, isto é, no pico da doença.

“Fala-se muito da distribuição justa, primeiro para profissionais de saúde e depois para populações mais vulneráveis. Mas é preciso levar em conta grupos com menos acesso à saúde, como comunidades e refugiados, como prioritários”, alertou. “Há um desafio político sobre produção, preço, como os países estão agindo sobre essas vacinas… É uma corda bamba entre a cooperação internacional e o cada um por si”.

Leia também: Qual é a importância do Lean Seis Sigma para o combate à Covid-19?

Fontes: O Globo, Jornal Estado de Minas

E você, está ansioso para ver uma vacina para a covid-19 ser distribuída no Brasil? Conta para a gente nos comentários!

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Samira Gomes

Engenheira de Produção em formação no Vale do São Francisco. Nordestina fascinada pela escrita. Almeja levar Engenharia e Tecnologia a todos, por meio das palavras, pois acredita que a leitura é a principal ferramenta de aprendizagem.

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