Estamos próximos de acompanhar o desenrolar de mais um novo capítulo do governo Donald Trump, dos Estados Unidos. Logo no início de 2026, o político reiterou com força o desejo de levar o país a estabelecer um controle da Groenlândia, chegando a afirmar que a posse do território é uma “necessidade absoluta” para a segurança nacional e a liberdade mundial. Então, nós, leigos, descobrimos que o mundo tem um curioso interesse no Ártico e nos perguntamos “Por quê?”. Bem, é que essa é uma das regiões mais ricas em recursos naturais do mundo e estratégica para a segurança de várias potências.

Agora, talvez você não sabia, mas sabe o que está deixando Trump verdadeiramente irritado? É com os navios quebra-gelo enviados pela Rússia e pela China para zonas de águas geladas e inexploradas do nosso planeta. O presidente americano chegou a declarar que a Groenlândia está “coberta” por embarcações desses dois países . Essas embarcações possuem tecnologia de ponta, capazes de explorar recursos como petróleo, gás e minerais raros. Faz sentido agora para você o motivo dessa nova disputa geopolítica entre potências? Discutimos mais sobre essa “Guerra Fria moderna” no texto a seguir!

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O que são navios quebra-gelo?

Então, vamos à parte principal deste texto, que mais interessa aos engenheiros. Pois bem, os navios quebra-gelos são navios projetados especificamente para navegar em águas cobertas de gelo. Não é que eles quebram-gelo; na verdade, eles têm um casco reforçado e uma forma única (com inclinação de proa), além de motor potente, que ajuda a passar pelo gelo, até mesmo abrindo caminho para outras embarcações destinadas a operações especializadas (como de comércio, pesquisa, resgate ou exploração de recursos), permitindo o acesso a áreas inacessíveis. 

navio quebra-gelo - groenlândia
Imagem reproduzida de Energia Inteligente – UFJF
navio quebra-gelo - groenlândia
Imagem reproduzida de Polar Explorer Icebreaker

Claro que quando falamos em navios quebra-gelo, precisamos destacar a frota nuclear russa, com embarcações que permitem operações de longa duração sem necessidade de abastecimento. E o país asiático tem 41 deles na ativa neste momento, incluindo 8 movidos a energia nuclear, enquanto os Estados Unidos têm apenas dois. Entende agora a preocupação de Trump? É que esse desequilíbrio talvez coloque a América em desvantagem. Mas será que isso realmente justifica os comentários e possíveis ações do novo presidente?

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Por que os países cobiçam o território da Groenlândia?

A Groenlândia é a maior ilha do mundo, coberta por 80% de gelo. Mas por trás desse gelo há muita riqueza mineral, como metais raros (que precisamos para fabricação de smartphones, baterias e veículos elétricos), minérios (incluindo fosfato, bauxita, ouro e diamantes) e depósitos e mais depósitos de petróleo e gás (cerca de 22% do total mundial). Ou seja, essa é uma região do planeta muito rara e preciosa. Dá para entender porque todo mundo parece querer um pedaço dessa “terra prometida”.

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O problema é que não podemos destruir o Ártico, pois ele tem um papel no controle do clima global. A destruição das calotas polares já está intensificando o aquecimento global – e o aquecimento global está destruindo as calotas polares, é tipo um ciclo. E esse vai-e-vem de navios quebra-gelo estão comprometendo toda a região, já em estado constante de ameaça de destruição.

navio quebra-gelo - groenlândia
Imagem de wirestock em Freepik

Rota estratégica

Claro que tem mais, muito mais por trás desse desejo de Trump de obter o controle da Groenlândia – que é, aliás, uma região autônoma pertencente à Dinamarca, teoricamente um de seus aliados na OTAN. Pensa bem, se todo aquele gelo está derretendo, temos aí também um grande novo canal (mais curto) de passagem de transporte marinho entre continentes. Assim, essa pode ser a nova grande rota comercial e militar no mundo.

A saber, estudos apontam que os aeroportos da Groenlândia podem se tornar bases cruciais para patrulhas no Atlântico Norte e sistemas de detecção de submarinos.

navio quebra-gelo - groenlândia
Imagem reprodução redes sociais via UOL

Como a Groenlândia pode ser fronteira de uma nova Guerra Fria?

Essa ideia já vem sendo alimentada desde a Guerra Fria, nos anos de 1950, quando os Estados Unidos estabeleceram na ilha a Base Espacial Pituffik, com sistema avançado de radares e alerta antimísseis. Já em 2019, no segundo governo Trump, o país começou a falar abertamente sobre sua intenção de propor a aquisição da ilha, o que na época gerou muita tensão diplomática com a Dinamarca, reafirmando sua soberania na região. E agora o assunto é retomado, recebendo as críticas, sobretudo de líderes europeus e ambientalistas.

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Em janeiro de 2026, a discussão atingiu um nível crítico: a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que qualquer ataque ou tentativa de anexação militar por parte dos EUA significaria o fim da OTAN. Além disso, o primeiro-ministro da Groenlândia classificou as intenções americanas como “fantasias de anexação” e “desrespeitosas”.

Em 7 de janeiro de 2026, a Casa Branca confirmou que está discutindo “ativamente” a compra da ilha. Com o retorno de Trump ao poder, a Groenlândia deixou de ser apenas um desejo diplomático para se tornar o epicentro de uma crise com os aliados europeus. O governo americano nomeou até um enviado especial para tratar do tema, indicando que os EUA não vão descansar enquanto não aumentarem sua presença na região. E, como bem sabemos, tudo tem a ver com interesses econômicos.

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Fontes: UOL, Aventuras na História, Polar Explorer Icebreaker, Energia Inteligente – UFJF, CNN Brasil, Infomoney.

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