Quando alguém fala sobre reciclagem, a maioria pensa em transformar garrafas usadas em camisetas, mochilas ou novos frascos. Mas e se fosse possível ir muito além disso? E se garrafas PET se tornassem um material capaz de levantar um edifício com vários andares, resistente a terremotos, incêndios e até tufões? Parece ficção científica, mas esse lugar existe — e tem nome: EcoARK.

Localizado em Taipei, em Taiwan, o EcoARK é considerado o maior prédio do mundo construído a partir de garrafas plásticas recicladas. E não estamos falando de alguns milhares de garrafas… mas de 1,5 milhão delas. A estrutura, criada para a Exposição Internacional de Flora de Taipei em 2010 espalhou sua mensagem sobre sustentabilidade e mostrando que a engenharia moderna pode, sim, resolver problemas gigantescos — inclusive o das montanhas de plástico descartado todos os anos.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

O que inspirou a construção do EcoARK

Taiwan é um dos países com programas de reciclagem mais eficientes do planeta. Ainda assim, o país consome cerca de 4,5 milhões de garrafas PET por ano (dados de 2025). Para chamar atenção para o impacto desse consumo, o Far Eastern Group — um dos maiores produtores de PET do mundo — decidiu lançar um desafio ao arquiteto e engenheiro Arthur Huang, fundador da Miniwiz: criar um pavilhão ecológico que mostrasse, de forma prática e impressionante, o poder da reciclagem.

Assim nasceu o projeto do EcoARK, uma construção baseada no conceito dos 3 Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Mais do que um prédio, ele virou um manifesto ambiental, uma vitrine tecnológica e um caso de estudo para engenheiros, arquitetos e jovens curiosos pelo futuro das cidades.

EcoARK o maior prédio feito de garrafas do mundo
Imagem reproduzida de Expo Taipei

O segredo: os “polli-bricks”, tijolos feitos de garrafas PET

O que faz do EcoARK algo realmente revolucionário não é apenas a ideia — é a tecnologia por trás dela. O prédio foi construído com peças chamadas polli-bricks, desenvolvidas pela Miniwiz a partir das garrafas PET recicladas.

Esses tijolos funcionam como “garrafas remodeladas”: são ocos, leves, extremamente resistentes e se encaixam como peças de LEGO, graças às suas ranhuras interligáveis. Para montá-los, basta um pouco de selante de silicone. Depois de agrupados em painéis, eles recebem um revestimento resistente ao fogo e à água.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

EcoARK o maior prédio feito de garrafas do mundo
Imagem reproduzida de DLegend
EcoARK o maior prédio feito de garrafas do mundo
Imagem reproduzida de Medium

O resultado é incrível:

  • a estrutura final pesa metade de um prédio comum;
  • mesmo assim, resiste a terremotos, furacões e ventos de até 130 km/h;
  • o ar dentro dos tijolos cria uma camada natural de isolamento térmico;
  • como são parcialmente transparentes, permitem a entrada de luz natural, reduzindo o consumo energético.

Nada mal para algo feito de garrafas que poderiam estar poluindo um rio ou juntando poeira em algum lixão, certo?

Um gigante de nove andares construído para impressionar

Embora tenha apenas três pavimentos em sua configuração interna, o EcoARK alcança o equivalente a nove andares graças ao seu pé-direito altíssimo e às estruturas internas preparadas para grandes eventos.

O prédio ocupa mais de 2 mil metros quadrados e se estende por 130 metros de comprimento, criando um espaço enorme que pode ser adaptado para diversos usos. Suas três áreas internas podem ser alugadas juntas ou separadamente, recebendo desde workshops e conferências a apresentações culturais de grande porte. No total, o pavilhão contempla:

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

  • salão de exposições
  • espaços para museus
  • um anfiteatro
  • áreas multiuso para eventos variados

É uma construção modular, desmontável e transportável — algo extremamente raro em edificações desse porte.

EcoARK o maior prédio feito de garrafas do mundo
Imagem reproduzida de Medium

Eficiência energética: um prédio que se refresca sozinho

Outro destaque do EcoARK é o fato de operar praticamente com pegada de carbono zero. Isso acontece graças a uma série de escolhas inteligentes de engenharia e arquitetura:

  • ventilação natural, que dispensa ar-condicionado
  • isolamento térmico gerado pelo ar dentro dos tijolos
  • reuso da água da chuva para resfriamento
  • energia solar e eólica que alimenta cerca de 40 mil LEDs durante a noite

À noite, aliás, o EcoARK vira um espetáculo à parte: sua fachada translúcida, iluminada por LED, transforma o pavilhão em uma espécie de “lanterna” gigante feita de plástico reciclado.

Uma obra que recebeu reconhecimento internacional

O EcoARK não é só bonito, resistente e sustentável — ele também foi oficialmente reconhecido como uma construção exemplar. O prédio recebeu o selo LEED Platinum, a certificação máxima para edificações ecologicamente corretas.

Receber um LEED Platinum não é simples: exige excelência em eficiência energética, gestão hídrica, uso de materiais, impacto ambiental e execução do projeto. O EcoARK não apenas cumpre esses requisitos como vai além, propondo uma nova forma de projetar edifícios que poderiam ser montados — e desmontados — com o mínimo de impacto possível.

EcoARK o maior prédio feito de garrafas do mundo
Imagem reproduzida de Archiexpo

Mais do que um recorde, o EcoARK é uma prova viva de que engenharia, arquitetura e sustentabilidade podem caminhar juntas — e de que uma garrafa descartada pode valer muito mais do que imaginamos.

Se um prédio desse tamanho pode ser construído com lixo plástico, imagine o que mais será possível daqui para frente.

Veja Também: Descubra como são feitas as garrafas PET


Fontes: DLegend, Inhabitat.

Imagens: Todos os Créditos reservados aos respectivos proprietários (sem direitos autorais pretendidos). Caso eventualmente você se considere titular de direitos sobre algumas das imagens em questão, por favor entre em contato com contato@engenharia360.com para que possa ser atribuído o respectivo crédito ou providenciada a sua remoção, conforme o caso.

Comentários

Engenharia 360

Luciana Reis

Formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, com experiência como jornalista freelancer na produção de conteúdo para revistas e blogs.