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O legado das Olimpíadas: será que vale mesmo a pena sediar os Jogos?

por Redação 360 | 06/08/2021

O Japão deu um show de planejamento em 2021. Mas qual foi o legado das Olimpíadas anterior, a de 2016, na cidade-sede do Rio de Janeiro? Descubra!

Acredito que todo país sonha em sediar uma Olimpíada. Mas, antes, precisa responder a uma simples pergunta – o que isto trará de bom para a nossa sociedade? Bem, ser o centro das atenções num evento assim, tão lindo e cheio de simbologia, é maravilhoso. Só que é preciso pensar nos custos e nas consequências dessa decisão, o chamado “legado” das Olimpíadas.

A escolha das cidades-sedes

Para uma cidade se candidatar a ser sede dos Jogos Olímpicos, ela deve fornecer garantias que mostrem o apoio e o compromisso de todas as esferas de governo. Deve levar em conta também a aceitação da sociedade como um todo – afinal, este será um custo que ela irá pagar. Depois, será preciso pensar nas infraestruturas de transportes terrestre e aéreo, centros de apoio para a imprensa, tempo e custo para reformas e adequação de estruturas existentes e na construção de novas instalações. Todo esse planejamento deve estar integrado com o planejamento do “legado” que se espera deixar para a cidade-sede!

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Não é fácil planejar e executar obras sem se ter “surpresas” pelo caminho. Tudo envolve mobilidade urbana, licenças e vistorias, prazos e mudanças climáticas. Neste contexto, o fator “planejamento financeiro” pode pesar muito na realização e conclusão das obras!

Olimpíadas 2021
Imagem construção parte Vila Olímpica de Tóquio 2021 reproduzida de Go! Go! Nihon

Por exemplo, o processo para as eleições de escolha da cidade sede para as Olimpíadas 2016 ocorreu entre 2007 e 2009. As quatro cidades finalistas foram Chicago, nos Estados Unidos, Tóquio, no Japão, Rio de Janeiro, no Brasil, e Madri, na Espanha.  Com mais de 2/3 dos votos, em 2 de outubro de 2009, Rio de Janeiro foi escolhida como a cidade sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016. 

O custo para sediar as Olimpíadas | Planejamento x Realidade

O gasto total com as Olimpíadas Rio 2016 foi estimado, em 2015, em R$ 28 bilhões de reais. Entretanto, este valor foi inflacionado e já chegou a R$ 41 bilhões usados até agora. Até agora? Sim, as obras das Olimpíadas 2016 ainda não acabaram!

Afinal, como fazer gestão de custos em projetos?
Imagem reproduzida de Blog AEVO

Projetos que saíram do papel

Os principais projetos do Legado Olímpico do Rio de Janeiro:

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BRT

BRT (é um sistema de transporte coletivo da cidade do Rio de Janeiro), incluindo as Linhas BRT Transoeste, BRT Transolimpica e BRT Transcarioca

RIO: Duas linhas do BRT para os Jogos Rio 2016 começam a funcionar hoje -  Niterói
Linha BRT – Imagem reproduzida de Niteroi

Controle de Enchentes

Chamados de piscinões, servem para diminuir os alagamentos durante as fortes chuvas. Na região da Praça da Bandeira, Zona Norte do Rio, o piscinão tem capacidade para 18 milhões de litros, 20 metros de profundidade e 35 de diâmetro. E a intenção é que as águas de chuva sejam direcionadas para esse reservatório, que depois de cheio vai sendo paulatinamente esvaziado na medida em que vai descendo o nível do rio a que ele está ligado.

Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - www.rio.rj.gov.br
Obras na Praça da Bandeira – Imagem reproduzida de Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro
RioéRua: a bandeira, a praça e o bairro
Praça da Bandeira – Imagem reproduzida de Projeto Colabora

Porto Maravilha 

A proposta do Porto Maravilha previa a realização de melhorias estruturais e a criação de instalações para os navios de cruzeiros. Com foco no turismo, o projeto previa transformar a área do porto, com seus prédios antigos e docas históricas, em uma atração cheia de vitalidade. Incluía também a revitalização de áreas centrais abandonadas para serem reincorporadas ao tecido social urbano, mais infraestruturas culturais e espaços públicos como locais de interação. Hoje, nos atrativos do Porto Maravilha estão a Praça Mauá e adjacências, o Museu de Arte do Rio e Museu do Amanhã e o AquaRio – há poucos minutos da praça e do Píer Mauá, onde atracam os navios de cruzeiro.

Praça Mauá com o Museu do Amanhã | Com a ponte Rio-Niterói c… | Flickr
Imagem reproduzida de Flickr

Saneamento Zona Oeste

Coordenado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), o projeto de saneamento da zona norte do Rio de Janeiro colocou em operação o sistema de esgotamento sanitário do Eixo Olímpico. O projeto foi um dos compromissos assumidos pelo governo do estado na candidatura do Rio como sede dos Jogos de 2016 e isso incluía a construção de tronco coletor de esgotos de 1,3 quilômetros de extensão, beneficiando diretamente os bairros Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, que não eram conectados à rede de esgotamento sanitário da Cedae, além de atender também às instalações construídas para os Jogos Olímpicos.

O novo marco legal do saneamento e os esforços para a expansão do  tratamento de esgoto na Zona Oeste do Rio - Rio Capital Mundial da  Arquitetura
Imagem reproduzida de Rio Capital Mundial da Arquitetura

Rede Hoteleira

Muitos investimentos foram realizados na hotelaria da cidade do Rio de Janeiro para atender às necessidades do Comitê Olímpico Internacional (COI). Foram solicitados 42 mil quartos para atender os clientes credenciados aos Jogos, incluindo participantes do Comitê Olímpico Internacional, dos Comitês Olímpicos dos países, das federações esportivas, dos jornalistas, dos patrocinadores e organizadores dos Jogos Olímpicos.

Hilton Barra recebe prêmio de melhor hotel de negócios do Brasil em 2018
Hotel Hilton Barra Rio de Janeiro – Imagem reproduzida de Barrazine

VLT Carioca

O VLT (Veículos Leves sobre Trilhos) percorre o Centro e o Porto da cidade do Rio de Janeiro, conectando todas as demais redes de transporte metropolitano – como metrô, trens, ônibus, barcas, teleférico, aeroporto, rodoviária e terminal de cruzeiros. 

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Viagem inaugural do VLT carioca 03.jpg
Imagem reproduzida de Wikipedia

Linha 4 Metrô

A L4 é uma linha do metrô do Rio de Janeiro que conecta a estação General Osório, na zona sul do Rio, à estação Jardim Oceânico, localizada na Barra da Tijuca, na zona oeste. Foi inaugurada em 30 de julho de 2016, e aberta à população em geral no dia 17 de setembro, quando se encerraram os  Jogos Paralímpicos 2016. Durante as competições das Olimpíadas e Paralimpíadas o acesso à linha 4 era exclusivo de quem possuía um ingresso para os Jogos Olímpicos ou fazia parte da organização dos jogos.

Legado da Olimpíada, linha 4 do Metrô do Rio sofre com falta de passageiros
Imagem reproduzida de Diário do Transporte

Centro de Operações Rio

O Centro de Operações Rio 2016, chamado de “nave-mãe”, foi projetado para monitorar o funcionamento da cidade. Ele é um espaço de monitoramento e gerenciamento de crises no Rio de Janeiro, com foco no trânsito e no clima. Mais de 600 câmeras foram instaladas para monitorar a cidade, para que fosse possível identificar problemas e repassar as informações aos órgãos competentes.

Centro de Operações Rio tem o quarto chefe em oito meses | VEJA RIO
Imagem reproduzida de VEJA RIO

Duplicação Joá

A duplicação do Elevado do Joá foi um dos principais projetos do Plano de Políticas Públicas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Com 5 km de extensão, ele garantiu o aumento da capacidade viária entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca em 30%.

Obras de ampliação do Elevado do Joá só devem ser concluídas em março de  2016 - Jornal O Globo
Imagem reproduzida de O GLOBO

A infeliz sombra das “obras olímpicas inacabadas” no Rio

Na vida de cada um, nem tudo são flores; e não poderia ser diferente quando falamos de projetos e obras. No Rio, como em outras cidades-sede de Olimpíadas, algumas obras ficaram inacabadas, projetos não deram certo e outros nem ao menos saíram do papel.

O prefeito da cidade do Rio de Janeiro disse que não foi só o legado dos Jogos Olímpicos que foram “largados”, mas que a cidade também foi largada. E não interessa quem foi a culpa! Agora é preciso correr para recuperar o prejuízo!

Linha 4

Um exemplo de obras inacabadas é a Linha 4 do metrô, que liga as zonas Sul e Oeste. Após cinco anos da realização dos jogos a Estação Gávea Uma espécie de apêndice do novo trajeto, as obras seguem inacabadas desde 2015 por causa de riscos estruturais. Já falaram até em aterrar a estação, mas mesmo sob o olhar do Tribunal de Contas do Estado, o governo do Rio de Janeiro disse que abrirá nova licitação para o término das obras.

Relembre as idas e vindas da obra do metrô da Gávea - Jornal O Globo
Obra do metrô da Gavea – Imagem reproduzida de O GLOBO

BRT

Os BRTs também dão problemas hoje em dia. O sistema de transporte coletivo da cidade do Rio de Janeiro funcionou bem durante as competições e nos primeiros anos após os jogos, mas vem se degradando e apresentando péssimas condições, inclusive superlotação, mesmo em tempos de pandemia. Aliás, a BRT TransBrasil segue com obras paradas e, segundo o governo, só devem ser retomadas em agosto, com um “bom” acréscimo no seu orçamento inicial.

Meios de transporte do RJ justificam lotação nas viagens durante a pandemia  - Diário do Rio de Janeiro
Imagem reproduzida de Diário do Rio

Vila dos Atletas

A recuperação do investimento feito no empreendimento onde funcionou a Vila dos Atletas nas Olimpíadas Rio 2016 está lento, apenas um terço dos imóveis já foram ocupados. Com coberturas e apartamentos de dois, três e quatro quartos. Os imóveis possuem tamanhos que variam de 77 a 325 metros quadrados e com valores de venda entre R$ 650 mil a R$ 2,5 milhões.

Responsável por Food Safety da Vila dos Atletas da Olimpíada do Rio  conversa com o blog - Food Safety Brazil
Vila dos Atletas – Imagem reproduzida de Food Safety Brazil

Parque Olímpico

O Parque Olímpico já está apresentando sinais de abandono e degradação. A Arena do Futuro está há cinco anos sem utilização e na Via Olímpica o mato cresce. Obras iniciadas no Centro Olímpico de Tênis foram paralisadas e apresentam graves infiltrações. E salas do Velódromo foram fechadas por acúmulo de água, falta de impermeabilização e problemas na cobertura. Enfim, um descaso só!

O projeto inicial do Parque Olímpico previa a construção de cinco escolas, os chamados Ginásios Experimentais Olímpicos. Contudo, as obras – pasmem – ainda nem começaram. Segundo o governo, devem ser entregues para a população somente em 2023 e, para isso ocorrer, será necessário primeiro desmanchar o Centro Olímpico de Handebol e o Centro Olímpico de Esportes Aquáticos. O custo total previsto para desmanchar as estruturas e construir as escolas é de R$ 78 milhões.

Parque Olímpico do Rio de Janeiro – Wikipédia, a enciclopédia livre
Parque Olímpico Rio de Janeiro – Imagem reproduzida de Wikipedia

A saber, parte da manutenção das estruturas, construídas para as Olimpíadas Rio 2016, ficou a cargo do Governo Estadual do Rio de Janeiro e outra do Governo Municipal. Nesse “jogo de empurra” é a sociedade que está pagando a conta!

Agora que estamos nos despedindo de mais uma edição dos Jogos, o que esperar do legado das Olimpíadas de Tóquio 2021? Escreva nos comentários!

Veja Também: O cenário das obras de infraestrutura no Brasil: o que pode mudar?


Fontes: G1, Wikipedia, Veja, G1 2, Agência Brasil, Panrotas, TechTudo.

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