Engenharia 360

Retrofit na Engenharia: descubra como este conceito é aplicado ao Carnaval

Engenharia 360
por Simone Tagliani
| 28/02/2022 4 min

Retrofit na Engenharia: descubra como este conceito é aplicado ao Carnaval

por Simone Tagliani | 28/02/2022

Já ouviu falar no conceito de retrofit? O Engenharia 360 comentou algumas vezes sobre isso, mas não custa relembrar. Trata-se de uma técnica de construção civil, originada na Europa e nos EUA, englobando a Engenharia Civil e Arquitetura com foco em obras antigas. Só que, atenção, pois isso não tem a ver apenas com realizar uma simples reforma ou restauração. Seria o processo de modernizar um equipamento considerado ultrapassado ou fora de norma; pegar coisas utilizadas no passado e adaptá-las às necessidades atuais para continuarem tendo serventia.

Dá para entender só por essa explicação, portando, que tal ideia tem tudo a ver com o que deveria ser feito com todo o montante do Carnaval Brasileiro – entre estruturas de galpões, carros alegóricos e muito mais. Óbvio que a Engenharia precisa ter um olhar mais apurado para as possibilidades disso, incluindo ações de sustentabilidade e contribuição para o meio ambiente. E, inclusive, esse esforço pode ser o único caminho para que as escolas consigam manter e até aumentar as proporções dos seus trabalhos após as crises que temos vivido nos últimos anos, sobretudo no âmbito econômico, sem contar a escassez de recursos e matérias-primas.

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Imagem reproduzida de retrofit engenharia

Exemplos de caso de retrofits voltados ao Carnaval

Em meados de 2012, grandes escolas de samba do Rio de Janeiro – como Portela, Imperatriz Leopoldinense e Unidos de Vila Isabel – buscaram os serviços de empresas de Engenharia para avaliar as estruturas das obras das quadras de suas agremiações, que pareciam deterioradas. Foi identificada, na oportunidade, a necessidade de intervenções em diferentes espaços, visando aumentar não só a segurança, mas o conforto de todos na realização dos mais diferentes eventos nesses locais – por exemplo, os ensaios para os desfiles.

Especialmente a Portela, que teve a sua quadra destruída no ano anterior, precisou reconstruir novos espaços, com direito à cobertura e camarotes decorados como fachadas de casebres típicos do centro do Rio de Janeiro. Mas precisamos destacar essa obra em principal porque se trata também de um exemplo de retrofit. Isso porque os projetistas não se limitaram em reconstruir as coisas como eram anteriormente. Foram acrescentados itens ao plano original, como rampas de acessibilidade e elevadores, mais banheiros, entre outros espaços, como uma área para capacitação de moradores locais com direito à biblioteca e laboratório de informática.

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Imagem reproduzida de retrofit engenharia

Agora na quadra da Imperatriz Leopoldinense, que tem capacidade para mais de quatro mil pessoas, foram instaladas rampas de acesso para facilitar a locomoção de pessoas com mobilidade reduzida; além de portões de chapa de aço adequados às normas de emergência; novas instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias; e equipamentos para que a comunidade possa praticar esportes. Já o trabalho de Engenharia na quadra da Vila Isabel, a maior entre as quadras cariocas, com capacidade de onze mil pessoas, o serviço foi focado na melhora do conforto acústico – mais seguro e menos incômodo à vizinhança.

Razões que levam à realização de retrofit para Carnaval

Então, retrofit em Engenharia é atualizar, adaptar, modernizar e melhorar uma obra que desejamos preservar por mais tempo e sempre oferecendo segurança e conforto para todos, não importando o tamanho ou a situação atual. Não é preciso modificar tudo; pode-se até aproveitar as estruturas antigas para introduzir novas instalações modernas!

Ou seja, retrofit não tem nada a ver com a aparência final de alguma coisa, como a melhoria na estética de fachadas, por exemplo. Mas é claro que, unindo os conhecimentos de arquitetos e engenheiros, é possível se chegar a isso também, sim! Só não se pode confundir com restauração, que é o ato de renovar algo que tenha valor histórico. Nesse caso, o que importa é a serventia adequada às pessoas, menor impacto ao meio ambiente e diminuição de outros impactos gerados pelo setor como um todo – isso inclui uma avaliação de consumo de recursos naturais.

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A saber, na visão do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, essa capacidade e potencialidade do retrofit deve ser sempre base para os métodos de modernização de edifícios na contemporaneidade. Só que se deve ter cuidado com a adoção do retrofit nos trabalhos do Carnaval. Não é porque se trata de um festival muito alegre e bem-humorado que as coisas precisam ser levadas na brincadeira! Deve-se respeitar a legislação e regras impostas pelo Corpo de Bombeiros, órgãos públicos e entidades de classe da categoria, como o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo). Um exemplo é a norma de Desempenho de Edificações Habitacionais (NBR 15575), que disserta sobre isso.

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Imagem reproduzida de O Globo

Quando fazer retrofit?

É preciso destacar que não são os órgãos estaduais e federais que devem ir à caça de locais para praticar retrofit. São os próprios donos das propriedades que devem assumir a responsabilidade primeira de vigiar as estruturas e ir atrás de soluções de melhorias sempre que preciso. O momento certo é quando as instalações estiverem precárias ou quando for preciso adequar a geografia do imóvel. Um indicativo de problemas são os custos de manutenção, cada vez maiores – isso vale para fachadas, elevadores, proteção contra incêndios e mais. A recuperação reduziria esses números. E também, em certos casos, fica mesmo claro que só com alguma intervenção é que se conseguiria criar condições de novas funções e facilitar usos; do contrário, as limitações são demais.

Quais as formas possíveis de fazer retrofit?

  • Novos sistemas de segurança, internet e telefonia, se preciso;
  • Sistema de prevenção contra incêndios;
  • Sistema de identificação de funcionários, portaria, hall e elevadores;
  • Instalações elétricas, eletrônicas, de conforto, iluminação e mais;
  • Reforços ou trocas de estruturas, vidros e janelas;
  • Forro de gesso para esconder instalações elétricas;
  • Pintura com cores atuais ou troca de outros materiais de revestimento;
  • E nova distribuição de plantas no prédio, sem modificar a estrutura externa – nesse caso é necessária a aprovação da nova planta pela prefeitura.

Fontes: Retrofit Engenharia, Grupo Zangari.

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Simone Tagliani

Graduada em Arquitetura & Urbanismo e Letras; técnica em Publicidade; pós-graduada em Artes Visuais e Jornalismo Digital; e proprietária da empresa Visual Ideias.