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Por que o Brasil não forma mais profissionais nas áreas de Engenharia Civil e Arquitetura?

por Simone Tagliani | 20/11/2020
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Por baixo de discussões políticas há uma sociedade brasileira que pouco sabe sobre a importância de se investir em áreas da ciência, como Arquitetura e Urbanismo, que tem impacto na indústria e preservação da natureza.

Mesmo em tempos de crise, a construção civil resiste. É que sempre vai haver mercado para quem quer trabalhar com novos empreendimentos e também com reformas de imóveis antigos. Sendo assim, a demanda de trabalhos em Arquitetura e Engenharia Civil, além de técnicos em edificações, é constante. Mas a pergunta que fica é: por que o Brasil ainda forma poucos profissionais nessas áreas? Vamos debater o assunto no texto a seguir!

mulher e homem conversando representando engenheiro (s) de produção
Imagem: This is Engineering | Via Unsplash

Qual a importância da Arquitetura e Engenharia para a indústria brasileira?

Atribuições profissionais

A Arquitetura e a Engenharia Civil trabalham com pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na área civil, atendendo às necessidades da sociedade. Seus profissionais é que irão projetar e gerenciar as obras de edifícios, praças, ruas, pontes e mais – cada qual com as suas capacidades. Ou seja, eles vão planejar desde os ambientes internos dos prédios ao desenho das quadras das cidades – todos os espaços construídos que habitamos.

Obra de engenharia em andamento
(imagem de Pixabay)

Por esta lista de atribuições, podemos concluir, então, que a contribuição da Arquitetura e Engenharia para a ciência é fundamental; e que construção e crescimento de um país depende disso.

Obstáculos da carreira

O problema é que, infelizmente, o Brasil, neste segmento, ainda não é autossuficiente. Explicando melhor, nosso país apenas oferece sua matéria-prima aos outros países – às vezes, de modo subestimado – e não explora ou valoriza adequadamente sua mão-de-obra, muito menos investe como deveria na produção de tecnologia!

Esta lamentável atitude por parte do Governo acaba se refletindo também na imagem que a população brasileira faz da própria Arquitetura e Engenharia.

Muitos simplesmente não compreenderem a importância do trabalho destes profissionais, preferindo terceirizar serviços sem controle de qualidade e acompanhando técnico especializado. E, como é de se esperar, as consequências deste ato são as piores possíveis, tendo impactos maiores na economia e preservação da natureza em solo nacional.

Arquitetos e engenheiros conversando
(imagem de Pixabay)

Necessidades do mercado

Arquitetos e engenheiros podem orientar a sociedade sobre a melhor forma de extrair, proteger e fabricar materiais. Toda a produção habitacional também deve ser guiada por eles. E sabemos que estes dois segmentos são alguns dos que o nosso país está mais deficiente.

Por exemplo, pense no enorme déficit habitacional, além das péssimas condições de saneamento básico, ao qual enfrentamos atualmente. E justamente parte destes problemas vem do fato de que há uma baixa formação e qualificação nestas áreas da construção civil!

Mudança do quadro

Sabe-se que, de um lado, existe a necessidade de mais contratações para trabalhos de Arquitetura e Engenharia. Mas, de outro, poucos candidatos capacitados. E o que deveria ser feito para mudar esta realidade?

A resposta é só uma: investir em educação – sobretudo técnico e superior. Depois, estimular uma competição saudável entre esses profissionais. Fazer as leis que regulam estes serviços serem seguidas e, por fim, conscientizar a população sobre os benefícios de se contratar os serviços de arquitetos e engenheiros.

Responsável técnico: por que ter um profissional na obra é tão importante?

planta baixa ilustrando arquitetura e engenharia
(imagem de Pixabay)

Quais os maiores desafios da formação superior de arquitetos e engenheiros no Brasil?

Dificuldades dos alunos

Há vários motivos que levam à pouca formação de arquitetos e engenheiros no Brasil. Uma das linhas de análise que fazemos é sob o ponto de vista de quem é estudante. Primeiramente, é preciso destacar que ambos os cursos são caros. E que, mesmo frequentando instituições públicas, os alunos precisarão comprar muitos materiais e livros para acompanhar as aulas e realizar os exercícios solicitados.

Arquitetura e Engenharia são cursos com muita teoria e prática também. As disciplinas são difíceis e requerem muita dedicação, inclusive fora de sala de aula. E, desde cedo, é essencial conciliar o estudo acadêmico com estágios.

Só as disciplinas envolvendo desenho já assustam algumas pessoas. Mas o que mais apavora a maioria são as cadeiras de cálculo. E é possível que a raiz deste problema venha de muito antes do ingresso na faculdade.

pessoa estudando sobre mesa usando notebook e caderno, fazendo anotações e ilustrando arquitetos e engenheiros
(imagem de Pixabay)

Deficiência no ensino

O fato é que os alunos já chegam na universidade com graves deficiências em matemática; e matemática é algo fundamental para o exercício das profissões de Arquitetura e Engenharia!

A realidade é pior do que se pensa. Por causa da falta de incentivo às ciências no país, faltam professores para dar as aulas das disciplinas básicas de cálculo, álgebra e física – conhecimentos necessários para dar continuidade a diferentes estudos.

Atualmente, temos muito mais opções de cursos de graduação e pós graduação no Brasil. Contudo, até por conta disso, formações mais específicas, como matemática e história, têm sido menos procuradas, o que acaba se refletindo no ensino de Arquitetura e Engenharia também.

Fora isso, a criação apressada de cursos nas áreas da construção civil, e chocantes adaptações mal feitas de seus currículos para o método EAD, pioraram a formação destes estudantes, que muitas vezes saem com dúvidas demais, impedindo o exercício da sua profissão.

mulher estudando sobre mesa, ilustrando arquitetura e engenharia
(imagem de Pixabay)

Reflexos no sistema

Por conta de tudo isso, há menos interessados em cursar Arquitetura e Engenharia e também em contratar arquitetos e engenheiros. Já se percebe uma redução de vagas para estes profissionais no mercado, inclusive em concursos públicos. Mas as necessidades do mercado estão aí, como dissemos no tópico anterior.

Seria preciso exigir que o poder público reverta o quadro, contando com a ajuda de ministérios do governo, como o da Educação, para uma melhor capacitação e contratação de professores, além da revisão dos currículos e planos de ensino das instituições. Também investir mais em propagandas para esclarecer dúvidas da sociedade sobre tal nicho de mercado. E, ainda, incentivar a população a contratar sempre mão-de-obra qualificada, sobretudo fazendo valer as normas naquilo que tange o exercício legal na construção civil!


Saiba também: Os desafios para a faculdade à distância e a pesquisa acadêmica durante a pandemia


Fontes: Amazonas Atual.

Para você, qual o principal motivo pelo qual o Brasil não forma tantos profissionais em Engenharia Civil e Arquitetura?

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Simone Tagliani

Graduada em Arquiteta & Urbanismo e Letras; especialista em Artes Visuais; estudante de Jornalismo Digital e proprietária da empresa Visual Ideias - Redação, Edição e Produção de Conteúdos.

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