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Como as ferramentas enxutas são aplicadas na Fórmula 1? | 360 Explica

por Samira Gomes | 20/09/2021

Na F1, o tempo gasto no pit stop deve ser o menor possível. É aí que a ferramenta SMED entra em ação!

Se você já acompanhou alguma corrida de Fórmula 1, possivelmente observou como a duração do pit stop – instante em que os carros são reabastecidos e os pneus são trocados – é ínfima entre as equipes! Em geral, o tempo não ultrapassa 10 segundos para facilitar que o piloto regresse à pista de corrida rapidamente. Mas, você sabe como isso é possível?

Tudo está diretamente ligado à aplicação dos princípios do SMED: o método enxuto chamado de Single Minute Exchange of Dies (‘Troca Rápida de Ferramenta’, em português), que é utilizado para diminuir o tempo de um determinado processo ou de configurações e ajustes, caso do tema em discussão neste artigo. Veja mais a seguir!

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Equipe de corrida trabalhando no pit stop. Imagem: Caia Image/Science Photo Library

O significado e a explicação da metodologia SMED

A metodologia elaborada por Shigeo Shingom – considerado um “gênio da engenharia” – é uma técnica para otimizar configurações de processos e faz parte da Filosofia Enxuta. Sua proposta inicial era reduzir o tempo de máquina parada durante a troca de ferramentas – por exemplo, configurações de molde de injeção. E, aliás, seu nome deriva do objetivo de fazer esses setups em menos de 10 minutos (tempo medido em um único dígito), prazo plausível de ser alcançado a partir da simplificação das tarefas exercidas pelo trabalhador.

Nas fábricas, nas quais existem uma máquina, revezada entre diversos modelos de ferramentas (uma para cada produção de um específico produto), a duração de troca das ferramentas pode causar um elevado lead time, reduzindo, assim, o nível de produtividade. E é, então, objetivando impedir essa consequência e moderar o tempo de setup que é utilizada a ferramenta SMED.

O enfoque do método está na facilitação de todo o procedimento de setup. Sendo assim, teoricamente, é possível que qualquer trabalhador esteja capacitado para operar seguramente o setup.

O SMED possibilita melhorias a baixo custo, sobretudo quando se refere aos aspectos organizacionais. Como toda iniciativa de melhoria, o sucesso da implementação da técnica enxuta depende de planejamento, comunicação, execução e observação meticulosos.

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Os truques de pit stop F1 para usar na indústria

Na F1, o pit stop corresponde ao período de máquina parada. O propósito é fazer o carro retornar a correr o quanto antes. As corridas funcionam como metáfora para a manufatura, sendo que as trocas de máquinas equivalem às pausas nos boxes. Na realidade, muitos dos truques do pit stop são exemplo de SMED na sua forma mais pura, desde o pré-posicionamento de tudo que é essencial até a utilização de metodologias de fixação e liberação rápidas.

Imagem: Moy/XPB Images

1. Descrição e especificação de etapas e atividades

O carro para na posição marcada com exatidão – isso assegura que ele seja erguido sem excesso de tempo para regular o posicionamento –, os mecânicos se unem e levantam o carro, afrouxando os parafusos, removendo o pneu utilizado, posicionando o novo pneu, apertando os parafusos e, por fim, abaixando o carro, para que o piloto retorne à corrida.

2. Separação tarefas internas das externas

Este é um conceito relevante! Neste caso, o processo é a corrida, sendo que:

  • Tarefas internas: requerem a interrupção do processo a ser executado; e
  • Tarefas externas: podem ser exercidas com o processo em prosseguimento.

Geralmente, a despretensiosa ação de modificar todos os componentes de um processo de transferência que pode ser efetuado com ou sem mudança ao passo que a máquina está em operação pode diminuir os tempos de transição pela metade. Esses itens são efetuados antes ou após a mudança. E, neste cenário, a mecânica e os pneus podem se encontrar posicionados no local exato em que o carro irá parar, tal qual as ferramentas a serem usadas devem estar dispostas para retirar e apertar os parafusos.

Imagem extraída do twitter equipe Sauber

Veja Também: Quais tipos de ART um engenheiro de produção pode assinar?

3. Conversão interna para externa

Essa etapa pode diminuir o desperdício em 75%. Aqui se verifica a viabilidade de transformar funções internas em externas ou efetuar várias tarefas internas simultaneamente; ou seja, adiantar o máximo de obrigações possíveis e reduzir o tempo de ociosidade. Ao analisarmos o vídeo abaixo, que apresenta a evolução dos pit stops da Fórmula 1 nos últimos 60 anos, notamos uma diferença evidente entre os dois anos. Em 1950, foram necessários 67 segundos para realizar os processos; e em 2013, apenas 3 segundos. A explicação está na execução de mais de uma atividade ao mesmo tempo!

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Observe a incrível evolução do pitstop da F1.

4. Otimização

Com muitos internos para externos já detectados e transferidos, a última etapa do SMED é descomplicar os demais elementos internos que não poderiam ser movidos. Um ponto importante a ser observado é: “Como este elemento ou processo pode ser completado no menor tempo possível?”.

Assim, averigua o tempo total do processo para eliminar, simplificar, sincronizar e reduzir tempos. Nesse caso, pode-se aplicar o 4ºS (Seiketsu – conservação de processo) e o 5ºS (Shitsuke – autodisciplina) da metodologia 5S. Todas as melhorias devem ser:

  • Padronização: a efetivação da metodologia SMED, nessa etapa, foi finalizada. A partir daí, é imprescindível padronizá-lo para assegurar que as melhorias implementadas se mantenham ao decorrer do tempo.
  • Treinamento: é importante realizar treinamentos sem exceção, ou seja, todos os operadores envolvidos devem ser treinados.
  • Acompanhamento: nesta etapa, ocorre a verificação do registro, a avaliação dos indicadores e a melhoria contínua dos tempos de transição.
Imagem: Fit Tecnologia

Você já conhecia a ferramenta SMED? Conta para nós nos comentários!


Fontes: Industry Forum, Nortegubisian.

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Samira Gomes

Engenheira de Produção em formação no Vale do São Francisco. Nordestina fascinada pela escrita e por tecnologia. Tem como objetivo levar conhecimento sobre engenharia, por meio da leitura, pois acredita no potencial das palavras para o enriquecimento intelectual.