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Estudantes desenvolvem tijolo sustentável feito com resíduos industriais

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por Larissa Fereguetti
| 27/07/2015 3 min

Estudantes desenvolvem tijolo sustentável feito com resíduos industriais

por Larissa Fereguetti | 27/07/2015
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Na Índia, a produção de tijolos é grande, chegando a cerca de até 2 milhões de tijolos por ano. No entanto, além de oferecer condições insalubres para os trabalhadores, causa uma poluição atmosférica elevada. Tendo estes fatos em mente, estudantes do MIT desenvolveram um tijolo ecológico que não emite gases poluentes. O produto recebeu o nome de Eco-Blac.

Imagem: tatacenter.mit.edu

Imagem: tatacenter.mit.edu

O desenvolvimento do Eco-Blac começou há dois anos no Tata Center – MIT. Primeiramente, era uma forma de reaproveitamento de cinzas provenientes de caldeiras, reduzindo a necessidade de descarte deste material e melhorando a qualidade de vida das pessoas em Muzaffarnagar, uma cidade industrial da Índia.

As cinzas são produzidas por pequenas e médias indústrias, como as de papel, ao queimar material. Depositadas em aterros, essas cinzas representam, além da questão de espaço, um risco ambiental e à saúde humana.

A composição do Eco-Blac é de 70% de cinzas. As cinzas são misturadas com hidróxido de sódio, cal e uma pequena porção de argila. Baseado em reações químicas, o processo de cura ocorre à temperatura ambiente, o que não requer o uso de carvão para fornecer energia.

Imagem: tatacenter.mit.edu

Imagem: tatacenter.mit.edu

No processo convencional de produção de tijolos é necessário atingir temperaturas próximas a 1000°C, o que, além de ter um consumo elevado de energia, elimina gases poluentes para a atmosfera.

No processo habitual o consumo de carvão é cerca de 24 milhões de toneladas por ano e a produção de gás carbônico é de, aproximadamente, 76 milhões de toneladas por ano. Além disso, há a produção de demais gases poluentes e de material particulado.

Imagem: fastcoexist.com

Imagem: fastcoexist.com

Além de resolver o problema sobre o descarte das cinzas, o Eco-Blac ainda tem outro impacto positivo: tem menor consumo de argila, fazendo com que não haja extração em larga escala e, consequentemente, preservando o solo.

O Eco-Blac já foi submetido a vários testes, como resistência mecânica à compressão, durabilidade e absorção de água. Atualmente, é submetido a testes de durabilidade a longo prazo. O próximo passo é usar uma planta piloto em Muzaffarnagar, com posterior expansão para o resto da Índia.

Imagem: archdaily.com

Imagem: archdaily.com

Na análise do ciclo de vida do tijolo convencional e do Eco-Blac, este último mostrou melhor desempenho em todas as categorias. Os resultados mostram que ele é 24% melhor em saúde humana, 15% melhor em mudanças climáticas e 33% melhor em recursos.

Provavelmente, não é a primeira vez que você ouve falar em tijolo ecológico. Os tijolos feitos com resto de construção civil já estão circulando há alguns anos. No mundo inteiro, a tendência é a mesma: a reinserção de resíduos como matéria-prima no processo produtivo. Este fato segue a visão de uma produção mais sustentável, tendo como diretrizes a Ecologia Industrial.

O vídeo abaixo mostra o processo de produção do Eco-Blac:

Referências: ArchDaily; Fast Company.

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Larissa Fereguetti

Doutoranda, mestre e engenheira. Fascinada por tecnologia, curiosidades sem sentido e cultura (in)útil. Viciada em livros, filmes, séries e chocolate. Acredita que o conhecimento é precioso e que o bom humor é uma ferramenta indispensável para a sobrevivência.

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