Vamos começar este texto refletindo sobre o cenário atual do nosso planeta para justificar porque a ideia de uma moto que funciona com água é tão atraente.
Bem, vivemos uma fase de grandes alterações climáticas impulsionadas pelo aquecimento global. E sabe-se que uma das causas das mudanças climáticas é a emissão de gases poluentes na atmosfera, sobretudo como origem da queima de combustíveis fósseis. Por isso, a engenharia busca alternativas de tecnologia limpa e sustentável, sobretudo explorando fontes renováveis. Mas será que, com base na ciência, seria mesmo possível uma moto funcionando exclusivamente com água? Continue lendo este artigo do Engenharia 360 para saber a resposta!
Existe moto que funciona com água?
Em 2015, um inventor brasileiro chamado Ricardo Azevedo apresentou à imprensa uma criação sua. Seria a Moto Power H2O, que supostamente seria capaz de percorrer até 500 quilômetros com um litro de água. A notícia chamou a atenção de entusiastas da engenharia, que levantaram dúvidas sobre a veracidade da história. Logo as investigações apontaram que a moto de Azevedo era, na verdade, uma moto elétrica.
Explicando melhor, através de um sistema de eletrólise, o conjunto de motor da moto, alimentado por bateria de carro, consegue separar hidrogênio da água. O líquido utilizado é destilado e enriquecido com aditivos para melhorar sua eficiência durante o processo. Infelizmente, por conta disso, a solução torna-se menos sustentável do que uma moto elétrica convencional, que não requer o uso de água ou aditivos. Enfim, o caso Azevedo quase virou fake news.
A saber, a eletrólise é um processo que usa eletricidade para separar a água em seus componentes, hidrogênio e oxigênio.
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Projeto XT 500 H2O da Yamaha
Recentemente, o projetista Maxime Lefebvre lançou, a pedido da empresa japonesa Yamaha, o projeto conceitual da XT 500 H2O, que seria uma recriação moderna da XT500 dos anos 70. Essa moto seria, em tese, impulsionada por água, diferentemente das já conhecidas elétricas e a hidrogênio. Isso quer dizer que a marca considera uma evolução tecnológica que possibilite, no futuro, uma evolução dos veículos de duas rodas.
Por que uma moto movida exclusivamente a água não é viável?
É importante citarmos aqui as leis da termodinâmica, pois elas impedem que uma moto funcione exclusivamente com água.
- A energia é sempre conservada, mas pode ser convertida de uma forma para outra.
- Cada vez que a energia é convertida, parte dela é perdida.
A energia necessária para separar o hidrogênio da água é sempre maior do que a energia que o hidrogênio pode produzir quando é queimado. No caso citado, a eletrólise seria um processo ineficiente. Seria preciso uma fonte externa de energia para funcionar, o que torna tão poluente quanto uma moto movida a gasolina, pois a energia externa vem provavelmente de uma fonte fóssil.
No futuro, será possível criar uma moto movida a água?
Pode ser que, no futuro, a ciência encontre a resposta de como criar uma moto movida a água. Em verdade, os pesquisadores precisarão desenvolver um processo de eletrólise mais eficiente; isso facilitaria o desenvolvimento de projetos de motos que possam produzir mais energia do que consomem. Mas, por hora, os modelos movidos a gasolina, etanol ou eletricidade continuam sendo as opções mais viáveis.
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Outra alternativa já existente no mercado são os veículos movidos a hidrogênio, recurso abundante e renovável, que justamente podeser extraído da água por meio do processo de eletrólise ou produzido via biomassa e energia solar. Depois, grandes quantidades de energia gerada podem ser armazenadas em volumes relativamente pequenos e usada em motores.
A questão é que a combustão do hidrogênio produz apenas vapor de água, o que não contribui para o aquecimento global ou a poluição do ar. Os únicos entraves para que possa ser mais explorado na engenharia é o custo e logística, mas isso é tema para outro texto. Apesar desses desafios, o hidrogênio é considerado uma boa opção de combustível para o futuro.
Embora a moto movida a água seja uma ideia cativante, sua viabilidade permanece questionável. O momento atual pode ser prematuro para afirmar se será possível concretizá-la. Contudo, esse é um objetivo que a engenharia ainda almeja alcançar!
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Fontes: UOL, Click Petróleo e Gás, Hypeness.
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Eduardo Mikail
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