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Drones automáticos contribuem para vacinação contra COVID-19

por Redação 360 | 12/03/2021

A empresa faz serviços desse tipo desde 2016, em Ruanda, Gana e Estados Unidos

A ameaçadora pandemia de COVID-19 tem desafiado o mundo todo, o que fez com que soluções diversas emergissem. Nesse sentido, a tecnologia tem sido uma aliada indispensável. Não somente em relação ao desenvolvimento de vacinas, mas também a seus métodos de entrega. É o caso em Gana, que recentemente recebeu lotes de vacinas para COVID-19 por meio de drones. Desse modo, há a possibilidade de entregar essas vacinas para regiões mais carentes do país, onde não seria possível com a logística tradicional, ou pelo menos não com a mesma eficiência.

A empresa responsável é a norte-americana Zipline, que tem prestado serviços desse tipo desde 2016, em Ruanda. Em 2019 a startup expandiu sua atuação, atendendo demandas em Gana, e no ano seguinte no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

O projeto faz parte da iniciativa COVAX, apoiada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que visa fornecer vacinas para áreas subdesenvolvidas. Sendo assim, Gana foi o primeiro país do continente a receber vacinas do consórcio mundial.

homem operando drone zipline que fará entrega de vacinas

Segundo Keller Rinaudo, CEO da Zipline, “a razão pela qual Gana foi o primeiro país a receber a vacina COVAX (…) é que eles garantiram a distribuição dessas doses para todos os hospitais e postos de saúde, com baixo custo e alto desempenho.”

Drones abastecem um terço da população ganesa

Rinaudo ressalta que a presença prévia da Zipline no país, mesmo antes da pandemia, contribuiu para a eficácia do projeto. Desde 2019, a empresa realizou mais de 50.000 entregas via drone, sem contar as vacinas da COVAX.

Estima-se que, desde essa época, o contingente atingido foi cerca de 12 milhões de pessoas, isto é, mais de um terço da população país. Quanto à área atingida, a Zipline afirma que consta um raio de alcance de 22.500 km² para cada centro de distribuição.

A empresa estado-unidense tem quatro centros de distribuição em Gana. Além de ser o local onde se armazena suprimentos médicos, os centros funcionam como aeroportos para drones. Sendo assim, cada um hospeda 30 drones, que voam de forma autônoma, desde que pré-programados. A aterrisagem é feita usando pequenos paraquedas, e as entregas são feitas inclusive em postos emergenciais. Em seguida, o drone volta para o aeroporto.

Sem dúvida, os meios logísticos tradicionais ainda desempenham papel fundamental para a distribuição. Os próprios centros da Zipline, por exemplo, recebem as doses COVAX pela United Parcel. E não só na nação africana, mas no mundo todo funcionamento dos meios terrestres são uma necessidade de primeira ordem.

Contudo, Rinaudo diz que os benefícios da tecnologia da Zipline vieram à tona especificamente com a pandemia mundial. Afinal, para fazer as entregas, os drones requerem interação humana mínima, o que é uma vantagem contra a propagação do SARS-CoV-2. Ele ainda afirma que, “durante a pandemia, muitos sistemas tradicionais ficaram obsoletos.”

Distribuição de vacinas é preocupação mundial

Apesar do benefício inegável à população local do país, a distribuição rápida e igualitária das vacinas é um problema mundial. É o que diz o atual presidente de Ruanda, Paul Kagame, que afirmou recentemente em artigo para o The Guardian que “enquanto os países africanos não tiverem as vacinas que precisam, o mundo inteiro irá sofrer”.

Além disso, o presidente argumenta que, se as vacinas abastecerem apenas países ricos, mutações novas do vírus surgirão nos países em desenvolvimento. E assim, “a pandemia persistirá, colapsando a economia global.”

Apesar de parecer óbvio, o aviso de Paul Kagame se faz pertinente. Ele continua, apontando o “custo-benefício” de evitar esse colapso:

“Neste contexto, o custo de bilhões de dólares para a distribuição rápida de vacinas aos países em desenvolvimento não é tão alto, considerando o retorno no investimento.”

drone da zipline levando vacinas

Os drones realmente não podem dar conta de resolver o problema por inteiro. Entretanto, Keller Rinaudo aposta no trabalho da Zipline como parte de uma solução maior. “As pessoas geralmente mais prejudicadas na questão do sistema de saúde são as que este serviço pode alcançar.”

Fontes: The Verge; The Guardian; Portal G1.

E você, o que pensa a respeito? Seria possível se beneficiar de drones no Brasil, algum dia? Conte para a gente nos comentários!

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