Se você já voou de avião, com certeza já ficou curioso sobre o que acontece quando aperta a descarga no banheiro lá em cima, a 10 km de altitude. A resposta é mais tecnológica e surpreendente do que a gente imagina, muito diferente daquela “latrina” primitiva dos primeiros dias da aviação. O Engenharia 360 te conta mais no artigo a seguir. Confira!

O fim da “latrina voadora”

No passado, os aviões usavam um sistema bem rudimentar. Durante a Segunda Guerra Mundial, pilotos despejavam garrafas cheias de urina por janelas sem pressurização. Depois, na aviação comercial até meados dos anos 50, o que a gente chamava de “banheiro” era praticamente uma janela aberta para o céu — ou seja, os dejetos eram literalmente lançados para fora em pleno voo. Imagina a sujeira!

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A tecnologia antiga: o Anotec e os famosos “gelos azuis”

Nos anos 80, a coisa já mudou. Banheiros de avião começaram a usar um líquido especial chamado Anotec, um fluido azul que ajudava a empurrar os resíduos para tanques a bordo. O sistema era acionado por bombas elétricas que circulavam o líquido, mantendo o ambiente mais limpo e com menos cheiro.

Parecia um avanço, mas tinha vários problemas: os tanques de Anotec pesavam bastante – o que aumentava o consumo de combustível – e o líquido continha substâncias como cloro e formaldeído, irritantes para a pele e olhos.

O pior era o risco de vazamentos que, quando aconteciam, criavam aquelas bolas congeladas – chamadas de Blue Ice –, que caiam do avião. Entre 1979 e 2003, houve pelo menos 27 incidentes nos EUA de gelo azul caindo do céu com força suficiente para danificar carros e casas. Isso assustava tanto que obrigou a indústria a buscar uma solução melhor.

O sistema a vácuo que revolucionou os banheiros de avião

Em 1975, o inventor James Kemper patenteou o sistema de descarga a vácuo, instalado pela primeira vez em 1982 pela Boeing. Esse sistema funciona muito diferente do banheiro comum: não usa sifão nem um grande volume de água.

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Ao apertar o botão de descarga, uma válvula se abre por cerca de quatro segundos, expondo o conteúdo do vaso a uma poderosa sucção pneumática. Essa sucção faz todo o resíduo ser puxado rapidamente por tubos revestidos internamente por um material antiaderente semelhante ao Teflon, evitando que sujeiras grudem.

Na prática, são usados apenas cerca de 300 ml de água potável misturada a um desinfetante biodegradável que ajuda a eliminar odores e manter o ambiente limpo.

Como os resíduos são armazenados e tratados

Depois da sucção, tudo vai para tanques de armazenamento de até 750 litros, dependendo do modelo da aeronave, devidamente selados e protegidos para evitar qualquer tipo de vazamento durante o voo. A tripulação acompanha o funcionamento do sistema em um painel especial na galley (área de serviço próxima aos pilotos).

Esses tanques só são esvaziados após o pouso, por técnicos especializados que conectam mangueiras nos porta de descarga do avião, transferindo o conteúdo para os caminhões de esgoto dos aeroportos. Esses profissionais recebem adicional de insalubridade por lidar com os dejetos.

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banheiro de avião
Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini

O que acontece se houver uma turbulência enquanto você está no banheiro?

Os passageiros são orientados a voltar aos seus assentos imediatamente quando há aviso de turbulência, porque não há cintos de segurança nos banheiros. Luzes e sons dentro dos banheiros alertam sobre a necessidade de retornar.

Por que nada cai do céu durante o voo?

Hoje, graças aos sistemas selados a vácuo, absolutamente nada é lançado para fora do avião durante o voo. Casos de “cocô caindo do céu” na verdade são fenômenos de gelo azul liberado por vazamentos, mas é algo raro e praticamente extinto com as tecnologias modernas.

Além disso, relatos de objetos caindo do céu nessa altura no outono têm como origem a migração de aves, não restos do sistema de esgoto das aeronaves.

Banheiro de avião: tecnologia para conforto e segurança

De um sistema medieval à tecnologia do século 21, o banheiro de avião é um dos exemplos mais incríveis de engenharia aplicada ao nosso conforto e higiene. Ao entender isso, você pode viajar sabendo que aquele “barulhinho” da descarga é parte de um sistema complexo que evita sujeira, mau cheiro e riscos para quem está lá embaixo.

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Fontes: CNN, Superinteressante.

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