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Coronavírus: como as empresas estão reagindo e como fake news nos atrapalham

por Roberto Yung | 19/05/2020
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Todos nós estamos recebendo diariamente: notícias, últimas informações estatísticas, novas vacinas em pesquisa e, entre outras informações correlacionadas à pandemia que atinge o mundo inteiro: a famosa COVID-19 (Coronavírus, Sars-Cov-2). Os famosos grupos de família do whatsapp nessas horas congestionam de mensagens, com uma enxurrada de informações, independente se a fonte foi validada ou não, o que virou uma rotina infeliz nos tempos atuais.

Imagem de mortes por coronavírus na América do Sul
COVID-19 na América do Sul | Fonte: Ministério da Saúde e John Hopkins University

Considerando questionamentos realizados a respeito do suposto exagero com números do Brasil comparado a países vizinhos, algumas dúvidas e curiosidades foram levantadas .

E se comparássemos com tamanho territorial e populacional?

A forma mais prudente de se comparar países inicia por análise entre tamanho territorial e populacional. Posteriormente entra uma série de outras variáveis, de acordo com a pesquisa tratada.

Tabela de casos de coronavírus

Analisando os dados apresentados no quadro acima, conseguimos comparar algumas informações , que são:

Na quinta coluna, cálculo proporcional considerando tamanho territorial brasileiro aos demais países, levando em consideração casos confirmados indicados na imagem divulgada em grupo de whatsapp, conseguimos fazer uma interpretação onde: Equador está com número altíssimo, chegando a ~5 vezes mais que o Brasil e, Peru, vindo em seguida, com números um pouco maiores que o nossos. Logo em sequência, Colômbia, que também vem sofrendo após um maior controle da pandemia tardio, seguido do Chile, que escolheu manter apenas a cidade de Santigo do Chile em restrição de funcionamento.

Já na sétima coluna, também fazendo proporcionalidade ao território brasileiro para com países vizinhos latinos, mas aqui considerando casos confirmados do COVID-19 relatado no estatístico Google de 06/05, conseguimos fazer uma avaliação que o Chile, anteriormente comentado que reservou apenas a cidade de Santiago do Chile, ganha destaque sendo terceiro colocado e em maior quantidade de casos, se comparado ao Brasil. Repare que os números são alarmantes, chegando ao marco de: 8 e 3 vezes respectivamente, em números maiores de casos, comparado ao Brasil.

Na última coluna, conseguimos analisar impacto mas considerando agora tamanho POPULACIONAL. Vejam que também chegamos a mesma analogia representada na análise por tamanho territorial. Novamente: Equador, Peru e Chile, se destacam. Outro ponto curioso é como a Argentina, País mundialmente considerado como case nessa pandemia, visto que o lockdown foi de fato aplicado severamente, tem resultados satisfatórios em ambas análises, ficando atrás apenas de: Venezuela, Paraguai e Bolívia, o que não levamos em consideração, uma vez que estamos falando de um País em plena ditadura, seguido de dois outros Países já questionados algumas vezes pela falha na análise quantitativa de casos confirmados por COVID-19.

A estatística é falha?

A estatística nos trás uma tendência de acerto, mas não é garantido. O não garantimento não significa que não devemos confiar, apenas que devemos levar fé no dado e a partir daquele ponto, tomarmos decisões. Em falando de COVID-19, as estatísticas estão próximas da realidade, porém, estudos indicam números mais alarmantes do que encontramos. “Infectados podem ser de 5 a 30 vezes o número oficial”. Este é um título sobre uma reportagem mais completa que já vimos brasileira da página do site UOL 

Essa afirmação vem seguida de uma outra mais alarmante, onde informa que: “Um estudo com base no caso da China, país de origem do vírus, estimou que 86% das pessoas infectadas não apresentavam sintomas da doença. E foram justamente elas que ajudaram a espalhar o coronavírus por lá. Até o momento, o país asiático contabiliza mais de 80 mil casos.” Mais a frente o texto complementa: “Uma pesquisa feita nos Estados Unidos, levando em conta aspectos locais, considerou que o número real de casos pode ser entre cinco e 30 vezes a contagem oficial. Espelhando isso para o Brasil, podemos estar diante de até 27 mil contaminados (reportagem publicada em 21 de Março de 2020), neste momento. Mas ninguém sabe ao certo.” Agora, os casos de coronavírus no país já ultrapassam os 250.000.

E as empresas, como estão?

Com a ajuda de profissionais no mercado de trabalho, conseguimos reunir dados de 36 instituições diferentes, sendo elas: público e privadas. Neste nicho de empresas, também foi possível capitanear dados de como algumas empresas estão atuando na Europa e em países vizinhos nossos, com foco em: França, Peru e Argentina.

Com os dados organizados, conseguimos chegar a algumas análises como: redução salarial atual ou prevista, suspensões de contrato de trabalho e reduções de horas trabalhadas, fechamento temporário e demissões realizadas, aplicação de home office, uso de EPI’s em atividades essenciais e por fim, casos e mortes confirmadas nas empresas.

Redução salarial atual e prevista

gráfico de redução de salários durante a pandemia de coronavírus

Conseguimos chegar com os dados apresentados, que: empresas de grande porte estão bem divididas quanto a aplicação, ou não, da redução salarial, utilizando dos recursos que o Governo Federal disponibilizou ou que já permitia em lei vigente anteriormente. Também é possível afirmar que instituições educacionais e Prefeituras, retratadas como “N/A” no gráfico, tiveram acentuado aplicação das reduções de jornada e salarial, indo em confronto a falsa ideia de que pouco fariam.

Empresas de pequeno porte, como padarias, barbearias e pequenos negócios, tiveram a posição mais imediata, o que já era esperado, visto que são o elo da cadeia mais frágil, não tendo tanto capital para manter meses, as vezes nem um mês, de pagamento total de salários, encargos e benefícios como tantas outras despesas, sem nenhuma operação. Feito isso, os extremos tanto na redução salarial por tamanho de negócio como também, maioria proporcional, na redução salarial por tipo de negócio são mais evidentes para as pequenas empresas.

Também foi possível discutir brevemente sobre próximos passos. Desconsiderando aqui empresas que já aplicaram algum tipo de redução salarial, conseguimos chegar a uma avaliação superficial que o grupo restante não tende a fazer alguma movimentação ou, ao menos, não demonstra tal alteração em curto prazo. Neste caso, nem todos puderam opinar, o que torna a análise inconclusiva.

Suspensões de contrato de trabalho e reduções de horas trabalhadas

A redução parcial da escala de trabalho é natural para grande maioria das empresas, visto que o consumo de bens e outros reduziram drasticamente. Exemplo disso é a redução projetada entre 30% a 50% de consumo de combustíveis para automóveis. Com isso, também é natural a percepção média de redução de escala de trabalho em indústrias. Outro ponto fundamental é o próprio COVID-19. Inicialmente foi sugerido afastamento social e, em alguns Estados do País, mandatório. Lembrando que também temos exemplos de países da Europa e, um em específico, da Argentina, único país a aplicar lockdown na América Latina, até então.

gráfico de redução de escala de trabalho durante a pandemia de coronavírus

Quanto a suspensão de contrato de trabalho fica evidente sobre dois elos extremos. Os grandes e os pequenos negócios. É interessante essa avaliação, por motivos aqui já ditos. O pequeno, devido sua incapacidade financeira de manter suas despesas sem vendas acompanhando as entradas mas, as grandes empresas, que na teoria poderiam vir a suportar mais tempo que os pequenos, em menor tempo também gozaram dos direitos legais, para se preservarem, quer seja mediante a uma instabilidade de sua saúde financeira que já carrega há algum tempo, quer seja por análise estratégica, visto a não clareza de saneamento deste momento de pandemia que passamos.

Fechamento temporário e demissões realizadas

Este é um parágrafo amargo… Sim, tem momentos que se faz necessária uma decisão extrema, quer seja por: resguardo de pessoas, baixa de consumo do mercado ou restrição mediante regra imposta por Governos locais Estaduais, para não proliferação da pandemia.

gráfico de fechamento de empresas e demissões durante a pandemia

Educação sai na frente quanto ao fechamento de suas unidades mas, em compensação, não demonstra, nesse primeiro momento, nenhuma movimentação para desligamento de seus colaboradores. Na verdade, o desligamento é claro e evidente em comércio e pontualmente na indústria. O fechamento pontual do negócio que fica mais abrangente, tendo exemplos como: educação, já dito acima, Estatal, tecnologia e transporte. Este último, para melhor compreensão, visto que é um serviço essencial, requer maior explicação.

É o caso de uma empresa Estatal de entregas no Brasil inteiro, que fecha unidade de distribuição por 15 dias, a contar da data de afastamento, de um colaborador que confirmar suspeita de COVID-19. Após os 15 dias e devida higienização da unidade, ela reabre.

Aplicação de home office, uso de EPI’s em atividades essenciais

Falando um pouco sobre segurança e saúde das pessoas, foi solicitado a visão de cada colaborador para com a aplicação do home office em sua área e empresa. Em sua maioria, foi aplicado em mais de 50% o home office. Esse é um ponto interessante pois nunca tivemos tantas pessoas trabalhando de casa, ao menos não nos recordamos de nenhum marco histórico para referenciar e, pós pandemia que esperamos terminar brevemente, seremos então todos diferentes. Também é possível reparar que um tipo de mercado apenas tem exemplos de não aplicação do home office, no caso, comércio. Para os casos citados, são exemplos de empresas que decidiram fechar suas portas temporariamente.

gráfico home office durante pandemia

Com relação ao uso de EPI’s, as indústrias são majoritariamente mais preparadas. Tem um corpo técnico mais qualificado e requer de tempo e recurso para um melhor preparamento para segurança do grupo de trabalho bem como mantenimento de suas atividades, quer sejam parciais ou totais.

Casos e mortes confirmadas nas empresas

Esse é de longe o tema que não queríamos trazer aqui mas, faz parte da análise.

gráfico de casos e mortes por coronavírus nos setores empresariais

Transporte e distribuição, tecnologia e comércio são mercados de front. Possuem contato social extremo e são os mais abalados. A pesquisa não chega a profundidade exigida para esse tema pois saúde é um tema pessoal e as Companhias resguardam a área de saúde, monitoramento e acompanhamento com cada colaborador, muitas vezes nem a área de recursos humanos tendo todas as informações desejadas. Não conseguimos aqui comparar casos e mortes por COVID-19 por nicho de mercado, seria necessária uma pesquisa mais técnica e da área de saúde para melhor mapeamento e compreensão. Reservo esse gráfico para interpretação e ciência de casos nas empresas.

E o que nós esperamos?

Esperamos que todos pesquisem a fundo cada material recebido e que não se difunda as famosas fake news. Desejamos também que você, tendo possibilidade de ficar em casa ou trabalhando por estar em atividade essencial, se proteja. A sua proteção é a proteção da sua família e do próximo.

Também esperamos uma baixa nessa curva de novos casos de COVID-19 da mesma forma que ela apareceu e que uma cura surja brevemente para que possamos entrar no NOVO NORMAL em nossas vidas.

Fontes: Estatística COVID-19; Tamanho populacional América Latina.

E você, o que acha dessa situação? Deixe sua opinião nos comentários!

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Roberto Yung

Engenheiro industrial, pós graduado em docência do ensino superior, MBA em gestão de qualidade, green belt e mestre em sistemas da engenharia.

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