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Como foi minha experiência como aprendiz em uma indústria automobilística

por Letícia Nogueira | 03/09/2020
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Entenda como funciona e como foi passar por essa experiência no início da minha vida acadêmica!

Desde minha infância a engenharia e a mecânica sempre estiveram ao meu redor. Como filha de engenheiro, tive o privilégio de ter contato com qualquer projeto que meu pai trabalhasse. Sempre que vinha algum problema novo a ser solucionado, lá estava ele pensando como fazer aquilo e eu tentando entender como conseguia resolver as coisas de maneira tão “fácil”. Tudo isso despertou algo em mim o que acredito que seja a base de todo engenheiro: a vontade de aprender e a persistência para solucionar problemas.

Ao contrário do que se pensa, a escolha da minha graduação não foi para a área da mecânica. Terminei o ensino médio em 2017, e ingressei na Universidade Federal do ABC para o curso de Engenharia de Materiais. Porém, a mecânica ainda era uma área que me despertava um certo interesse, e que eu desejava aprender um pouco mais. Além disso, nessa época, eu tinha muitas dúvidas de como eu poderia iniciar a minha carreira, como seria o início da minha trajetória no mercado de trabalho. E como a oportunidade perfeita, o processo seletivo de aprendizagem industrial da Mercedes-Benz apareceu.

Ao fundo, o prédio administrativo da Mercedes-Benz cercado por árvores na paisagem
Mercedes-Benz Brasil – Fonte: Na Boléia

Uma parceria SENAI e Mercedes-Benz

A proposta de ser aprendiz contemplava a formação como mecânico de produção veicular ministrado dentro do Centro de Treinamento Mercedes-Benz. Localizado dentro da planta da empresa em São Bernardo do Campo, o centro teve início de suas operações em 1957. Sendo que, em 1996 toda a responsabilidade pelo curso passou a ser do SENAI.

O prédio de treinamento com uma porta de vidro a direita e uma árvore a esquerda da foto
Centro de formação profissional SENAI/Mercedes-Benz – Fonte: SENAI São Paulo

A planta de São Bernardo tem foco na produção de veículos pesados (caminhões e ônibus), assim todos os conhecimentos passados eram voltados a esse segmento. Dividido em sete áreas diferentes, o curso tinha como objetivo que o aluno encerrasse os dois anos com aprendizados sobre as tecnologias empregadas no setor veicular, montagem de conjuntos, execução e planejamento de projetos e afins. Nunca esquecendo de como o respeito a normas é importante para o bom funcionamento da empresa e geração de um produto de qualidade.

As sete divisões do curso: comunicação oral e escrita, controle dimensional e representação gráfica, fundamentos da tecnologia metalmecânica, processos de soldagem, processos de montagem veicular, processos de usinagem e tecnologia veicular
Divisão do curso de mecânica de produção veicular do SENAI Mercedes-Benz

Iniciamos o curso com aulas focadas em uma boa apresentação de projeto. Assim, durante seis meses, fomos orientados desde tópicos essenciais para uma boa apresentação até a linguagem corporal que usamos. Porém, para um bom projeto ser apresentado, é necessário que haja um bom planejamento por trás. Então, ao longo dos dois anos, tivemos aulas de softwares de desenho, como o Catia. Assim, aprendemos desde funções simples até a montagem e simulação de conjunto mecânicos.

Sabendo que o contato com equipamentos de medição é fundamental para o dia a dia do profissional, foram ministradas aulas de controle dimensional durante um ano. Nelas, aprendemos a utilização de equipamentos simples, como paquímetros, micrometros e relógio comparador; até os de medição por coordenadas.

Porém, para a boa formação na área de mecânica, é imprescindível que o profissional tenha contato com processos como usinagem e soldagem. Na primeira, passávamos seis meses em contato com atividades envolvendo máquinas na área de tornearia e fresagem. E, depois, passávamos para a etapa de programação de máquinas CNC, onde fazíamos a programação de peças e trabalho das máquinas em tornos e fresadoras CNC e centros de usinagem completo. Na soldagem, aprendíamos sobre variantes e problemas possíveis dentro de processos MIG e MAG, eletrodo revestido, oxiacetilênica e afins, além de colocar em prática as técnicas de soldagem aprendidas.

Junto de tudo isso, passamos os dois anos aprendendo sobre as tecnologias presentes dentro de um veículo. Isto é, os sistemas de transmissão, suspensão, freios, motor e entre outros. Sempre conciliando sala de aula e oficina. Além disso, ainda passamos por aulas focadas em elétrica, pneumática e hidráulica para fecharmos a grade da mecânica e conseguirmos entender ainda mais o funcionamento do produto que era gerado pela empresa.

Outra etapa do curso que teve duração de dois anos foi sobre os fundamentos da mecânica e áreas de gestão. Foi nessa etapa do curso onde aprendi desde os processos de tratamento e conformação de material até normas pelas quais os processos produtivos estão submetidos. Além de conteúdos sobre como é realizado o sistema de gestão de produção da Mercedes-Benz.

Ao fundo o prédio do centro de treinamento da Mercedes-Benz. Na frente, um jardim com a placa escrita "centro de treinamento"
O curso era ministrado dentro do Centro de Treinamento da Mercedes-Benz, onde funcionários realizam cursos de aprimoramento – Fonte: SENAI São Paulo

Integração sala de aula e rotina de fábrica

Como disse no Podcast 360, minha parte preferida eram as visitas técnicas com os gerentes da área. Era nesses momentos que conseguíamos entender o impacto dos conhecimentos que tínhamos adquirido quando aplicados dentro da empresa. Nunca subestime o que você aprende, muitas vezes a ferramenta mais simples gera um grande impacto.

As visitas aos setores de trabalho me fizeram entender a importância do engenheiro desde o projeto de desenvolvimento de um produto até questões burocráticas com o cliente no período de pós compra. De como o seu projeto simples para a resolução de um problema na linha de produção pode gerar uma maior produção no final do dia, mas que pode nem sair do papel se você não levar em consideração a segurança e o bem estar do operário.

Ao fundo o prédio administrativo da Mercedes-Benz
Mercedes-Benz Brasil – Fonte: arquivo pessoal

A minha entrada na indústria me fez entender que iniciamos a faculdade com o mínimo de conhecimento sobre o grande impacto que nosso trabalho gera. Foi estando quatro horas por dia em uma fábrica durante dois anos, que fui entender como meu futuro trabalho como engenheira tem um grande peso.

Você como engenheiro ou futuro engenheiro irá impactar a vida de diferentes pessoas. Seja a de funcionários, tornando o trabalho deles menos desgastante e mais seguro; do cliente, com uma solução que atenda a maior parte de suas necessidades; ou da sociedade, com um produto sustentável. É importante você entender a responsabilidade que carrega, para a formulação de projetos cada vez melhores.

Assim, entendendo a responsabilidade que a profissão trazia. Passei a perceber que, para eu ser uma engenheira de atuação na indústria, não me bastará apenas o certificado e conhecimentos da minha área. Meu trabalho deverá ser planejado e executado de acordo com diversos aspectos da empresa, desde a parte de gestão de processos até as mais burocráticas. O que exigirá de mim conhecimentos prévios para uma boa comunicação com colegas de trabalho e planejamento de projetos. Em suma, não se restrinja a apenas uma área de conhecimento. Ter conhecimentos sobre outras áreas não anula sua especialização, apenas te trará uma visão do todo para um trabalho melhor elaborado.  

Vidro ao fundo da imagem escrito "Mercedes-Benz a marca que todo mundo confia”. Estou posicionada a frente do lado direito, usando máscara e jaqueta
Minha despedida a empresa – Fonte: arquivo pessoal

Encerro esse texto com o meu agradecimento à Mercedes-Benz Brasil, aos mestres do Centro de Formação Senai Mercedes-Benz, e a todos aqueles que me ajudaram nessa jornada. Com certeza foi um período de grande importância na minha formação profissional, e que levarei para sempre comigo.

Se quiserem saber mais sobre essa minha jornada, escute o podcast 360. Nele, eu conto um pouco mais de como foi ser aprendiz na indústria automobilística.

Leia também: Como é a experiência de um estágio de Engenharia Elétrica no Egito?

Conte para a gente o que você acha da experiência na indústria no início da carreira. Deixe nos comentários!

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Letícia Nogueira Marques

Estudante de Engenharia de Materiais pela UFABC. Acredito que não há nenhum sonho que não possa ser realizado com um pouco de disciplina e criatividade.

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